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 Annie Lacroix-Riz

Tradução do francês de TAM e PAT

 

Sabe-se tudo ou quase da vaga de xenofobia que caraterizou a Crise da França, cujos dirigentes, a partir dos anos 1880 e mais do que nunca a partir de 1919, recorreram à mão-de-obra estrangeira.

 

 

Colóquio “Estrangeiro e estrangeiros”, Universidade Paris 7, 1 e 2 de junho de 2006, Annie Lacroix-Riz, professora de história contemporânea, Paris 7, Pilar González-Beraldo, Manuela Martini e Marie-Louise Pelus-Kaplan, dir., Estrangeiros e sociedades. Representações, coexistências, interações de longa duração, Rennes, Presses universitaires de Rennes, 2008, p. 127-138.

 

Teses elaboradas segundo as fontes citadas in O Vaticano, a Europa e o Reich, da Primeira Guerra Mundial à Guerra fria (1914-1955) e A escolha da derrota: as elites francesas nos anos 1930, Paris, Armand Colin, respetivamente 1996 e 2006.

Sabe-se tudo ou quase da vaga de xenofobia que caraterizou a Crise da França, cujos dirigentes, a partir dos anos 1880 e mais do que nunca a partir de 1919, recorreram à mão-de-obra estrangeira. Ralph Shore descreveu os aspetos antissemitas antes de estudar o conjunto da imigração1. Gérard Noiriel mostrou igualmente o papel que desempenharam nas “origens republicanas de Vichy” o “falhanço do compromisso republicano” e “a discriminação das origens”2.

Vou abordar aqui, com a ajuda dos exemplos polaco e jugoslavo, a maneira como a República, segundo o historiador canadiano Robert J. Jung, advogada dos interesses da grande burguesia, tal como “em 1793, 1830, 1848 ou 1871”3, garantiu a docilidade dos “bons estrangeiros” que ficaram e excluiu os “maus”. É, segundo a tradição, na companhia destes dois Estados aliados, guardiões do “cordão sanitário”, que a França, anteriormente importadora de imigrantes, criou “a discriminação das origens” na hora de expulsar “o exército de reserva”. Na perseguição reforçada ao estrangeiro suspeito de antifascismo ou de agitação social – conceitos indissociáveis –, trabalharam os ministérios do Interior, dos Negócios Estrangeiros e da Guerra. A sua correspondência descreve a hierarquia estabelecida pelos dirigentes da França entre dois perigos: o inimigo interno e o inimigo externo.

 

O trabalhador polaco sob a tutela da Igreja católica romana …

 

O mineiro ou camponês polaco, que se tornou mineiro em França, foi o grande alvo de recrutamento de mão-de-obra estrangeira do Comité das minas de carvão que o Estado francês tornou rentável, abdicando do seu “monopólio de facto para a contratação de mão-de-obra estrangeira” do período da guerra. Cedeu-o a título gracioso àqueles cujos deputados maioritários na Câmara de Bleu Horizon [Bloco Republicano nacional, coligação de centro-direita no poder entre 1919-1924 (NT)], criticavam todos os dias a intolerável “intervenção do Estado”. Assim, em maio de 1924, (época da vitória do Cartel das Esquerdas [coligação eleitoral apresentada às eleições legislativas de 1924 formada por partidos radicais e socialistas (NT)]) foi fundada a “Sociedade Geral de Imigração”, sociedade anónima privada, deste modo detentora do “quase monopólio de recrutamento coletivo […] de mão-de-obra estrangeira”. Foi seu presidente o conde Édouard de Warren, representante parlamentar do Comité das Forjas – a direita siderúrgica de Meurthe-et-Moselle – e seu vice-presidente Henri de Peyerimhoff, presidente do Comité das minas de carvão, um dos doze fundadores da sinarquia [associação secreta de grandes capitalistas (NT)] e do antepassado direto do Comité França-Alemanha (em 1926), grande locador de fundos às ligas4: “Os recrutadores do patronato” da SGI, que «introduziu em França, entre 1924 e 1930, mais de 400 000 trabalhadores […] foram muitas vezes designados como “negreiros”, “traficantes de carne humana”, “mercadores de homens”». Ralph Schor forneceu, assim como os fundos BA dos RG [Renseignements géneraux (Informações gerais), uma unidade da polícia nacional francesa de 1945 a 2008 (NT)], elementos cifrados (os únicos lucros declarados da SGI) que confirmam o fundamento desta acusação da “esquerda”. Durante a crise, esse feudo do grande capital acumulou os benefícios económicos da manutenção dos lucros da importação de mão-de-obra “em época de desemprego”5, com a organização da caça aos imigrantes, animada, aparentemente, pelos grupos políticos que financiava6.

Ralph Schor, estudando “a contratação de uma minoria” – antifascista ou fascista – evoca “a Sociedade dos operários polacos em França” que, “fundada em 1924, dizia ter 10 000 membros dois anos mais tarde e escondia atrás da fachada de uma organização mutualista uma atividade sobretudo sindical”. Se esta associação “de pensamento conservador”, nascida no mesmo ano da SGI, inquietava “o punhado de imigrantes militantes de esquerda”7, não alarmava o grupo patronal. O colega de Peyerimhoff, saído, como muitos dos seus pares, da Ação francesa8, foi um dos principais arautos da ditadura dos coronéis na Polónia financeiramente dependente da França, e apresentou-se como senhor comparável ao rei da Checoslováquia democrática, Eugénio Schneider. Tinha necessidade de estrangeiros subtraídos à influência dos “dirigentes” (operários) da luta de classes – não se esquivando a GGTU, [Confederação Geral do Trabalho Unitária, 1921-1936 (NT)] mais que antes da crise, a estimular a combatividade dos estrangeiros.

