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Partido Comunista da Argentina (PCA)

04 fevereiro 2019

A mobilização convergiu com a agitação que – pela quarta sexta-feira consecutiva –, ocorreu nas principais cidades do país e que desta vez coincidiu com uma semana em que os cortes de energia elétrica afetaram centenas de milhares de pessoas na área de Amba e com o dia em que entrou em vigor um novo aumento nesse serviço.

 

 

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Continua o tarifazo [1] e os cortes de energia elétrica. Também a mobilização, que é preciso aprofundar. Rodríguez Larreta teve que recuar no encerramento dos cursos noturnos dos liceus.

Uma delegação do Partido Comunista, o MTL [2] e a Conat [3] participaram, na sexta-feira, na marcha realizada na cidade de Buenos Aires, para protestar contra o ajuste e o tarifazo, convocada por um conjunto de diferentes movimentos sociais.

A mobilização convergiu com a agitação que – pela quarta sexta-feira consecutiva –, ocorreu nas principais cidades do país e que desta vez coincidiu com uma semana em que os cortes de energia elétrica afetaram centenas de milhares de pessoas na área de Amba e com o dia em que entrou em vigor um novo aumento nesse serviço.

Recorde-se que a Secretaria de Energia autorizou, para 2019, um aumento de 55%, em média, na conta da luz e de 35% no fatura do gás.

Assim, este mês, concretiza-se um aumento de 26%, que precede o de 14% previsto para março e o de quatro de abril, enquanto uma percentagem idêntica é o que esperam aplicar em agosto.

Desta forma, de acordo com um relatório do Centro de Projetos Económicos, os trabalhadores que recebem um salário equivalente ao salário mínimo de vida devem usar mais de um terço do mesmo para pagar as tarifas.

Os dados neste relatório são contundentes: no caso de residentes na área de Amba, o que gastam em tarifas foi catapultado de 3,18% do salário, em 2015, para 15,23%, em 2018.

Mas o tarifazo também golpeia a indústria, acima de tudo, o setor de pequenas e médias empresas, algo que afeta drasticamente os custos de produção e coloca o emprego abaixo da linha de água.

Um caso emblemático é o da indústria têxtil, que está entre os mais castigados pela política económica implementada desde dezembro de 2015, ano em que – para os ramos de fiação e tecidos – o custo da energia representava 7% do total da estrutura de custos, mas agora chega a quase 25%. E na fabricação de fios sintéticos a coisa ainda é pior, já que ascende a 42% dos custos fixos.

Apesar disso, em 2018, o número de pessoas afetadas por cortes de luz aumentou em sessenta por cento. Isto é revelado por um relatório do Centro de Estudos para a Promoção da Igualdade e Solidariedade, que indica que 3.570.854 utentes na área de Amba sofreram, pelo menos, um corte.

 

Uma boa

 

Outro setor onde o tarifazo continua a fazer estragos é no das pessoas que se veem obrigadas a arrendar um lugar para viver.

Um recente relatório do Agrupamento de Inquilinos dá conta de que quarenta por cento dos inquilinos se veem em apuros para pagar o arrendamento e as despesas, que, somadas às contas do gás, luz e água, são um peso insuportável que aumenta todos os meses.

De acordo com a pesquisa, em dezembro de 2018 e janeiro de 2019, 37,01% aceitaram ter dificuldades em pagar o arrendamento e as despesas; deste modo, um terço dos arrendatários vê-se obrigado a rescindir o contrato antes dos dois anos contratados.

Por tudo isso, a ninguém pode surpreender que a agitação cresça a cada nova convocatória.

Mas, na sexta-feira passada, além do protesto, houve algo para comemorar. É que, em consequência da luta realizada por estudantes e professores, o Chefe de Governo Horacio Rodríguez Larreta e a sua Ministra da Educação, Soledad Acuña, tiveram que recuar na sua tentativa de fechar as escolas noturnas.

Recorde-se que, através da Resolução 4055/18, assinada em dezembro, se ordenava o encerramento das 14 escolas noturnas com orientação comercial existentes na cidade que tem cerca de quatrocentas mil pessoas, que, por diferentes motivos, não puderam concluir os estudos secundários.

Esta vitória também deixa claro que o governo pode ser derrotado, mas, para isso, é preciso avançar – e rapidamente – em unidade e ação. E, acima de tudo, conquistar as ruas com a mobilização e um plano de luta.

 

Notas

[1] tarifazo: conjunto de medidas tomadas pela presidência de Maurício Macri para aumentar as tarifas dos serviços públicos, do setor energético e do transporte público. https://es.wikipedia.org/wiki/Tarifazo_de_Argentina_de_2016. – NT

[2] MTL: acrónimo de Movimento Territorial de Libertaçãomovimento social e político de trabalhadores, empregados e desempregados, que nasceu em 2001. Tem representação em mais de dezassete províncias da Argentina e é parte do Conselho nacional da Central de Trabalhadores da Argentina (CTA) e de Conselhos regionais e locais de todo o país. https://es.wikipedia.org/wiki/Movimiento_Territorial_de_Liberaci%C3%B3n. – NT

[3] Conat: acrónimo de Corrente Nacional Agustín Tosco. – NT

 

Fonte: http://www.nuestrapropuesta.org.ar/index.php/politica/945-el-ruidazo-se-hace-oir, publicado em 2019/02/04, acedido em 2019/02/06.

 

Tradução do castelhano de PAT

 

 

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