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Thierry Deronne

Com 22 escrutínios em 18 anos de processo bolivariano, a Venezuela continua, pois, a bater todos os recordes no número de eleições e, mesmo se os setores radicais da direita gritam que há fraude quando os resultados não os favorecem, eles próprios conseguiram vários bons resultados, como nas legislativas de 2015.

 

No domingo, 15 de outubro, mais de 18 milhões de venezuelanos foram chamados a eleger os 23 governadores de 23 estados, entre 226 candidatos de direita ou bolivarianos (= chavistas) – exceto Caracas que não é um estado. Para estas eleições o Centro Nacional Eleitoral instalou em todo o país 13 559 assembleias de voto e 30 274 mesas eleitorais. A taxa de participação foi de 61,4%, muito alta para eleições regionais.

 

Os bolivarianos alcançaram uma larga vitória com 17 estados contra 5 da oposição. Esta ganha, designadamente, os estados estratégicos de Mérida, Táchira, Zulia, próximos da Colômbia, focos de violência paramilitar. Os bolivarianos recuperaram três estados historicamente governados pela direita: os estados de Amazonas, de Lara e – vitória altamente simbólica – o do jovem candidato chavista Hector Rodriguez, no estado de Miranda, que durante muito tempo foi governado pelo milionário e ex-candidato à presidência , Henrique Capriles Radonsky.

 

Resultados quase definitivos – primeiro boletim do Centro Nacional Eleitoral, 15 de outubro de 2017. 17 Estados conquistados pelos bolivarianos, 5 Estados pela direita

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Para compreender melhor a vitalidade do chavismo, basta comparar duas imagens. Em cima: uma direita machista, branca, ligada às empresas privadas, promovida por Donald Trump, a União Europeia, Emmanuel Macron, Mariano Rajoy, Ângela Merkel e os grandes média internacionais, para “restabelecer a democracia”. Em baixo: os setores populares, uma população mestiça, maioritária, mas ignorada deliberadamente pelos média – fazem a festa em Petare, um dos maiores “barrios” da América Latina, depois da vitória do candidato bolivariano Hector Rodriguez[1].

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 O candidato bolivariano Hector Rodriguez ganhou a sua aposta de reconquistar
o estado de Miranda à direita
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Estas foram as 22.ªs eleições depois de o chavismo ter chegado ao poder e as segundas do ano (podem ainda juntar-se várias consultas – organizadas internamente e fora do quadro legal – pelos partidos de direita em 2017). A esta eleição dos governadores seguir-se-ão a dos presidentes de câmara e, depois, em 2018, as eleições presidenciais.

 

Estes resultados que dão ao chavismo 54% dos votos nacionais contra 45% da direita são ainda mais importantes na medida em que estas eleições se realizaram num contexto difícil. Ainda há dois meses e meio, uma insurreição armada dirigida pela extrema direita pretendia derrubar o governo eleito, com um balanço de cerca de 200 mortos[2]. Esta desestabilização terminou em 30 de julho, quando a população, até então afastada desta violência, se mobilizou para eleger uma Assembleia Constituinte. Derrotada, a direita dividiu-se, então, num setor radical, que mantém o objetivo de chegar ao poder sem passar pelas urnas e um setor que aceita a via eleitoral. Para tentar inclinar o resultado a seu favor, a direita, o setor privado (80% da economia) e os Estados Unidos colocaram toda a pressão na guerra económica, com a subida vertiginosa dos preços de certos produtos básicos para aumentar o descontentamento popular. Como de costume, sequiosa de alimentar a narrativa internacional, a direita contestou os resultados, invocando uma “fraude”. O presidente Maduro respondeu ordenando uma recontagem de 100% dos votos.

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 Os especialistas do Colégio de Peritos Eleitorais da América Latina (CEELA)
acompanharam todo o processo eleitoral.

 

Entre os observadores internacionais, dos quais 50 eram peritos eleitorais, o colombiano Guillermo Reyes, porta-voz do respeitado Colégio de Peritos Eleitorais da América Latina (formado por ex-presidentes dos centros nacionais eleitorais de numerosos países) sublinhou que o sistema eletrónico da Venezuela é o mais moderno do continente e que, vários dias antes das eleições, todos os partidos da direita e da esquerda participaram nos ensaios técnicos do voto, assinando um relatório atestando a sua fiabilidade. Já em 2012, o sistema eleitoral automatizado da Venezuela tinha sido qualificado pelo Centro Carter “como o melhor do mundo[3].

 

Com 22 escrutínios em 18 anos de processo bolivariano, a Venezuela continua, pois, a bater todos os recordes no número de eleições e, mesmo se os setores radicais da direita gritam que há fraude quando os resultados não os favorecem, eles próprios conseguiram vários bons resultados, como nas legislativas de 2015.

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 Imagens da campanha e da eleição regional de 15 de outubro de 2017

 

Ao contrário do que os média querem fazer crer ao mundo inteiro, a direita venezuelana tem ao seu dispor todos os meios para se exprimir. A maioria dos órgãos de comunicação social, privados, e as redes sociais (incluindo os bots…) é-lhe largamente favorável nos planos local, regional, nacional e internacional[4]. Compreende-se o silêncio dos média internacionais sobre estas eleições que contradizem, uma vez mais, a maior fake new [notícia falsa] da história contemporânea: “a ditadura na Venezuela”. As urnas recordam aos “jornalistas” que não podem subestimar a existência da consciência do povo venezuelano.

 

Thierry Deronne, Caracas, 15 de outubro de 2017

 

Fonte: publicado em https://www.initiative-communiste.fr/articles/international/elections-regionales-venezuela-large-victoire-chavisme-nouvelle-defaite-de-droite-medias/

 

 

Tradução do castelhano de TAM

 

[1] Ler “On n’a encore rien dit du Venezuela”, https://venezuelainfos.wordpress.com/2017/09/25/on-na-encore-rien-dit-du-venezuela-le-journal-de-linsoumission/.

[2] Para um gráfico e um quadro preciso e completo das vítimas, dos setores sociais, dos responsáveis e das pessoas condenadas, ver: https://venezuelanalysis.com/analysis/13081 ; Sobre os assassinatos racistas da direita: Sous les Tropiques, les apprentis de l’Etat Islamique – 27 de julho de 2017 ; Le Venezuela est attaqué parce que pour lui aussi “la vie des Noirs compte” (Truth Out) – 24 de julho de 2017.

[3] «“Former US President Carter: Venezuelan Electoral System “Best in the World”», https://venezuelanalysis.com/news/7272.

[4] Na Venezuela, a maioria dos média, como a economia em geral, são privados e opõem-se às políticas sociais do governo bolivariano. Ver: Mensonges médiatiques contre France insoumise, partie I : « Maduro a fermé 49 médias ». – 4 de setembro de 2017. Sobre este tema também se pode ler: Thomas Cluzel ou l’interdiction d’informer sur France Culture, http://wp.me/p2ahp2-1M7.

 

 

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