O Estado francês secundou o patronato também nesta matéria, encarregando a polícia da repressão dos “extremistas” (termo só aplicado à extrema-esquerda)9 em colaboração com o aparelho de Estado polaco, como aconteceu com os seus aliados da Petite Entente [nome dado à aliança militar, efetuada no período entre duas guerras, entre a Checoslováquia, o Reino da Jugoslávia e o Reino da Roménia (NT)], ditaduras à moda polaca (Roménia e Jugoslávia) ou não (Checoslováquia). O regime que era suposto ser laico, consentiu confiar à Igreja da Polónia os imigrados polacos em França, não apenas socialmente ultraconservadora, mas também obrigada pelo Vaticano e pela sua hierarquia a apoiar o Reich. Um dos obreiros dos fornecimentos foi o Monsenhor Baudrillart, cujas atividades externas o Estado financiou generosamente desde 1915, através do “Comité católico de propaganda francesa no estrangeiro”. A germanofobia que presidira à sua criação durante a Grande Guerra, transformou-se, sob a tutela do Vaticano, plenamente restabelecida após o armistício, em germanofilia. Este rumo, que já era claro nos anos vinte, revelou-se pró-nazi nos anos trinta de ascensão fulgurante da carreira de Baudrillart, um dos favoritos franceses da Cúria romana em geral e do secretário de Estado, Pacelli (futuro Pio XII).

O conselheiro gaulês dos Assuntos Eclesiásticos do Quai d’Orsay [Ministério dos Negócios Estrangeiros (NT)], em junho de 1930, pôs o seu departamento de sobreaviso contra esta instituição que, depois da guerra, se tornou no “Comité católico das amizades francesas no estrangeiro”, e contra o seu chefe, que sempre tinha aplicado sem hesitar a linha germânica do Vaticano: “agiu contra todas as instruções e distribuiu como quis os fundos que recebe do Estado, sem dar contas da sua utilização”10. Em vão. O cardeal, conspirador protegido pela República e querido do III Reich, pôde prosseguir, sem perigo, a linha que, em novembro de 1935, lhe valeu a púrpura. Entre outras (múltiplas) missões internas e externas, tomou a seu cargo a Igreja polaca, encarregada de ajudar a França a abdicar de qualquer “aliança contrária”. Foi encarregado, designadamente, das relações com um dos chefes daquela, Monsenhor Hlond, arcebispo de Poznan – diocese (alemã até 1918) particularmente germanófoba11 de um Estado nascido da vitória francesa de 1918. Hlond, paradigma do antibolchevismo e do antissemitismo, tinha a vantagem, com efeito, de pregar a aliança com o Reich contra o pacto franco-soviético. Devia a sua carreira ao seu estatuto de auxiliar germânico do Vaticano, onde esperava uma promoção (acenaram-lhe até com o papado) e ao qual manifestava, como Baudrillart, uma submissão Perinde ac cadaver [loc. latina: de forma cega; como cadáver (NT)].

O prelado francês homenageou ruidosamente o seu homólogo polaco, em dezembro de 1936, no boletim do seu comité, sempre financiado pelo contribuinte francês. Primeiro, publicou na íntegra as entrevistas germanófilas, francófobas, russófobas e checófobas espetaculares, publicadas a 7 e 11 na grande imprensa de Viena e de Budapeste, daquele que clamava – para uso dos húngaros – “Jamais marcharemos com a França sovietizada”12. Depois publicou (a 19) a sua “conversa” com Hlond, que descrevia uma França entregue a um “cavalo de Tróia” bolchevique movendo-se em todos os sentidos e descrevia a URSS nos termos da propaganda do Reich (“descasque o bolchevique e verá o tártaro”). Hlond gabava-se também dos acordos com a Alemanha “úteis também para a França, de quem queremos continuar a ser aliados e amigos, mas não aceitamos o papel de vassalos”: queremos “continuar as nossas relações de boa vizinhança com a Alemanha [e…] avaliar por nós próprios as alianças que queremos conservar com a União dos Sovietes e a Checoslováquia” - declaração explícita sobre o curso que ele preparava para esta grande aliada oficial da França. Braudillart elogiou Hlond por ter «sido, há quatro anos, o primeiro a “preconizar”», não obstante “uma atmosfera de ódio e de mal-entendidos, a conclusão de um modus vivendi [relacionamento (NT)] entre a Polónia e a Alemanha”; e inventou-lhe um antissemitismo moderado: foi “durante alguns meses […] talvez o único homem destacado que encontrou sobre a questão judaica as palavras definitivas e ponderadas”, discurso que “desencadeou contra ele o furor dos ultra-antissemitas e as impertinências dos judeus arrogantes”13.

Os fundos consultados não conservaram qualquer vestígio de uma eventual reação aos repetidos assaltos de Hlond contra a política externa oficial da França, confirmados pelo boletim de Braudillart financiado pelo Quai d’Orsay. Mas a reação à sua ingerência direta numa matéria devolvida ao Ministério do Interior e ao dos Negócios Estrangeiros indicia uma grande tranquilidade. O protegido de Braudillart, com efeito, dirigia-se diretamente por cartas pastorais ao seu rebanho polaco: o Vaticano tinha ordenado, conforme era seu hábito, nos países que cobiçavam os seus dois Estados favoritos – a Itália e o Reich –, a violação da regra segundo a qual se devia tratar os católicos estrangeiros14 conforme as regras nacionais do respetivo país. Na Páscoa de 1937, Hlond dirigiu, pois, aos polacos da França, uma carta pastoral contra o comunismo, tão violenta como os seus artigos atrás mencionados. O Quai d’Orsay esperou por 30 de agosto para assinalar a Roma esta “intromissão na jurisdição dos bispos diocesanos”. Também esperou pacientemente que Pacelli, que orquestrava a coisa, lhe dirigisse, em 12 de novembro, um memorando a confirmar a origem vaticana da insolência de Hlond: “longe de [...] lamentar” a sua carta pastoral, relatou o embaixador da França na Santa-Sé, François Charles-Roux, no dia 16, Hlond «declara-se persuadido […] de que prestou um serviço à República francesa, procurando defender os seus compatriotas de uma propaganda “que não pode ser senão […] eminentemente funesta a um Estado, qualquer que ele seja”». Apesar do “pedido do governo francês no sentido de terminarem as suas intervenções no território da República, o prelado mostra-se pouco inclinado a atender aos nossos desejos”15. A República contentou-se com isso.

