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Intervenção do Partido Comunista da Turquia (PCT)

Tradução do inglês de PAT

 

No mundo de hoje, em que o imperialismo ameaça a humanidade com uma guerra dividida em partes, as organizações políticas do proletariado não devem ter o objetivo de uma frente antifascista com vários setores da burguesia; ao invés, devem organizar-se para reivindicar o poder político, contra a burguesia como um todo. Esta não é só uma verdade teórica; entrámos num período cheio de potencialidades que pode pô-la em prática a qualquer momento.

 

 

 

Caros Camaradas, Nos próximos dois dias celebraremos o 72.º aniversário da derrota da Alemanha nazi pelo Exército Vermelho. Gostaria de referir três adulterações contemporâneas sobre esta importante vitória na nossa história, sem entrar em muitos detalhes e evitando repetições.

1. A vitória contra o fascismo foi conseguida conjuntamente com os aliados, ou com o seu apoio. Não, a vitória contra o fascismo pertence, definitivamente, ao Exército Vermelho. Por que a Segunda Guerra Mundial, ao contrário da Primeira, não é exclusivamente baseada, outra vez, numa partilha imperialista do mundo. É uma guerra iniciada por países imperialistas com o objetivo de erradicar do mundo o primeiro país socialista. Claro que as ambições do capital monopolista alemão, os problemas resultantes da Primeira Guerra Mundial e a guerra de classes na Alemanha não podem ser negligenciados. Deveremos também adicionar o desejo de (re)partição do imperialismo por parte dos EUA. Entretanto, o imperialismo norte-americano, inglês e francês deixou impunemente chegar ao poder os fascistas na Itália, Espanha e Alemanha. A razão para isto é a de que a estratégia imperialista foi, desde o início, fundada na perspetiva de um ataque nazi contra os soviéticos.

1 Celebração realizada pela Iniciativa Comunista Europeia, em Berlim, no dia 9 de maio, em que participaram os seguintes 15 Partidos: Polo do Renascimento Comunista em França, Partido Comunista Revolucionário de França, Partido Comunista da Grécia, Partido dos Trabalhadores da Irlanda, Partido Comunista, Itália, Partido Comunista dos Povos de Espanha, Partido Socialista Operário da Croácia, Partido Bielorruso dos Trabalhadores Comunistas – secção do PCUS, Partido Comunista da Noruega, Partido dos Trabalhadores Húngaros, Partido Comunista da Polónia, Partido Comunista Operário Russo, Partido Comunista da Suécia e Partido Comunista da Turquia. Um representante do Partido Comunista Alemão também participou na iniciativa. http://www.initiative-cwpe.org/en/news/Event-for-the-72nd-anniversary-of-the-Great-AntifascistVictory-of-the-Peoples-in-Berlin/ 2 Pelas mesmas razões, os “Aliados” esperaram pelo fim da derrota e do recuo nazis frente ao Exército Vermelho, para então assaltarem várias regiões na Europa, a fim de pararem o avanço deste Exército Vermelho. Assim, cidades alemãs foram barbaramente bombardeadas pelos exércitos americano e inglês e as primeiras armas nucleares foram experimentadas sobre o povo do Japão. O facto de os soviéticos não terem sido eliminados – apesar do elevado preço que pagaram, mas de terem saído da guerra com um mais forte crescimento –, é uma vitória não só contra os nazis, mas também contra todo o sistema capitalista.

 

2. Na guerra contra os nazis, a vitória pertence ao povo soviético. Claro que o papel extraordinário do povo soviético na guerra, que lhe custou 25 milhões de vidas, não pode ser negado. Mas se não fosse a vanguarda do proletariado, esta vitória teria sido impossível. O que determinou o resultado foi a organização e a vontade política do PCUS, cujo secretário-geral era Stáline. São inúteis os esforços para eliminar ou diminuir este fator na história. Além disso, o papel do partido de vanguarda na vitória não se limita ao período da guerra. A coletivização na agricultura, conduzida ao longo de 30 anos, o desenvolvimento planeado e, resumidamente, o estabelecimento do socialismo, apesar dos inimigos de classe, construíram as bases da vitória.

 

3. A história da Rússia é uma continuidade, sem interrupção, de Pedro primeiro a Putin e a vitória contra o fascismo é devida, na totalidade, a este facto. Não, um conteúdo totalmente esvaziado da sua classe não pode ser responsável pela vitória. A história da Rússia comporta um longo estado feudal e o domínio da aristocracia rural; depois, em 1917, um governo burguês de muito curto prazo, seguido de uma revolução proletária com as suas leis, de uma contrarrevolução, em 1990, e do governo do capital, que foi rapidamente monopolizado. A vitória contra o fascismo pertence em primeiro lugar à classe operária das Repúblicas da União Soviética e, depois, à classe operária mundial. Não pertence, de modo nenhum, ao nacionalismo hoje desenvolvido pelo Estado monopolista da Rússia. Depois de mencionar estas três adulterações contemporâneas, deixem-me finalizar com esta conclusão, para a atualidade: as táticas da pré-Segunda Guerra Mundial, período em que o fascismo estava a surgir, não são válidas hoje. No mundo de hoje, em que o imperialismo ameaça a humanidade com uma guerra dividida em partes, as organizações políticas do proletariado não devem ter o objetivo de uma frente antifascista com vários setores da burguesia; ao invés, devem organizar-se para reivindicar o poder político, contra a burguesia como um todo. Esta não é só uma verdade teórica; entrámos num período cheio de potencialidades que pode pô-la em prática a qualquer momento. Abaixo o imperialismo! Viva a vitória do proletariado e do socialismo!

Erhan Nalçaci Membro do CC do PCT, responsável pelas Relações Internacionais

 

Publicado em 2017/05/09, em: http://www.initiative-cwpe.org/en/news/Communist-Party-of-Turkey/

 

 

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