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Partido Comunista da Grécia (KKE) – Secção das Relações Internacionais do CC

Também avaliamos criticamente o facto de, após a invasão da URSS pela Alemanha fascista, a IC ter mudado a sua posição sobre o caráter da guerra, definindo-a como antifascista, e declarando que “... o ataque básico agora é direcionado contra o fascismo. ...”  e que “nesta fase, não apelamos ao derrubamento do capitalismo nos vários países, nem a uma revolução global ... […]

A luta contra o fascismo e a libertação da ocupação estrangeira, pelos direitos e liberdades democráticos, foi separada da luta contra o capital.

 

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Em 18 de dezembro de 2020, o jornal Pravda, do Partido Comunista da Federação Russa (PCRF) publicou um artigo do jornalista e filósofo russo Viktor Truskov sobre a fundação e ação da Internacional Comunista, com o título “Sobrestimámos a nossa força, quando fundámos a Internacional?”.

O autor, baseado no diário do líder comunista Georgi Dimitrov, observa que esta frase pertence a Joseph Stáline e que este a colocou, simplesmente, na forma de uma pergunta. O artigo dá uma breve panorâmica de importantes decisões da Internacional Comunista (IC) – entre outras coisas, elogia a orientação para a fundação de frentes populares, e também tenta justificar a decisão de autodissolução da Internacional Comunista. O principal argumento usado é o de que “não pode haver nenhuma orientação do Movimento Comunista Internacional a partir de um centro”. Ao mesmo tempo, a fundação do Cominform para a troca de informações entre os PC é avaliada como positiva, e estima-se que nem as Conferências Internacionais dos PC, na década de 1980, iniciadas pelo PCUS, nem os anuais Encontros Internacionais dos Partidos Comunistas e Operários, que começaram por iniciativa do KKE, puderam preencher esta lacuna de informação.

Em primeiro lugar, a tentativa de examinar questões sérias na história do Movimento Comunista Internacional e de tirar conclusões sobre a luta atual deve ser vista como um facto positivo. Ao mesmo tempo, devemos observar que, ao estudar o percurso histórico específico da IC, o nosso Partido tirou diferentes conclusões das do autor do artigo.

A ligação do percurso histórico do KKE com a IC

Os nossos camaradas noutros países devem saber que o KKE foi fundado como Partido Socialista Operário da Grécia (SEKE [acrónimo em grego]) no esplendor da Revolução de Outubro e proclamou na sua Conferência da Fundação (17-23 de novembro de 1918) que “se declara uma secção da Internacional, dos partidos unidos e associados de todos os países que lutam pelo derrubamento do capitalismo internacional e pelo triunfo do socialismo internacional”. O Primeiro Conselho Nacional do SEKE (31 de maio - 5 de junho de 1919) renunciou à linha oportunista da 2.ª Internacional e instruiu o CC para iniciar os preparativos para a filiação do Partido na Internacional Comunista. Os primeiros dos milhares de mártires do nosso Partido, que caíram pela causa do poder dos trabalhadores, foram Dimosthenis Ligdopoulos e Orion Alexakis, mortos quando regressavam para a Grécia, vindos de Moscovo, onde participaram no 2.º Congresso da Internacional Comunista. O 3.º Congresso Extraordinário do SEKE (26 de novembro - 3 de dezembro de 1924) decidiu a aceitação inequívoca da IC e das Resoluções da Federação Comunista dos Balcãs e a renomeação do Partido como Partido Comunista da Grécia (Secção Grega da Internacional Comunista), que permaneceu como secção da IC até sua dissolução, em 1943.

As decisões da Internacional Comunista tiveram um efeito catalisador no percurso e na ação de nosso Partido. Assim, ao avaliar a ação do KKE, o nosso Partido examinou também, objetivamente, a ação da Internacional Comunista. O nosso Partido, ao estudar a sua história, realizou uma rica discussão partidária interna, que culminou numa Conferência Pan-helénica sobre história, em 2018, onde o seu Ensaio de História em quatro volumes foi aprovado. O Ensaio de História examina o período da fundação do partido, de 1918 a 1949, que marcou o fim da heroica e épica luta do Exército Democrático da Grécia, uma luta que abalou as bases do poder burguês na Grécia, mas não conseguiu derrubá-las.