Na primavera de 1955, o abade Desmettre, professor no grande seminário de Lille, membro do CNRS [Conselho Nacional de Investigação Científica (NT)] e capelão dos polacos no Nord-Pas-de-Calais, primeira região de acolhimento, sugeriu a razão pela qual a República agonizante tinha preferido a Igreja católica polaca, auxiliar do Reich, à contaminação dos operários pela CGTU e o PCF – seus concorrentes diretos. Conversando com Alain Peyrefitte, cônsul em Cracóvia, declarou-se “profundamente dececionado com o nível intelectual do clérigo polaco” e declarou-o como “protótipo de reação, de ignorância, cujo estatuto antes da guerra era semelhante ao da Igreja espanhola”, dizendo que a sua “informação teológica é nula” e a sua “cobiça” proverbial – as enormes cobranças pelas missas encomendadas para os enterros que representavam metade do mês de salário do operário. “A fé do povo polaco, também ela, desce ao nível dos costumes e dos ritos [...] O conteúdo intelectual desta fé parece nulo”; “a melhor prova” desta realidade era fornecida pelo facto de que, fora da Polónia, os polacos “perdem […] automaticamente a sua fé, e cessam toda a prática”16.

Neste assunto, o Estado francês, que podia fazer de conta que ela era amiga dos franceses, tratava com cuidado a Igreja de um país oficialmente tido, até à sua derrota relâmpago, como um dos seus grandes aliados, se bem que pertencesse ao dos seus inimigos17. Do lado jugoslavo, a França vigiou os estrangeiros com o seu aliado estatal mas, ao mesmo tempo, com a ajuda dos representantes do Ministério do Interior, entregou a sua proteção a outros defensores da ordem, prejudicial às suas alianças sérvias.

 

… À entrega dos operários jugoslavos aos terroristas ustaches

[membros do movimento separatista croata, antissemita, fascista e antijugoslavo (NT)]

 

A monarquia jugoslava partilhava a opinião do Estado francês sobre a prioridade do perigo vermelho. O rei Alexandre esperava seduzir pelo seu punho de ferro a secessão croata (sobretudo) e eslovena e o seu tutor romeno – e lançava sistematicamente a sua polícia e a sua guarda contra os vermelhos, quando eram cometidos assassinatos políticos, imediatamente classificados como “atentados comunistas”18 mas de que os fascistas croatas eram os únicos culpados19. “Nestes tempos de fermentação social e de bolchevismo, só encontro vantagens em confirmar os sentimentos religiosos do povo jugoslavo” vangloriava-se o soberano, em janeiro de 1931, perante Loiseau, agente do Quai d’Orsay, perito em assuntos dos Balcãs: ele justificava um enésimo recuo (desta vez sobre o ensino) diante do “clérigo católico da Croácia e da Eslovénia”20, que a Cúria, duplamente ao serviço do Reich e da Itália, tinha encarregado, no nascimento da Jugoslávia, da destruição desta “criatura” da França (e, se possível, da dos seus chefes)21.

Com efeito, o rei estava obcecado pelas capacidades da resistência de uma população que ele esmagava, sobretudo depois do seu “golpe de Estado de 6 de janeiro de 1929” com uma das mais terríficas ditaduras do “cordão sanitário”: a correspondência policial, militar e diplomática, descreve-a em termos semelhantes aos da imprensa comunista francesa ou jugoslava, senão pior. Dos quatro grupos de uma população, que um “muito bom informador” entendia estar exposta ao comunismo – “operários de centros industriais”; “operários agrícolas”; “camponeses da Sérvia”; “camponeses da Croácia” – só estes últimos não inspiravam qualquer inquietação sociopolítica: eles “estão bem enquadrados pelos seus chefes que parecem, em geral – alguns deram mesmo provas por diversas vezes de uma maneira indiscutível – opor-se claramente a qualquer conluio com o comunismo e a qualquer participação num movimento comunista”22. “Os elementos sãos da opinião croata manifestam verdadeira satisfação com as opiniões reais sobre a organização do Estado”, felicitava-se em dezembro de 1929 o comissário especial de Annemasse [região francesa junto à fronteira franco-suíça (NT)], Petit – campeão (de uma longa lista francesa) de antibolchevismo delirante23. Isso não salvaria a monarquia das garras germânicas dos “elementos” socialmente, mas não politicamente, “sãos da opinião croata”.

Esgotada pela crise, a Jugoslávia, cuja “população [estava] inteiramente voltada contra o governo ditatorial” era “um foco latente de revolução”. A sua grande aliada francesa secundou, pois, com zelo, os esforços dos seus dirigentes para melhorarem “a situação política […] das mais graves”24 que não aplacava este regime de “terror” contrarrevolucionário. A “Legação real da Jugoslávia” inundava os ministérios dos Negócios Estrangeiros, da Guerra e do Interior (diretamente ou não) de notas diárias deste género contra os comunistas jugoslavos a viver em França e nas colónias – texto aqui reproduzido conforme o original, defeituoso: as diretivas do Proletário (Plamen), “jornal oficial do comité central do Partido Comunista da Jugoslávia” (sediado em Viena, ou em Paris, o partido estava reduzido à clandestinidade) ameaçavam a França inteira – Paris e os consulados jugoslavos de Bordéus, Marselha, Nantes, Lille, Le Havre, Lião, e Toulouse – porque “nos locais mais próximos destas cidades existem grupos de emigrantes jugoslavos. Será desejável impedir tentativas eventuais destes comunistas nestas cidades, tendo em conta que estas manifestações são organizadas e executadas com a colaboração do partido comunista francês e com outros comunistas estrangeiros”25.

