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Giorgos Marinos – membro da Comissão Política do Comité Central do Partido Comunista da Grécia (KKE)

O chamado Socialismo do século XXI é um equívoco, questiona o papel principal e revolucionário da classe operária, que defende a continuação do estado burguês – que deve ser esmagado – e a perpetuação do poder capitalista e da propriedade.

O socialismo-comunismo nada tem a ver com as empresas capitalistas, o mercado, o critério do lucro e a exploração do homem pelo homem que os comunistas lutam para abolir.

O planeamento científico central dos meios de produção socializados é a base da superioridade do novo sistema e tem potencial para desenvolver ainda mais as forças produtivas.

 

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Na quinta-feira, 22 de abril de 2021, 151 anos após o nascimento do líder da Revolução de Outubro, os partidos da Iniciativa Comunista Europeia (ICE) realizaram uma teleconferência dedicada a Lenin e à atualidade do seu trabalho, por decisão do Secretariado da ICE.

A teleconferência contou com a presença de uma delegação do KKE, composta por Giorgos Marinos, membro da CP do CC do KKE, Eliseos Vagenas, membro do CC e chefe da Secção de Relações Internacionais do CC, Kostas Papadakis, membro do CC e deputado ao Parlamento europeu, e Aris Evangelidis, membro da Secção de Relações Internacionais do C.C.

A teleconferência contou com a presença de partidos comunistas e operários dos seguintes países: Áustria, Bielorrússia, Finlândia, França, Grécia, Hungria, Itália, Moldávia, Noruega, Polónia, Rússia, Espanha, Suécia, Turquia, Ucrânia.

O discurso introdutório da teleconferência foi feito por Giorgos Marinos, membro da CP do CC do KKE.

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Caros camaradas,

O evento online de hoje, da Iniciativa Comunista Europeia, é dedicado aos 151 anos do nascimento do grande revolucionário Vladimir Ilyich Lenin e à sua obra inestimável.

O líder do Partido Bolchevique é o fundador do Partido Comunista, o Partido de Novo Tipo; o guia da Grande Revolução Socialista de Outubro de 1917, que abalou o mundo, e dos primeiros anos da construção socialista. Ele é o protagonista da fundação da Internacional Comunista, que deu impulso à luta dos PC e à estratégia comunista unificada.

Honramos Lenin, reconhecendo a nossa responsabilidade pelo estudo e domínio da sua obra, da nossa visão do mundo em geral, do marxismo-leninismo; desenvolver uma compreensão profunda de que “Sem teoria revolucionária, não pode haver movimento revolucionário”.

Munidos dos princípios leninistas, podemos enfrentar as dificuldades da contrarrevolução; podemos continuar incansavelmente a luta pela superação da profunda crise ideológica, política e organizacional do movimento comunista, pelo seu reagrupamento revolucionário.

O capitalismo está podre. O fosso entre o potencial proporcionado pelo desenvolvimento da ciência e tecnologia e o grau de satisfação das necessidades populares está a ampliar-se.

Isso manifesta-se pela intensificação da exploração, as crises capitalistas, a nova crise de sobreacumulação do capital, o desemprego e a pobreza que a classe operária e as camadas populares em todo o mundo enfrentam, sob o ataque total do capital e dos governos burgueses liberais ou social-democratas.

A pandemia e as suas pesadas consequências para os povos, o colapso dos sistemas de saúde pública privatizados e os milhões de mortos evidenciam os impasses do sistema.

Isto é evidenciado pelos planos político-militares dos EUA, da NATO e da UE; as guerras imperialistas; a competição com a Rússia e a China na corrida pelo controle dos mercados, das recursos produtores de riqueza e das condutas de energia, alertando-nos para novas e mesmo generalizadas guerras.

O objetivo da luta do partido revolucionário da classe operária, como sublinhou Lenin, é “ liderar a luta da classe operária, não apenas por melhores condições para a venda da força de trabalho, mas pela abolição do sistema social que obriga os desapossados a venderem-se aos ricos”.

As tarefas dos PC estão a multiplicar-se. É hora de fortalecer o espírito crítico e autocrítico no exame da experiência acumulada; estudar mais profundamente as causas da contrarrevolução, a história dos PC e do movimento comunista; tirar conclusões para aferir o nível de prontidão revolucionária. Este é um pré-requisito da nossa era, a era de transição do capitalismo para o socialismo.