Infelizmente, o Ensaio de História ainda não foi traduzido para outras línguas; no entanto, as avaliações básicas do Ensaio sobre as questões da Internacional Comunista estão apresentadas na Declaração do Comité Central do KKE sobre os 100 anos da fundação da Internacional Comunista (fevereiro de 2019), que foi traduzido para várias línguas. Por ocasião do artigo do “Pravda”, queremos relembrar e examinar algumas tarefas para os partidos comunistas e operários a nível internacional.

A contribuição da IC e o exame crítico de seu percurso

Em primeiro lugar, devemos observar que, em relação à IC, o KKE reconhece a sua contribuição para o movimento comunista e operário internacional, ao mesmo tempo que destaca a necessidade de tirar lições importantes da experiência acumulada com a sua ação. A IC, fruto da vitória da Revolução Socialista de Outubro na Rússia (1917), respondeu à necessidade de coordenação e unidade do movimento operário revolucionário internacional. A contribuição da IC foi importante no apoio e no fortalecimento dos Partidos Comunistas à escala mundial, na sua abnegada solidariedade internacionalista para com os povos em luta e oprimidos, como a que ocorreu com a formação das “Brigadas Internacionais” ao lado do Exército Republicano da Espanha (1936-1938). A IC prestou apoio multifacetado a militantes perseguidos em todo o mundo, realizando ações publicitárias – educacionais, organizando escolas para quadros sobre a teoria revolucionária do marxismo-leninismo e operacionalizando uma rede de intercâmbio de informação política, que também incluía jornalistas.

Os problemas e conflitos nas estratégias da IC, que tiveram uma influência negativa em todos os Partidos Comunistas membros, não negam a sua contribuição para o Movimento Comunista Internacional. O legado da IC e o estudo de sua experiência são valiosos, hoje, para o reagrupamento do Movimento Comunista Internacional, para a criação de uma estratégia revolucionária unificada contra o poder capitalista.

Simultaneamente, o KKE faz uma avaliação crítica a uma série de decisões da IC, como a seguinte: “o percurso contraditório da alternância na sua postura em relação à social-democracia, que, gradualmente, enfraqueceu a frente contra ela, apesar de esta se ter claramente desenvolvido como uma força política contrarrevolucionária do poder burguês. Assim, fortaleceram-se as efetivas posições oportunistas nas fileiras dos partidos da IC”.

O nosso partido critica o Programa do 6.º Congresso da IC, que distinguiu três tipos principais de revoluções na luta pela ditadura global do proletariado, com base na posição de cada país capitalista no sistema imperialista internacional. E realça que, desta forma, o caráter internacional da época do capitalismo monopolista e o aprofundamento da contradição fundamental entre capital e trabalho foram subestimados. Além disso, a análise da IC não foi guiada pelo facto objetivo de que o desenvolvimento desigual das economias capitalistas e as relações desiguais entre Estados não podem ser abolidas no quadro do capitalismo. Finalmente, o caráter da revolução em cada país capitalista é objetivamente determinado pela contradição básica que é chamada a resolver, independentemente da mudança relativa na posição de cada país no sistema imperialista internacional. O caráter socialista e as tarefas da revolução surgem da agudização da contradição fundamental capital-trabalho em cada país capitalista, na época do capitalismo monopolista.

O caráter da época foi subestimado, como um período de transição do capitalismo para o socialismo, bem como a capacidade de as relações de produção socialistas darem um grande impulso à libertação do desenvolvimento das forças produtivas, como se comprovou na União Soviética.