Conforme o pedido, o ministério do Interior pôs então a Prefeitura da polícia (para Paris e a região parisiense), através dos prefeitos, a vigiar os revolucionários jugoslavos e os seus amigos franceses, vigilância assegurada no interior das fronteiras e para além delas, e ordenou, nos casos aplicáveis, a sua expulsão ou detenção. Em meados de março de 1929, o ministro do Interior, a pedido do ministro da Guerra26, pediu mais uma vez ao prefeito da polícia (como em 21 de fevereiro de 1927) que fornecesse “todas as informações que conseguir recolher sobre [o] agitador estrangeiro […] comunista” Valiko Ribar, nascido a 26 de dezembro de 1896, um dos militantes que mais preenchiam a crónica repressiva. “Expulso da Áustria por causa da sua particiação nos acontecimentos revolucionários27 de Viena, em 15 de julho de 1927 [Ribar], um dos chefes do movimento comunista jugoslavo» foi visto recentemente em Praga, depois em Viena. “A polícia austríaca, prevenida da sua passagem procurou-o, mas não conseguiu deitar-lhe a mão” e deve encontrar-se em Paris28. Conforme o pedido, o próprio ministro, sob a capa da Segurança geral que depois se tornou nacional, proibia aos comunistas jugoslavos, como a todos os homólogos estrangeiros, por determinações postas em vigor em França e nas colónias e protetorados, toda a propaganda verbal e escrita: jornais, com o Plamen à cabeça, folhetos, todos os escritos e todas as formas de propaganda que saíssem das máquinas do PCF ou da CGTU29. Esta vigilância reduziu-a, como se vangloriava o Segundo Departamento, de “muito boa fonte”, no verão de 1933, a quase nada: o «jornaleco “Le Prolétaire” [dos…] comunistas jugoslavos de Paris» que “não é mais do que o prolongamento dos Radnitchka Borba (A luta operária) e Borba (A luta) que no seu tempo foram editados em Paris e proibidos pela Segurança geral […] dificilmente tem uma tiragem de mais de 500 exemplares, distribuídos em locais seguros e com extremo cuidado, com medo que os serviços de polícia franceses proibissem, por sua vez, esta nova publicação”30.

Entre os três ministérios competentes e a delegação jugoslava circulava, pois, a seguir à criação da Jugoslávia, um fluxo contínuo de correspondência sobre os subversivos e o trabalho a desenvolver entre eles. A sua eficácia prática contrasta com o bloqueio do inquérito ao assassinato de Alexandre [Alexandre I da Jugoslávia, em Marselha (NT)] (e de Barthou) [ministro francês (NT)]. A informação factual sobre os fascistas croatas como sobre os vermelhos jugoslavos de diversas origens, era, porém, tão boa em Paris como em Belgrado, mas os primeiros ajudavam a organização da classe operária e lutavam pelos salários. O patronato das respetivas fábricas e a polícia ao seu serviço, não se comoviam com as divisões entre croatas e sérvios que garantiam a divisão operária (franco-jugoslavos e servo-croatas) sem ameaçar a produção. Davam, consoante aquilo a que se destinavam, conselhos mútuos até que, “na noite de 22 para 23 de dezembro” de 1929, “nas fábricas Peugeot” de Audincourt, os clericais croatas saltaram sobre “um operário ortodoxo [que] tinha dito: Eu trabalho na véspera de Natal. Não ligo a essa festa que não é para mim. Os católicos protestaram e a seguir deu-se uma rixa”.

“Eu avisei os interessados”, escreveu o comissário especial de Montbéliard ao diretor da Segurança geral, “que ao primeiro acontecimento deste género o autor seria imediatamente expulso do nosso território. Também fiz compreender à direção das fábricas Peugeot que seria prudente, no seu interesse e no interesse da tranquilidade dos trabalhadores, separá-los, tanto quanto possível, por religião. Conhecendo particularmente esta categoria de trabalhadores estrangeiros, não deixaria de exercer sobre eles uma vigilância muito apertada e contínua”31. Quando a divisão ameaçava o rendimento, o binómio patronato-polícia atacava prontamente, como na fábrica do Giffre [rio francês na Alta-Sabóia (NT)] em Marignier, nos finais de agosto de 1930. “Incidentes cada vez mais frequentes” implicavam operários jugoslavos, e a degenerescência “do estado de espírito e do rendimento da equipa” e o grande número de “patife[s]” preocupavam a “direção”. O comissário especial de Annemasse pediu ao prefeito da Alta-Sabóia “a retirada total dos [15] jugoslavos o [que…] garantiria mais facilmente a calma e a tranquilidade para todos, pois se uma parte destes operários ficasse, por solidariedade, eles poderiam continuar a criar novos incidentes”32. Todos estes “jugoslavos” não pertenciam, contudo, ao mesmo grupo.

De facto, nem todos estes “jugoslavos” se encontravam na mesma situação. Os sérvios ortodoxos anticlericais agradavam menos dos que os terroristas de extrema-direita, que estavam dispostos, sob a cobertura de um emprego na fábrica, a dar o seu melhor com todos os operários, jugoslavos ou franceses. Além disso, é também o ustacha que, precocemente, assegurará a contratação, com base no modelo descrito para a Bélgica por Stepan Maruzic, lugar-tenente de Ante Pavelic, organizador dos ustachas “na Bélgica, Luxemburgo e Holanda” (não em França, garantirá ele, tese pouco credível tendo em conta a carta seguinte): “assegurei às fábricas belgas o recrutamento de operários croatas” – 30 000 na Bélgica, em 1929 – e recebi “cerca de 600 francos [...] por cada trabalhador recrutado nas aldeias da Croácia”; assim, forneceu às “fábricas Ougrée Marihé (sic) [...] a pedido destas, até 2 000 operários”33.

