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Quim Boix *

Os senhores, os pró-capitalistas, preferem que haja milhões de desempregados para, assim, poderem reduzir os salários, com base na falsa lei do mercado, que só aplicam aos que não são proprietários dos meios de produção. Pelo contrário, aos proprietários dos meios de produção, os senhores concedem-lhes todas as vantagens e subsídios (paraísos fiscais e outras corrupções incluídos). Compreende-se que assim seja, porque são os senhores os gestores do capitalismo, os proprietários das multinacionais (neste plenário há muitos representantes delas), os que se apropriam dos benefícios dessa exploração, bem analisada pelos marxistas.

 

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Recebam uma saudação dos pensionistas e reformados de todo o planeta.

Falo-lhes em nome da única organização mundial que os organiza.

Unem-nos as mesmas justas reivindicações, entendidas a partir de uma perspetiva de classe, quer dizer, a partir da realidade do confronto de classes sociais geradas pelo capitalismo.

Sabemos que o auditório, nos Plenários anuais da Organização Internacional do Trabalho (OIT), é, enquanto não o mudarmos, maioritariamente defensor do capitalismo como sistema. Mas este sistema vai de crise em crise (que são estruturais e sistémicas, isto é, inevitáveis) até à sua crise final.

Nós somos partidários do socialismo, que será o futuro em todos os países do planeta, ainda que os pró-capitalistas tentem retardar essa mudança. A experiência dos antigos países socialistas tornou possível aprender com os erros cometidos e, por essa razão, o segundo estágio de desenvolvimento do socialismo será o definitivo.

Enquanto não recuperamos as vantagens do socialismo para a maioria dos seres humanos, continuaremos a organizar-nos dentro do capitalismo.

Hoje, posso anunciar-lhes que realizaremos o nosso Segundo Congresso Mundial de organizações classistas de pensionistas e reformados no início do próximo ano, num país da América Latina. Nesta zona do planeta existem grandes organizações, com milhões de filiados, que defendem os pensionistas a partir de posições de classe. Na América, na África e na Ásia, a primeira reivindicação é o direito de todas as pessoas receberem uma pensão digna.

Já temos pensionistas organizados nos 5 continentes, e já demonstrámos a nossa capacidade de lutar em defesa das nossas justas reivindicações, com diversas ações mundialmente coordenadas.

Continuaremos a apoiar os pensionistas e reformados nas lutas, em todos os países, de modo que, no final, todas as legislações reconheçam que as pessoas com mais de 60 anos devem receber uma pensão pública (somos contra as pensões privadas, que só apoiam e beneficiam a banca e os sindicatos amarelos); pensão que garanta uma vida digna, ou seja, água potável numa casa habitável, com alimentos suficientes e saudáveis, saúde pública e gratuita, cultura e transportes suburbanos.

E isto, independentemente dos descontos efetuados pelo pensionista durante o período da vida ativa como trabalhador. Se não descontou foi responsabilidade dos senhores, dos que dirigem o capitalismo, que não lhe deram o almejado emprego. Os senhores, os pró-capitalistas, preferem que haja milhões de desempregados para, assim, poderem reduzir os salários, com base na falsa lei do mercado, que só aplicam aos que não são proprietários dos meios de produção.

Pelo contrário, aos proprietários dos meios de produção, os senhores concedem-lhes todas as vantagens e subsídios (paraísos fiscais e outras corrupções incluídos). Compreende-se que assim seja, porque são os senhores os gestores do capitalismo, os proprietários das multinacionais (neste plenário há muitos representantes delas), os que se apropriam dos benefícios dessa exploração, bem analisada pelos marxistas.

Mas, pouco a pouco, a maioria da população deixará de votar em partidos políticos que prometem uma coisa e fazem o contrário. A mentira é a base da falsa democracia burguesa, e ainda que tenham passado décadas a enganar os eleitores, isso vai acabar.

Sabemos que há riqueza suficiente no planeta para garantir que as pensões sejam pagas pelos Orçamentos dos Estados. Bastará que deixem de destinar os 2% do Produto Interno Bruto dos Estados capitalistas para a guerra (como ordenou a genocida NATO) e os destinem a proporcionar uma vida digna para todas as pessoas no planeta.

As e os pensionistas estão próximos de ser 30% dos eleitores e, a partir das nossas organizações de classe, vamos lutar para que nenhum voto vá para partidos políticos que defendem o capitalismo.

Vamos, como sindicalistas de classe, transmitir às novas gerações as nossas importantes experiências de luta contra os empresários exploradores. Nessas experiências estão as conquistas da classe operária, nas décadas passadas e graças à FSM, que representaram grandes melhorias: férias, direitos laborais, segurança no trabalho, saúde e ensino públicos, assim como as pensões.

Além disso, temos mais de 100 anos de experiências de bom funcionamento dos direitos laborais nos países que tentaram construir o socialismo. Hoje, os seus habitantes lamentam ter perdido os direitos individuais de que desfrutaram durante decénios e dos quais, seguramente, voltarão a desfrutar no futuro, quando, com a luta de massas, acabarmos com a exploração do homem pelo homem.

Saibam que os pensionistas e reformados vão lutar, ao lado da classe operária, pelos seus justos direitos, até ao último dia das suas vidas.

Viva a classe operária!

Viva a  Federação Sindical Mundial!

Viva o socialismo!

Vida longa e digna para os pensionistas e reformados!

Genebra, 4 de junho de 2018

 

* Quim Boix: Secretário-geral da União Internacional de Sindicatos (UIS) de Pensionistas e Reformados, da Federação Sindical Mundial (FSM)

 

Fonte: publicado em 2018/06/07, em http://www.wftucentral.org/107a-cit-discurso-del-c-quim-boix-secretario-general-de-la-uis-pyj-de-la-fsm-ante-la-plenaria/?lang=es, acedido em 2018/06/28.

 

Tradução do castelhano de PAT

 

 

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