O imperialismo foi erroneamente considerado como uma forma de política externa violenta de alguns Estados – os mais poderosos –, enquanto dentro do sistema imperialista havia dezenas de países (o capitalismo monopolista havia sido formado na China e no Brasil). Ao mesmo tempo, a sua caraterização como dependente não levou em consideração a interação de interesses entre a burguesia estrangeira e a doméstica.

Outro problema fundamental foi o de que poderosas forças burguesas e políticas, já no poder, se engajaram no processo revolucionário, como na Turquia, assim como as classes burguesas de Marrocos, da Síria e outras.

O KKE avalia criticamente as resoluções do 7.º Congresso da IC sobre a mudança na definição de fascismo e a formação das Frentes Populares como uma forma de cooperação política entre os Partidos Comunistas e os social-democratas e outros partidos burgueses e movimentos oportunistas que participaram ou apoiaram governos que não desafiaram o poder capitalista. O nosso partido realça que estas direções “criaram ilusões e um espírito de reconciliação, confusão e atenuação da frente político-ideológica contra a social-democracia e o oportunismo”.

Também avaliamos criticamente o facto de, após a invasão da URSS pela Alemanha fascista, a IC ter mudado a sua posição sobre o caráter da guerra, definindo-a como antifascista, e declarando que “... o ataque básico agora é direcionado contra o fascismo. ...” e que “nesta fase, não apelamos ao derrubamento do capitalismo nos vários países, nem a uma revolução global ... Desta luta não devemos repelir aquele setor da pequena burguesia, os intelectuais e o campesinato que se inclinam abertamente a favor do movimento de libertação nacional. Em vez disso, devemos conquistá-los como aliados, e os comunistas devem tornar-se parte deste movimento como seu núcleo condutor”.

Esta posição subestimou o facto de o caráter da guerra ser determinado pela classe que a empreende e pelo seu propósito, se é, originalmente e naquele particular momento, de defesa ou de ataque. A luta contra o fascismo e a libertação da ocupação estrangeira, pelos direitos e liberdades democráticos, foi separada da luta contra o capital.

As contradições na linha da IC sobre o caráter da Segunda Guerra Mundial também foram influenciadas pelas aspirações da política externa da URSS e pela sua tentativa de se defender de uma guerra imperialista. No entanto, em qualquer caso, as necessidades da política externa de um Estado socialista não podem suplantar a necessidade de uma estratégia revolucionária para cada país capitalista. A segurança final de um Estado socialista é determinada pela vitória mundial do socialismo ou a sua prevalência num grupo poderoso de países e, portanto, pela luta pela revolução em cada país.

Sobre a autodissolução da IC

O nosso partido acredita que “a decisão de autodissolver a IC foi em total oposição aos princípios que determinaram a sua fundação. Foi em contradição com o espírito e a letra do Manifesto Comunista, com o princípio do internacionalismo proletário, com a necessidade, em todas as circunstâncias, de uma estratégia revolucionária unificada dos partidos comunistas contra o imperialismo internacional”.

O Ensaio de História do KKE regista as palavras do líder e historiador comunista americano William Foster: “É característico que esta decisão histórica tenha sido tomada no momento crucial da luta pela abertura da segunda frente. Esta frente era extremamente necessária para uma rápida e decisiva vitória, mas as forças reacionárias do Ocidente (que também acreditavam nas mentiras de Goebbels sobre a Internacional Comunista) opuseram-se à sua abertura. Sem dúvida, a impressão favorável que a dissolução da Internacional Comunista causou em todo o mundo burguês, contribuiu decisivamente para a eliminação daquela oposição. Poucos meses depois (novembro-dezembro de 1943), efetuou-se a famosa Conferência de Teerão, onde a data final para a abertura da segunda frente foi finalmente ajustada”.

No Ensaio constata-se que: “Certamente, as causas que levaram à autodissolução da IC precisam de ser mais estudadas, à luz do estudo da experiência global do percurso da IC. No entanto, podem fazer-se algumas avaliações e tirar algumas conclusões”.