Alguns partidos comunistas conseguiram lançar as bases da estratégia revolucionária, enfrentando muitas dificuldades e contratempos. Este é um desenvolvimento importante.

No entanto, a luta pelo derrubamento do capitalismo, pelo poder dos trabalhadores, pela ditadura do proletariado, requer a valorização político-ideológica dos PC, a generalização da estratégia revolucionária, o estabelecimento de fortes laços com a classe trabalhadora e as camadas populares, assumindo um papel de liderança no movimento operário e realizando um trabalho persistente para conquistar a consciência dos trabalhadores, para a separar as forças da ideologia burguesa e do oportunismo.

Requer partidos comunistas robustos, com organizações partidárias nas fábricas e nos locais de trabalho, com capacidade de orientação, com o desenvolvimento de uma teoria baseada nos princípios do marxismo-leninismo para um estudo sistemático dos desenvolvimentos, dos novos fenómenos que surgem dentro do sistema explorador .

As condições objetivas definirão onde e quando o elo fraco da cadeia se quebrará e os comunistas precisam de estar bem preparados, para que o fator subjetivo, o Partido Comunista, o movimento operário e a aliança social estejam à altura desse momento.

O discurso e a luta dentro do movimento comunista sobre o caráter da revolução são de importância crítica. Na era dos monopólios, do imperialismo, as condições materiais da nova sociedade socialista-comunista amadureceram, o caráter da revolução é objetivamente socialista; isto não se define pela correlação de forças, mas pelos interesses da classe trabalhadora, que está em primeiro plano na história, pela contradição principal que deve ser resolvida, ou seja, a contradição entre capital e trabalho.

A velha estratégia das “etapas intermédias de transição” custou caro ao movimento comunista, pois confina a luta dentro da estrutura do capitalismo. O poder será da burguesia ou dos trabalhadores, não existe uma terceira via e nunca existirá. O abandono do poder operário, o objetivo de formar as chamadas frentes antifascistas e antineoliberais e antimonopolistas, de governos progressistas de esquerda, significa a perpetuação do sistema explorador. Isto ficou demonstrado pela experiência na América Latina e internacionalmente.

As políticas de cooperação com a social-democracia e o apoio ou a participação em governos social-democratas de todas as formas são um grande golpe na trajetória dos PC, na sua independência organizacional, política e ideológica; conduzem à manipulação do movimento operário, desarmam-no, são um elemento da crise do movimento comunista.

O conflito de Lenin com o “Governo Provisório” após a revolução burguesa de fevereiro de 1917, a luta nos sovietes e as “Teses de abril” iluminam o caminho do confronto constante com as forças burguesas e oportunistas como condição para a preparação da revolução socialista.

A luta dentro do movimento comunista é necessária e diz respeito a todas as questões principais.

Há opiniões que confinam a noção de imperialismo à política externa agressiva dos EUA, que desvincula a política da economia.

Lenin, estudando o desenvolvimento do capitalismo, sublinhou que o imperialismo é o capitalismo monopolista, a última etapa do sistema, em que se formam as pré-condições materiais, se destacam a necessidade do derrubamento revolucionário e a construção do modo de produção comunista.

Ele provou que a agudização da contradição básica entre o caráter social da produção e a apropriação capitalista dos seus resultados caracteriza todos os estados capitalistas, independentemente de sua posição no sistema imperialista internacional. Ele advertiu que “A menos que as raízes económicas deste fenómeno sejam compreendidas e o seu significado político e social seja apreciado, nenhum passo pode ser dado para a solução do problema prático do movimento comunista e da revolução social iminente”.

Com a ferramenta da teoria leninista, podemos analisar a concorrência que se manifesta a nível internacional; o caráter das associações imperialistas, como a UE, os BRICS, etc., no centro das quais estão os monopólios.

A polémica de Lenin contra a corrente oportunista e as suas ramificações, o pacifismo e o social-chauvinismo, que colaborou com as classes burguesas dos países em conflito durante a Primeira Guerra Mundial e levou à falência da Segunda Internacional, é muito oportuna.

A guerra é gerada em condições de “paz imperialista”, é “uma continuação da política por outros meios violentos”; é imperialista em ambos os lados, independentemente de qual o Estado que iniciou o conflito militar. A luta deve ser desenvolvida contra as causas que estão na raiz da guerra, deve ser orientada para o derrubamento do poder burguês e criar as condições para isso.