As associações croatas fundadas nas fábricas, às vezes sob a cobertura “jugoslava”, seduziam pelo anticomunismo exibido. O “objetivo” daquela que o croata Joseph Rudar criou em Dunquerque – Hrvatski Savez, sediada em Zagreb e com filiais na Bélgica – “é, reportou o prefeito do Norte, em fevereiro de 1929, o de ter ligações de camaradagem entre sérvios, croatas e eslovenos, prestar assistência aos membros doentes ou sem trabalho, conceder, se possível, ajuda às famílias dos associados falecidos e procurar trabalho para os seus aderentes”; ele “decide excluir do seu seio qualquer membro pertencente a organizações comunistas”34. A denúncia da CGTU contra as ações dos “comprados”, que lutavam contra os trabalhadores jugoslavos na companhia dos patrões, dos padres e dos monges35 não tinha, lendo os fundamentos da polícia, nada de excessivo.

A administração francesa também conhecia e seguia, por toda a França, como aos agitados “jugoslavos”, os específicos terroristas croatas, mas, no que a estes respeita, mostrou uma bem menor vigilância. A preparação das conspirações “contra o rei”, ou o casal real, incluindo em França, onde gostava de ficar, origina a correspondência de três ministérios, desde o início da década: assim, na viragem de 1931, em que “na estadia em França do Rei e da Rainha da Jugoslávia” a Delegação “assinala[ou em dezembro ...] a presença na capital de vários indivíduos de nacionalidade estrangeira, suscetíveis de efetuar um atentado contra estes soberanos”: seguiam quatro nomes (e fichas) de militantes do Partido Comunista, um italiano e três jugoslavos, todos “conhecidos da Direção das Informações gerais”36; “dois [...] militantes comunistas” foram expulsos em janeiro 1932 e o folhetim continuou, mas os seus episódios pouparam frequentemente os verdadeiros terroristas antijugoslavos, os ustaches, numerosos e ativos.

Os três ministérios especializados também estavam bem informados sobre as suas atividades e projetos, mas a obsessão antibolchevique levava-os, muitas vezes, a qualificá-los de “revolucionários” – supremo agravo. Grandes falhas - estudadas noutros lugares – na vigilância e na prevenção dos terroristas “jugoslavos” da extrema direita facilitaram o duplo assassinato de Marselha, que ofereceu a Laval, num palco alemão, o seu regresso há muito aguardado aos Negócios Estrangeiros. No próprio dia da matança, o controle geral das Investigações administrativas da Direcção-Geral da Segurança Nacional apresentou ao Ministro do Interior um relatório sobre “vários” meses – (desde a nota do Ministério dos Negócios Estrangeiros, de 26 de abril de 1934, transmitindo a da delegação da Jugoslávia sobre “a atividade [...] de alguns emigrantes croatas”) – da vigilância que era suposto o serviço ter exercido “sobre a atividade dos elementos revolucionários, na previsão da viagem em França do Rei Alexandre I”37.

Por vezes, as autoridades do Estado evidenciaram sobre o eventual envolvimento dos comunistas no caso, o interesse que não evidenciavam sobre os seus autores e, especialmente, sobre os seus patrocinadores. “Achei conveniente alargar esta investigação a todos os indivíduos inscritos no controle dos comunistas, anarquistas – caderneta B e caderneta B especial –, para determinar se, dias antes do atentado, alguns deles se ausentaram [...]”, respondeu o prefeito de Gironde aos telegramas do Ministério do Interior, ordenando a procura dos suspeitos38. A delegação da Jugoslávia, informada, deixou os seus agentes em França fazer o mesmo e encorajou a colocar no mesmo cesto “certos indivíduos comunistas ou simpatizantes de Pavelitch”39. A orientação geral jugoslava posterior ao assassinato de Marselha acentuou ainda, se era possível, a violência, as sevícias, torturas e assassinatos, como aquele “do aluno [comunista] Gourgjevitch [...] na prisão de Kragouyvatz” (ele, “de acordo com as informações recebidas em Paris, teria ficado com a cabeça esmagada por uma cinta de ferro usada para extrair confissões, depois teria sido dependurado”)40. Paralisados no inquérito que indispôs o mentor alemão da operação de 9 de outubro (como os seus auxiliares italianos, húngaros e austríacos), os serviços continuaram a informar-se sobre os “jugoslavos” de França41. “Descobrimos todos os dias novos detalhes sobre a atividade destes terroristas” tão numerosos “na Alemanha”42.

A França pós-Barthou, em geral, inquietou-se pouco com a ação daqueles que não eram, segundo a fórmula consagrada, “revolucionários croatas”, mas ativistas da “sociedade terrorista ustache”43. Além de apresentarem a vantagem de finalizar a agonia de uma aliança em retrocesso, agora condenada à morte, eles mantinham as suas virtudes interiores clássicas. Entre o surgimento da Frente Popular e a sua agonia, a divisão operária enfraqueceu o suficiente para que o regime reacionário, italófilo e germanófilo de Stoyadinovitch temesse, tanto quanto os dirigentes franceses, os efeitos políticos da emigração em França: “um muito grande comerciante de madeira da região de Charleroi, adjudicatário de importantes cortes nas florestas estatais do norte” da França, que tinha solicitado a contratação de pessoal jugoslavo, viu-se perante o veto de Belgrado, por uma simples “razão”: “o controle que os partidos socialista e comunista não deixariam de exercer sobre os operários, desde a sua chegada à França, e as preocupações com a contaminação que resultaria para o país após o seu regresso à Jugoslávia”44.