A decisão de dissolver a Internacional, tomada durante o desenvolvimento e o pico da guerra, não foi um passo no sentido da promoção da luta dos trabalhadores e do povo contra o fascismo, em relação a uma guerra contra o ventre que a gerou, ou seja, o capitalismo. A decisão foi em total oposição aos princípios que determinaram a fundação da Primeira Internacional, que foi criada quando ainda não havia partidos comunistas. Foi em contradição com o espírito e a letra do Manifesto Comunista, com o princípio do internacionalismo proletário e, também, com as próprias razões pelas quais a IC foi fundada. Segundo Lénine: “À Terceira Internacional cabe a tarefa de organizar as forças proletárias para um violento ataque revolucionário contra os governos capitalistas, para uma guerra civil contra a burguesia de todos os países, para a conquista do poder político, para o triunfo do socialismo! [1]”.

A decisão de autodissolver a IC enfraqueceu as forças revolucionárias no curto, médio e longo prazos e, decerto, não foi uma medida para defender a URSS. Pelo contrário, levou à intensificação das pressões exercidas por todas as burguesias contra os PC, numa época em que a guerra abalava profundamente não só a própria burguesia, mas também a propriedade capitalista, dependendo dos danos causados ​​pelas operações militares. Não preparou os movimentos operários para um contra-ataque, nas condições de uma crise do poder burguês, na sua forma fascista ou em qualquer outra, e numa época em que o prestígio da URSS e a admiração de milhões pelas conquistas do povo soviético e do Exército Vermelho atingiram o pico e quando a influência e o prestígio de uma série de PC aumentaram significativamente, devido ao seu papel dirigente na luta antifascista e de libertação nacional.

Não se pode aceitar que a IC tenha sido dissolvida para derrotar a propaganda anticomunista de Hitler e a propaganda de todos os opositores dos PC, que os caracterizavam como liderados pelo estrangeiro.

A decisão diminuiu a nitidez das contradições intraimperialistas que levaram à Segunda Guerra Mundial. Por exemplo, os interesses imediatos e de longo prazo da burguesia japonesa, no Pacífico e no Leste Asiático, que foram ameaçados pelos EUA e forçaram o Japão a não atacar a URSS, mas sim os EUA.

A decisão absolutizou as diferenças nas condições de ação dos PC, desta forma degradando ou, mesmo, anulando a característica básica e comum de todos os PC: o facto de terem atuado nas condições do capitalismo, especialmente nas condições criadas pela guerra mundial imperialista.

Afinal, a necessidade da existência de um centro comunista internacional não é determinada pela força e maturidade dos PC, mas pela necessidade, em qualquer circunstância, de ter uma estratégia revolucionária unificada dos PC contra o imperialismo internacional. Portanto, a alegação de que os PC se haviam tornado mais fortes e mais maduros e que, por esse motivo, a IC se estava a tornar obsoleta, era infundada.

Por outro lado, o que foi posto em prática –, a função informal do Partido Comunista de toda a União (Bolcheviques) como um centro comunista internacional –, não estava correto, independentemente do seu grau de consolidação, já que liderou a construção socialista na URSS após a primeira vitoriosa Revolução Socialista de Outubro e desempenhou um papel de liderança no esmagamento do fascismo.

Na declaração do CC do KKE, nos 100 anos da IC, também se observa que “é uma questão diferente explorar a forma organizativa que a unidade do Movimento Comunista Internacional deve ter, o seu modo de funcionamento e, é claro, sempre na condição de formular uma única estratégia revolucionária”.

