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A Coreia do Norte tem oferecido repetidamente a suspensão do seu desenvolvimento de armas nucleares em troca de um congelamento dos exercícios conjuntos de guerra dos EUA-Coreia do Sul. Está na hora de os EUA e a Coreia do Sul responderem a esta oferta, como um ponto de partida para negociações definitivas, visando uma península coreana pacífica, soberana, livre de armas nucleares e de conflitos de competição entre potências globais, que tão prejudiciais têm sido para a região.

 

 

A Delegação de Solidariedade e Paz, ao concluir a sua visita, de 23 a 28 de julho, à Coreia do Sul, apela à ação imediata dos EUA-Coreia do Sul para desacelerar as crescentes tensões militares na península coreana. A delegação foi composta por Medea Benjamin, da CODEPINK, Reece Chenault, do Trabalho nos EUA Contra a Guerra, Will Griffin, de Veteranos pela Paz e o recente candidato presidencial do Partido Verde, Jill Stein. Foi patrocinada por Channing and Popai Liem Education Foundation e Task Force to Stop THAAD in Korea and Militarism in Asia and the Pacific (STIK).

 

A delegação emitiu a seguinte declaração:

 

A Península Coreana está a aproximar-se rapidamente do ponto de ebulição. No último dia da nossa visita, 28 de julho, a Coreia do Norte realizou um teste de mísseis e os governos dos EUA-Coreia do Sul lançaram uma outra série de mísseis de aviso. O presidente da Coreia do Sul, Moon, anunciou que permitiria aos Estados Unidos implantar quatro lançadores adicionais para completar o controverso sistema unitário de antimísseis THAAD, invertendo a sua anterior posição. À luz destas escaladas e da probabilidade de medidas mais agressivas, são necessárias ações urgentes para diminuir a tensão.

 

A Coreia do Norte tem oferecido repetidamente a suspensão do seu desenvolvimento de armas nucleares em troca de um congelamento dos exercícios conjuntos de guerra dos EUA-Coreia do Sul. Está na hora de os EUA e a Coreia do Sul responderem a esta oferta, como um ponto de partida para negociações definitivas visando uma península coreana pacífica, soberana, livre de armas nucleares e de conflitos de competição entre potências globais, que tão prejudiciais têm sido para a região.

 

A Coreia do Norte e do Sul têm vivido, desde há décadas, numa perpétua mobilização para a guerra, com a presença, no Sul, de 83 bases e quase 30 mil soldados dos EUA. Têm sido feitas provocações, com frequência cada vez maior, quer pelos Estados Unidos, quer pela Coreia do Norte. Cada vez que a Coreia do Norte realiza um teste nuclear ou de mísseis adicional aumenta a potencial gravidade das hostilidades e mais difícil se torna desarmar as tensões e evitar o surgimento de conflitos na Península.

 

Dada a proximidade da Coreia do Norte com Seul, uma área metropolitana de 25 milhões de pessoas, qualquer surto de hostilidades seria devastador. Num ataque norte-coreano com armas convencionais, estima-se que 64 mil sul-coreanos seriam mortos, só no primeiro dia. Mesmo um mútuo e limitado uso de armas nucleares arrisca-se a causar um "inverno nuclear", uma rutura do clima devido à redução da luz solar originada pela poeira e detritos no ar. Isto, por sua vez, poderia reduzir drasticamente a produção agrícola global, levando a uma fome mundial e a centenas de milhões de mortes.

 

Como Seul será apanhado no fogo cruzado de qualquer hostilidade, é essencial que o conflito seja tratado pela diplomacia. Quanto mais cedo se iniciar a ação diplomática, tanto mais provável será o seu sucesso.

 

Assim, apelamos a uma ação diplomática imediata para reduzir as ameaças que empurram a Coreia do Norte para o desenvolvimento de armas nucleares. A principal dessas ameaças é os exercícios de guerra conjuntos entre os EUA-Coreia do Sul contra a Coreia do Norte, que incluem o lançamento simulado de bombas nucleares sobre a Coreia do Norte. Além disso, desde há muito que os Estados Unidos têm defendido uma política de "primeiro ataque nuclear" contra a Coreia do Norte. Esta assustadora ameaça de um ataque nuclear preventivo dos EUA dá à Coreia do Norte uma boa razão para querer um arsenal nuclear, como o único meio para dissuadir tal ataque.

 

Felizmente, as tensões podem ser neutralizadas através de ações diplomáticas e estratégicas, há muito tempo esperadas. Especificamente, a Delegação da Paz apela às seguintes ações:

 

  • Pôr um fim à posição antiética e hiperagressiva adotada pelos EUA de lançar o primeiro ataque nuclear à Coreia do Norte.
  • Declarar uma moratória imediata nos jogos de guerra dos EUA-Coreia do Sul, incluindo o lançamento simulado de bombas nucleares sobre a Coreia do Norte. Este seria um primeiro passo com vista a um acordo formal que poria fim aos jogos de guerra dos EUA-Coreia do Sul, em troca da Coreia do Norte congelar o seu programa nuclear e de armamento. O governo dos EUA devia responder à oferta de longa data da Coreia do Norte, convidando-a a iniciar negociações sérias para um tal acordo, agora.
  • Retirar o THAAD, o mal denominado sistema de "defesa" de mísseis, recentemente instalado pelos EUA em Seongju, Coreia do Sul, apesar dos vigorosos e contínuos protestos dos residentes locais. Na verdade, o THAAD não é capaz de uma defesa contra mísseis nas reais condições do mundo, com múltiplos mísseis e engodos. É geralmente considerado que o seu poderoso sistema de radar foi implantado com o propósito de espiar a China, provocando perigosas tensões na região.
  • Começar a negociar um tratado de paz para, finalmente, encerrar a Guerra da Coreia. A Guerra da Coreia, em que morreu quase 20% da população da Coreia do Norte, nunca foi oficialmente encerrada com um tratado de paz.
  • O governo sul-coreano deve levantar as proibições de viagem a ativistas da paz, como a proibição que impediu o nosso líder de viagem coreano-americano, Juyeon Rhee, de acompanhar a nossa digressão.

Os delegados também apelaram à criação de mais delegações de paz, para que o movimento da paz dos EUA possa construir uma solidariedade mais forte com os seus homólogos do Sul e conhecer, em primeira mão, as consequências negativas das bases militares dos EUA no solo coreano.

 

Nas próximas semanas, a coligação ajudará a lançar uma campanha para mobilizar a pressão dos cidadãos no sentido de uma resolução pacífica do volátil conflito na península coreana.

 

Membros da Delegação da Paz:

Jill Stein, candidato presidencial de 2016 do Partido Verde

Reece Chenault, US Labour Against War [Trabalhadores dos EUA contra a guerra]

Medea Benjamin, CODEPINK

Will Griffin, Veteranos pela Paz

 

Fonte: publicado em 2017/08/04, em http://www.zoominkorea.org/as-tensions-explode-on-korean-peninsula-us-peace-delegation-calls-for-immediate-response-to-north-koreas-offer-to-freeze-its-nuclear-program/

 

Tradução do inglês de MEL

 

 

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