Os dossiers posteriores à derrota operária, em novembro de 1938, confirmam a seletividade duma repressão policial que, por vezes, ia muito além da solicitação patronal. Um dossier relativo a nove “cidadãos jugoslavos” – incluindo cinco croatas e dois “muçulmanos bósnios” – seis deles operários dos Altos Fornos, Forges e metalurgias de Pompey e Rehon, comunistas e terroristas potenciais ou reais, foi transmitido pela Segurança Nacional ao prefeito de Meurthe-et-Moselle, em dezembro de 193845. O seu processamento confirma que só os vermelhos eram visados. O comissário de Longwy, Tibi, requereu ao prefeito, em janeiro de 1939, em termos detalhados “uma medida administrativa de rigor que pusesse termo à ação nefasta” de Michel Radeka. Trabalhador não especializado nas fábricas de Providence, em Rehon, “entrou França, em junho de 1929”, só militava fora da sua empresa: “Os seus patrões e o seu chefe de serviços descrevem-no como um trabalhador sóbrio, falando muito pouco, fazendo o seu trabalho conscienciosamente e não se envolvendo em qualquer atividade política na fábrica. [...] Pelo contrário, numa pesquisa efetuada em casa do seu senhorio [...] permite-nos afirmar que [ele…] pode ser considerado como um agitador e um animador de um movimento político jugoslavo de extrema esquerda. [...] Ele assiste sempre às reuniões políticas e corporativas realizadas em Rehon ou nos arredores, mas evita professar publicamente as suas ideias. Trata-se, em definitivo, de um agitador ou, pelo menos, de um fervoroso militante, muito hábil, que, ao mesmo tempo que tem atividade, evita comprometer-se. [...] é claro para mim que a presença de Radeka no nosso território não deve ser tolerada. Como cidadão estrangeiro, o interessado deveria observar a mais completa neutralidade. As suas ações, embora parecendo evoluir no âmbito dos seus compatriotas, podem criar uma alguma agitação entre estes, agitação que pode também encontrar algum eco nos meios da extrema esquerda do nosso país e causar distúrbios e manifestações. Se tais procedimentos podem ser tolerados entre os cidadãos nacionais, devem ser rigorosamente proibidos a um estrangeiro que beneficia do nosso benevolente acolhimento”46. O prefeito pediu, de facto, à Segurança Nacional para tomar “uma medida rigorosa” para “ele [...] de nome Radeka, Michel, [...] tendo em conta as informações sobre ele recolhidas”47.

O destino do dossier de Anton Glawnik, esloveno, que passou da lealdade aos Habsburgos (em 1926, em Dusseldorf) ao ativismo entre os “terroristas croatas do partido de Pavelic”, completa o quadro. Em dezembro de 1938, o chefe das RG [Renseignements Géneraux (Informações Gerais) – serviços secretos internos (NT)] juntou à lista anterior o nome deste “hitleriano” chegado a Moselle, após ter atuado na Alemanha e depois na Bélgica e com um objetivo preciso e aterrador. Não só um notório facínora, mas também um escroque, Glawnik assumiu o topo de “um verdadeiro bando de terroristas [...] cobertos pela chamada CGT jugoslava, em território francês, que a imensa maioria dos nacionais jugoslavos réprouvavam categoricamente”. Agora instalado em Amneville, tem, «após o atentado de Marselha, [...] exercido uma pressão descarada sobre os operários jugoslavos para os obrigar a inscreverem-se na “Sociedade dos operários jugoslavos ‘príncipe André’”», onde ele tinha conseguido a presidência através da intriga e da chantagem48; entre outros crimes, roubou o produto dos “dezoito mil francos” de bilhetes do sorteio de 14 de julho de 1936 da associação. “O senhor Glavnik atribuiu-se o título de Vodja, ou seja, de Führer e fazia-o preceder da sua assinatura. A sua atividade teve por resultado o de provocar conflitos entre os operários jugoslavos, muitos dos quais reprovam tal comportamento, e também entre os operários franceses, que viam nesta atitude uma verdadeira provocação aos seus sentimentos democráticos. A ação de Glawnik, que se exerce num sentido hitleriano, não pode deixar de ser utilizada nos objetivos anti-franceses das organizações de propaganda alemã, que, naturalmente, não o ignoram e fazem o possível para alargar as suas actividades nas zonas fronteiriças. Note-se, a propósito, que Glavnik fala fluentemente o alemão, língua falada na sua família. Sendo indesejável, Glavnik teria certamente meios de se livrar para um outro motivo, o que dizia respeito à sua honestidade”. Tinha suscitado uma quase unanimidade hostil, fazendo “cai[r] o número de membros [...] de 5 000 para 210 [...] Os trabalhadores jugoslavos respeitam rigorosamente a hospitalidade francesa, e conscientes do seu dever, reclamam da autoridade francesa, a depuração deste bando”, com Glawnik à cabeça49.

Sem vontade de apanhar o hitleriano, procedimento que teria irritado Berlim, faltou talvez perseguir este bandido, que apreciava o comissário da divisão da polícia especial de Metz. Este rejeitou as “acusações contra Glawnik (sic) [...] demasiado violentas, se não mesmo grotescas”; transformou-o num “fervoroso patriota jugoslavo”, que, além disso, recebia do “Consulado [jugoslavo ...] uma subvenção anual de 2 000 francos”; admitiu o seu pró-nazismo, considerando-o anódino («Bastante enérgico e inteligente, Glawnik passou, até agora, por ter uma certa autoridade sobre os seus compatriotas, e daí, sem dúvida, o epíteto de “hitleriano”»); e afirmou que toda esta confusão se reduzia a “desentendimentos internos em relação aos cidadãos jugoslavos, nos quais não vejo a oportunidade de qualquer intervenção. [...] Além disso, parece que a expressão Ustache é usada por ambos os lados, sem a compreensão do seu significado; em todo o caso, não contamos na colónia jugoslava no nosso território com qualquer elemento turbulento”. O indivíduo era, de facto, precioso: “no seio do agrupamento Príncipe André, qualquer questão política é excluída, mesmo sindical. Por outro lado, Glawnik sempre foi um resoluto adversário das doutrinas moscovitas e sindicalistas extremistas. Sempre manifestou sentimentos francófilos e nunca se ocupou das nossas questões políticas”50.