De igual forma se avalia que “Após a Segunda Guerra Mundial, projetou-se a necessidade de uma ação unitária do Movimento Comunista Internacional contra o unificado contra-ataque internacional do imperialismoA sua expressão foi a criação do Gabinete de Informação (Cominform), por representantes de 9 Partidos Comunistas e Operários – URSS, Jugoslávia, Roménia, Bulgária, Polónia, Checoslováquia, Hungria, França e Itália –, em Sklarska, Poruba, Polónia (22-28 setembro de 1947). A reunião da sua fundação estabeleceu o objetivo de trocar informações e coordenar ações. Na realidade, o Gabinete de Informação desempenhou um papel de liderança no Movimento Comunista Internacional, embora não pudesse, de modo algum, cobrir a necessidade da formação de uma nova Internacional Comunista. Foi dissolvido em 1956, em resultado da viragem oportunista de direita (depois do 20.º Congresso do PCUS) e da crise do Movimento Comunista Internacional.

Novas e mais informais formas de coordenação da ação do Movimento Comunista Internacional foram posteriormente estabelecidas, através das conferências internacionais de Partidos Comunistas e Operários; no entanto, estas não criaram a base para uma única estratégia revolucionária de confrontação com o sistema imperialista internacional”.

Sobre os esforços atuais no Movimento Comunista Internacional

Um artigo do Pravda identifica a necessidade de um centro comunista internacional e de uma estratégia revolucionária com a prática errónea de transformar o Partido Comunista de toda a União (Bolcheviques) num centro comunista internacional informal. Assim, conclui que tudo o que se exige é a mútua informação dos PC, como, na opinião do autor, o Cominform tentou fazer. O artigo faz a seguinte avaliação: “Infelizmente, a dissolução do Cominform, como resultado do relatório de N. S. Khrushchev na sessão fechada do XX Congresso do PCUS sobre o culto da personalidade, em torno de J. V. Stáline, levou à eliminação de ferramentas de informação sistemática sobre as atividades dos partidos marxistas-leninistas em todo o mundo. Nem as reuniões periódicas dos Partidos Comunistas e Operários, que se realizaram até ao final dos anos 1980, nem os encontros anuais dos Partidos Comunistas e Operários, que começaram por ação do KKE, no final dos anos 1990, cumprem esta função. E isso afeta negativamente o estado do Movimento Comunista Internacional”.

Com base nesta avaliação, surge a seguinte questão: Tem o atual estado de profundo retrocesso do movimento comunista internacional a sua raiz, simplesmente, na falta de informação?

Em primeiro lugar, gostaríamos de observar que nos Encontros Internacionais dos Partidos Comunistas e Operários (EIPCO) –, que se iniciaram por iniciativa do KKE, mas estão agora sob a responsabilidade coletiva de seu Grupo de Trabalho –, podem participar todos os anos mais de 120 partidos, incluídos na lista da SOLIDNET. Ao longo desses anos, realizaram-se 21 EIPCO anuais, nos quais os partidos puderam comunicar as suas posições. Existe também a versão digital do “Boletim Informativo”, que contém os materiais dos Encontros dos PC. Em 2020, devido à pandemia, não foi possível realizar o EIPCO, pelo que foi publicada uma edição digital especial do “Boletim Informativo”, com as posições dos partidos.

Além disso, com base nos EIPCO, há também o sítio conjunto na rede dos PCsob o nome SOLIDNET ( http://www.solidnet.org ), que opera sob a responsabilidade do KKE, e onde os PC podem publicar notícias, bem como os seus programas, resoluções dos respetivos Comités Centrais, os seus órgãos dirigentes e outros documentos. Por exemplo, nos últimos 10 anos, mais de 16.000 materiais enviados pelos Partidos Comunistas e Operários foram publicados neste sítio. Indicativamente, em 2020 foram publicados 3.338 materiais, enquanto em 2019 , os diversos materiais foram 3.158, redigidos nas línguas escolhidas pelos partidos (inglês, espanhol, russo, árabe, português, etc.).

Existe ainda, com base na SOLIDNET, um sistema adicional de informação mútua e rápida dos PC. Através deste sistema, mais de 500 assinantes, principalmente PC, os seus jornais e outros meios de comunicação, bem como os seus quadros, recebem diariamente por e-mail as publicações na SOLIDNET de vários PC de todo o mundo.