Defendemos a primeira tentativa de construir o socialismo no século XX . A sua contribuição é de importância histórica. A exploração do homem pelo homem foi abolida. Foram estabelecidas instituições que garantiram a participação dos trabalhadores na construção da nova sociedade.

Apesar das fraquezas, erros e desvios que conduziram ao seu derrubamento, através do veículo da corrosão oportunista dos PC e da contrarrevolução, a sua superioridade sobre a barbárie capitalista foi comprovada na prática pelas grandes conquistas populares: o estabelecimento do direito ao trabalho permanente e a erradicação do desemprego; o avançado sistema de saúde pública gratuito; o sistema educativo e a verdadeira educação; a igualdade das mulheres; as conquistas no campo da cultura e do desporto. Foi provada ainda pela contribuição para a abolição do colonialismo; o papel decisivo na vitória antifascista dos povos e na Segunda Guerra Mundial; o internacionalismo proletário, o apoio e a solidariedade com os povos contra a agressão imperialista.

A revolução e a construção socialistas são regidas por princípios e leis científicas.

O poder dos trabalhadores abre caminho para a socialização dos meios de produção e do planeamento científico central, para a satisfação das necessidades sociais contemporâneas, num esforço constante para desenvolver as relações de produção comunistas.

A violação dos princípios da construção socialista-comunista e a utilização das ferramentas capitalistas tem um grande custo, como foi demonstrado pela restauração capitalista na União Soviética e nos outros países de construção socialista.

No quadro da contrarrevolução, a doutrina falida da “via nacional para o socialismo” está a ser reavivada. Tenta-se minar as leis científicas da construção da nova sociedade por meio do chamado socialismo de mercado. Está a ser retratada uma caricatura do socialismo – a sua negação, como mostra o chamado socialismo com características chinesas.

No entanto, as relações capitalistas de produção prevalecem há muito na China, sob a responsabilidade do PC. A base económica assenta em monopólios e grandes grupos económicos de negócios; o Estado opera como um “capitalista coletivo”. A força de trabalho é uma mercadoria; a classe trabalhadora está a ser implacavelmente explorada e, nesta base, já surgiram mais de 400 bilionários. Grandes quantidades de capital estão a ser exportadas para todos os continentes e a China desempenha um papel de liderança na concorrência imperialista.

O chamado Socialismo do século XXI é um equívoco, questiona o papel principal e revolucionário da classe operária, que defende a continuação do estado burguês – que deve ser esmagado – e a perpetuação do poder capitalista e da propriedade.

O socialismo-comunismo nada tem a ver com as empresas capitalistas, o mercado, o critério do lucro e a exploração do homem pelo homem que os comunistas lutam para abolir.

O planeamento científico central dos meios de produção socializados é a base da superioridade do novo sistema e tem potencial para desenvolver ainda mais as forças produtivas.

Não há espaço para atrasos, a contrarrevolução continua e, portanto, os PC, os comunistas que acreditam no socialismo-comunismo, devem defender os princípios marxistas-leninistas da construção da nova sociedade.

Caso contrário, as consequências serão dolorosas, a integração no sistema será rapidamente acelerada e a crise do movimento comunista internacional aprofundar-se-á. As responsabilidades históricas são pesadas.

O KKE formulou uma estratégia revolucionária contemporânea; estuda a sua história, está na vanguarda da luta de classes, mas não se acomoda. Insiste no esforço de fortalecimento dos laços militantes com a classe operária, camadas populares da classe média das cidades e os camponeses que trabalham a sua terra. Luta pela construção do Partido nas fábricas, nos locais de trabalho, em setores de importância estratégica, pelo reagrupamento do movimento operário e a aliança social, no confronto com os monopólios e o capitalismo, para o seu derrubamento. Os comunistas na Grécia irão discutir estas questões no XXI Congresso do KKE, que terá lugar em Junho.

Continuamos o caminho traçado por Lenin e pela Revolução Socialista de Outubro. É assim que homenageamos o grande revolucionário e a heroica história do movimento comunista.

Fonte: https://mltoday.com/lenins-work-is-timely/, publicado em 2021/05/08, acedido em 2021/09/13

Tradução do inglês de TAM

 

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