Ignoro o que aconteceu com o terrorista esloveno. Mas o período seguinte confirmou, com as proteções concedidas apenas aos estrangeiros representantes do inimigo externo, o impossível resgate dos estrangeiros antifascistas e antinazis, um fiel reflexo do primado do inimigo interno. As fontes originais são mais ferozes do que Gérard Noiriel sobre “as origens republicanas de Vichy”.

 

1 SCHOR R., L’antisémitisme en France pendant les années trente [O antissemitismo em França durante os anos trinta], Bruxelas, Complexe, 1992, e Histoire de l’immigration en France de la fin du XIXème siècle à nos jours [História da Imigração em França do fim do século XIX até aos nossos dias], Paris, Armand Colin, 1996.

2 NOIRIEL G., Les origines républicaines de Vichy [As origens republicanas de Vichy], Paris, Hachette, 1999, títulos respetivos dos cap. II e III (e Le creuset français. Histoire de l'immigration aux XIXè et XXè siècles [O cadinho francês. História da Imigração nos séculos XIX e XX], Paris, Le Seuil, 1988).  

3 France and the origins of the Second World War [França e as origens da Segunda Guerra Mundial], New York, Saint Martin’s Press, 1996, p. 88 (e capítulo 4, “Consensus et division: politics and ideology [Consenso e divisão: políticas e ideologia”, pp. 79-97.

4 Sobre estes senhores da França, que fizeram amadurecer Vichy, LACROIX-RIZ A., Le Choix de la défaite: les élites françaises dans les années [A escolha da derrota: as elites francesas nos anos 1930], Paris, Armand Colin, 2006, índice (sobre Peyerimhoff, sobretudo).  

5 SCHOR R., Histoire de l’immigration, pp. 54-56; e sub-dossiê SGI (arquivos das RG [Renseignements géneraux, unidade da polícia nacional francesa 1945-2008]), BA 2000. Sociedades franco-polacas de imigração, colonização, arquivos da prefeitura de polícia (APP).

6 Le Choix, cap. 3-4 e 6.

7 SCHOR R., Histoire de l’immigration, p. 70.

8 Povoa os dossiês das ligas. Ver também BA 2000, Peyerimhoff, dossiê muito depurado mas precioso sobre 1892-1937, APP.

9 Dossiês sobre as manifestações dos anos 1930, BA 2186, Polónia, Embaixada e Consulado, APP.  

10 Nota Canet, 18 de junho de 1930, Papéis de agentes, arquivos privados, Canet, vol. 34, política internacional da Santa-Sé, 1920-1938, arquivos do ministério dos Negócios estrangeiros (MAE).

11 Como o observa Léon Noël, despacho n° 619, 16 de dezembro de 1936, Europa Polónia 1918-1940, vol. 328, Polónia, questões religiosas, relações com a Santa-Sé, 20 de fevereiro de 1930-20 de julho 1937, MAE.

12 Ibid. et Boletin do comité, Europa Polónia 1918-1940, vol. 328.

13 Bulletin, Varsóvia, 19 de dezembro de 1936, Polónia 1918-1940, vol. 328. Precisão das alusões, LACROIX-RIZ A., Le Vatican, l'Europe et le Reich de la Première Guerre mondiale à la Guerre froide [O Vaticano, a Europa e o Reich da Primeira Guerra mundial à Guerra fria] (1914-1955), Paris, Armand Colin, 1996, p. 364-367 (citação e fontes) e índice, Baudrillart e Hlond.  

14 Ibid., passim.

15 Memorando do Quai d'Orsay, Paris, 31 de agosto, de Pacelli, 12 de novembro, e despacho n° 367 de Charles-Roux, Roma, 16 de novembro de 1937, Europe Polónia 1918-1940, vol. 329, questões religiosas, setembro de 1937-dezembro de 1939, MAE.

16 Despacho de Peyrefitte n° 103, 22 de abril 1955, Polónia 1944-1960, vol. 140, 1 de abril-31 outubro de 1955, relações com a Santa-Sé, questão judaica, MAE. Complemento deste descritivo, Le Vatican, p. 470.  

17 Le Choix, passim.

18 Carta 194 de Dard, Ministro da França em Belgrado, a Briand, 31 de agosto de 1929, transmitida por lista de envio 678 do MAE ao MI, 12 de setembro, F7, vol. 14753, Jugoslávia, 1926-1940, Arquivos nationais (AN).

19 Ver sobretudo F7, vol. 14753, fonte excecional com 14754, atentado de Marselha, e 14755, diversos entre os quais comunistas jugoslavos, ustaches (nos quais um dossiê Ante Pavelitch 1935-abril 1940), AN; Jugoslávia, 1918-1940, vol. 132 à 138, assassinato de Alexandre I e de Barthou, 9 outobro-6 novembro de 1934; vol. 182-183, politica externa, consequências políticas do atentado de Marselha, outubro de 1934 ; SDN, informações Marcel Hoden, informadores 1936-1940, vol. 2276, MAE.

20 Nota Loiseau, 3 de janeiro de 1931, Europa Jugoslávia 1918-1940, vol. 170, relações com a Santa-Sé, concordata, janeiro de 1930-maio de 1933, MAE, e Le Vatican, p. 111-112 e passim.

21 Pio XI, visando la Jugoslávia e a Checoslováquia, Le Vatican, p. 317, e passim.  

22 Nota 2757 do Segundo Departamento do Estado-maior do exército, 25 de outubro de 1931, “A Jugoslávia e o Comunismo”, F7, vol. 14753, AN.