Não é por acaso que, em 2019 e 2020, dezenas de milhares de pessoas visitaram a SOLIDNET para obter informações. Assim, em 2020, as estatísticas mostram que o sítio da SOLIDNET foi visitado por pessoas de 161 países (176 em 2019), ou seja, de muitos mais países do que os dos Partidos Comunistas e Operários que foram incluídos na lista SOLIDNET, mesmo de países onde ainda não existem PC.

Finalmente, devemos notar que, hoje, ao contrário de há 20-30 anos, um número significativo de partidos tem as suas próprias páginas de iniciativas ou boletins informativos, onde qualquer pessoa pode obter informações. Assim, o KKE tem o seu sítio na rede do partido, https://www.kke.gr/, em grego e em mais dez línguas, enquanto aqueles que sabem grego podem ser informados diariamente pela versão digital do seu jornal https://www.rizospastis.gr/ e pelo seu portal de informação, https://www.902.gr/, ou pela sua revista teórica, a “Revista Comunista” – https://www.komep.gr/.

Claro que muito pode ainda ser feito em matéria de informação, mas está o problema da atual situação negativa na questão da informação?

Na nossa opinião, precisamos de ir à raiz do problema. Alguns aspetos são os seguintes:

«Muitos partidos mantêm o título “comunista”, mas a sua formação político-ideológica e organizativa não está de acordo com as características comunistas, a ideologia do comunismo científico e a estratégia revolucionária – programa que corresponde a um partido leninista operário revolucionário.

Sem subestimar a importância de uma série de partidos que invocam o marxismo-leninismo e, assim, separando a sua posição da daqueles que rejeitaram abertamente a nossa ideologia, muitos deles ainda têm uma abordagem de classe muito fraca em relação aos fenómenos contemporâneos do capitalismo, à luta de classes na base da ideologia comunista, à análise materialista dialética da história e dos fenómenos sociais contemporâneos ...

... As abordagens dos PC são frequentemente dominadas por influências ideológicas oportunistas burguesas, transformando qualquer invocação da nossa visão do mundo numa base teórica e numa ferramenta metodológica científica para compreender e transformar a sociedade numa “lista de desejos”.

Resumidamente, o quadro geral negativo permanece, tanto nos principais países capitalistas (EUA, países da UE, Reino Unido, Japão, China, Rússia) como em países e regiões que são focos de intervenções imperialistas ” [2].

Em geral, o problema reside na estratégia oportunista de etapas, que se enraizou há muitas décadas e que de uma forma ou de outra promove um objetivo governamental no terreno do capitalismo (antiditadura, antiocupação – libertação, anti-imperialista democrático, antifascista, antiliberal etc.)».

O principal problema expresso é a estratégia oportunista longamente estabelecida das etapas “ao definir uma meta governamental no terreno do capitalismo (antiditadura, antiocupação – libertadora, democrática – anti-imperialista, antifascista – antineoliberal etc.)” [3].

«A situação é semelhante no movimento sindical, onde prevalecem lideranças sindicais e sindicatos comprometidos com governos burgueses e patrões, enquanto a vinculação da maioria dos PC à classe operária e ao seu movimento continua a ser uma grande questão, a fim de adquirir novas posições e um papel de liderança na luta de classes ...

... Uma feroz luta político-ideológica está a ser travada nas fileiras do movimento comunista internacional numa série de questões, como a abordagem ao capitalismo e ao sistema imperialista internacional. Prevalecem opiniões sobre a resistência do capitalismo, sobre as possibilidades da sua “humanização” e “democratização” e sobre a utilização das suas conquistas tecnológicas em benefício das forças populares com a intervenção política ativa dos PC até a nível governamental ...

 ... Neste terreno, posições erradas sobre “a unidade da esquerda”, “forças democráticas ou patrióticas”, “a cooperação com a social-democracia de esquerda”, “governos de centro-esquerda”, “novas frentes antifascistas e antineoliberais”, etc. são reproduzidas nos PC ...

... A luta também está a ser conduzida sobre as leis económicas e políticas da revolução socialista e da sociedade comunista, concentrando-se sobre a interpretação da construção socialista-comunista no século 20 e as causas da sua derrota contrarrevolucionária...

... Uma série de PC enforma a posição oportunista de que o “socialismo com características chinesas” está a ser construído na China, com um certo compromisso com o capital e a errada conceção de que a Rússia não é uma potência imperialista, mas um país capitalista da “periferia” do sistema imperialista, que, juntamente com a “China socialista”, desempenha um papel positivo nos desenvolvimentos internacionais. Esta abordagem, que separa a política da economia, opõe-se à conceção leninista do imperialismo.

O nosso Partido acredita que o estudo da construção socialista na URSS é uma importante conquista. A maioria dos PC, que não realizou nenhum estudo relevante, permanece muito confusa sobre o caráter atual da China, Rússia e outros Estados, que fazem parte do sistema imperialista. Isto pode ter consequências trágicas para a sua postura sobre a questão da guerra na época do imperialismo, onde o movimento comunista, tendo uma frente decisiva contra os centros imperialistas dos EUA, NATO, UE, não deveria colocar-se ao lado de nenhuma potência imperialista, mas devia defender consistentemente os interesses de classe da classe operária em conflito com a burguesia do seu país, não para escolher uma “bandeira alheia” sob a pressão das forças pequeno-burguesas, mas também sob as pressões nacionalistas sobre a classe operária. 

Os comunistas devem fortalecer a frente contra as conceções do cosmopolitismo –, que abordam as alianças internacionais das burguesias (UE, NATO, BRICS, etc.) de forma não classista –, contra o nacionalismo, a “pureza racial da nação e da cultura” e as outras perceções racistas, desenvolvidas contra os refugiados e imigrantes.» [4]

O 20 º Congresso do KKE (30 março-2 abril, 2017) confirmou que “o reagrupamento e o desenvolvimento do movimento comunista internacional é uma tarefa permanente e consistente do nosso partido, que flui do carácter global da luta de classes’”. Que “o Movimento Comunista Internacional está em recuo, tem dificuldade em reagir contra a ofensiva do inimigo de classe, que se concretiza não só com medidas repressivas, mas também com meios político-ideológicos, com o impacto do oportunismo”. O KKE desenvolve iniciativas para criar as condições que darão ímpeto à adoção de uma estratégia comum dos Partidos Comunistas, através de várias formas apropriadas – por exemplo, a Iniciativa Comunista Europeia, ou a “Revista Comunista Internacional”; entretanto, o nosso partido tem ainda o objetivo de formar um polo marxista-leninista no movimento comunista internacional. O KKE está bem ciente de que “o processo de reagrupamento revolucionário é lento, difícil, vulnerável e será baseado na capacidade dos partidos comunistas para,  de forma abrangente, se fortalecerem ideologicamente, politicamente e organizativamente nos seus países. A superação de posições erradas que dominaram o Movimento Comunista Internacional nas décadas anteriores e que, hoje, estão a ser reproduzidas de diferentes formas e a construção de bases sólidas na classe operária, em setores estratégicos da economia, reforçando a sua intervenção no movimento laboral e popular” fortalecerá cada um dos PC e combinará a ação revolucionária com a teoria revolucionária.

O slogan do Manifesto Comunista “Proletários de todos os países, uni-vos!” continua atual.

 

Notas

[1] V.I. Lénine, Collected Works, publicações Synchroni Epochi, volume 26, p. 42.

[2] Teses do CC ao 21.º Congresso do KKE.

[3] Teses do CC ao 21.º Congresso do KKE.

[4] Teses do CC ao 21.º Congresso do KKE

Fonte: https://inter.kke.gr/en/articles/The-founding-action-and-dissolution-of-the-Communist-International-through-the-prism-of-the-current-tasks-of-the-international-communist-movement/, publicado em 2021/02/09, acedido em 2021/02/21

Tradução do inglês de PAT

 

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