23 Relatório 9222 do comissário especial (CS) de Annemasse ao diretor da Segurança geral (DSG), 10 de dezembro de 1929, transmitido pelo MI ao MAE em 17 de dezembro de 1929, F7, vol. 14753, AN. Delírios de Petit, LACROIX-RIZ A., Le Choix, index.

24 MP3, A-80, Paris, 4 de janeiro de 1931, mas nota classificada em 1932 (sem dúvida justamente), F7, vol. 14753.

25 Nota do Ministério do Interior, Segurança geral (jugoslava), da legação real da Jugoslávia, 30 de dezembro de 1930, F7, vol. 14753.

26 Carta confidencial 5703 do MI ao MG, Paris, 11 de junho de 1929, F7, vol. 14753, AN.

27 Qualificação de uma das provocações antioperárias do Estado austríaco, tendo-se verificado os mais notórios em julho de 1927 e fevereiro de 1934, cf. Le Vatican, l'Europe et le Reich, p. 146 e 302.  

28 Carta 2662 do MI ao PP, 16 de março de 1929, F7, vol. 14753, AN.

29 Proibição na Tunísia do Plamen, Paris, 33 rua de la Grange aux Belles (sede da CGTU), Informação 147 do Segundo Departamento, S.C.R-2/II, 13 de janeiro de 1931, F7, vol. 14753, AN.

30 SCR-2/II n° 5292, 3 de agosto de 1933, com os nomes dos «seus [4] principais redatores», F7, vol. 14753, AN.

31 Carta 1494 do CS de Montbéliard ao DSG, 27 de dezembro de 1929, F7 14753, AN.  

32 Carta 6923 do CS ao prefeito (em Annecy), 28 agosto de 1930, com fichas dos 15 jugoslavos da fábrica, F7 14753, AN.

33 PV (processo verbal) do interrogatório do comissário da polícia móvel, Corby, 7 de maio de 1937, dossier “Informações sobre os comportamentos de elementos jugoslavos nas regiões Este da França, dezembro de 1938(sic)-abril de 1939, sob o dossier Stepan Maruzic, maio-agosto de 1937”, F7, vol. 14755, AN.

34 Carta do prefeito do Norte ao MI, Lille, 18 de fevereiro de 1929, F7, vol. 14753, AN.

35 Material de propaganda de junho de 1930, F7, vol. 14753, AN.  

36 BJ/4, P.P., 21 de dezembro de 1931, transmitido pela carta 10465 do MI no MAE do 22, F7 14753, AN – e todo o volume e outros fundos aqui citados.

37 P. 11348, Paris, 9 de outubro de 1934, F7, vol. 14754, AN.

38 Carta do prefeito de Gironde ao Ministério do Intérior, Bordeaux, 11 de outubro de 1934, F7 14754, AN.

39 A delegação dirigiu ao Auditor geral Mondanel cartas deste tipo: “Os operários pedem à delegação real para intervir junto das autoridades francesas, caso contrário farão eles mesmos justiça. Peço-vos, pois, que refiram estas questões às vossas autoridades e tomem as medidas necessárias. Este caso repete-se e de todos os lados recebemos de novo cartas de operários que se queixam de certos indivíduos comunistas ou simpatizantes de Pavelitch, e dos quais já vos falei. Repito o meu pedido para que deem ordens, o mais depressa possível, às vossas autoridades em França, para que ponham fim a estas ações e defendam os operários de uma postura antijugoslava”, Paris, 23 de outubro de 1934, F7 14754, AN.  

40 Ficha de 18 de agosto sobre “o comité internacional para a amnistia dos presos políticos na Jugoslávia”, dossier de agosto de 1937 sobre este “comité antifascista para os presos políticos da Jugoslávia torturados e assassinados”, F7 14753, AN.

41 LACROIX-RIZ A., Le choix de la défaite [A escolha da derrota (NT)], p. 147, 207-209, 222-224, e todos os fundos citados, muito precisos sobre os ustaches.

42 “Séjour en Allemagne des terroristes croates [Estadia na Alemanha dos terroristas croatas]”, A.V. 5 P. 12026, Paris, 26 de outubro octobre, transmitido pela carta 12416/3 do MI ao MAE, 7 de novembro de 1934, F7 14753 (F7 14754), e todos os fundos F7 e MAE citados, formais.

43 Respetivas citações, despachos 255 e 260 de F. Sarrien, consul geral da France em Liège e Verviers a Paul Claudel, embaixador em Bruxelas, 13 de outubro de 1934, F7 14754, AN.

44 Despacho 2 do consul de França em Charleroi, R. Deflin (transmitido pelo MAE ao MI), em 26 de janeiro de 1938, F7 14753, AN.

45 Carta do prefeito ao MI (DSN), Nancy, 17 de janeiro de 1939, resposta à carta D.Be 42347 do MI, 27 de dezembro de 1938, e nota junto do CS de Nancy, Chombart, ao prefeito, 11 de janeiro de 1939, (dois deles “seriam particularmente suspeitos do ponto de vista da lealdade nacional jugoslava e teriam militado contra o seu governo em Amnéville [Moselle] ou em Aubervilliers”), F7 14753, AN.  

46 Cartas do CS ao prefeito, Longwy, 7 de janeiro de 1939, F7 14753, AN.

47 Carta do prefeito ao MI, Nancy, 17 de janeiro de 1939, F7 14753, AN.

48 “Declara-lhes que é a única maneira deles terem a proteção da polícia francesa e que, se eles não entrarem nas fileiras da sua sociedade, fará com que sejam reprimidos”.  

49 Ficha de Cazaux, CS das RG, junta à carta 4846 do chefe das RG ao DGSN, Paris, 8 de dezembro de 1938, F7 14753, AN.

50 Carta do CDPS ao prefeito de Moselle, Metz, 13 de fevereiro de 1939, F7 14753, AN.  

 

Publicado em: http://www.historiographie.info/Actes%20P7%20Bons%20et%20mauvais%20étrangers%20vus%20de%20l’intéri

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