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PCRF

Como não entender a rejeição maciça e duradoura, nos meios populares, de uma "Macrónia" que produz tanto sofrimento e desprezo? Abriu-se um tal fosso entre os que estão "em baixo" e os "que estão em cima" que a opção pela abstenção ou por um partido que se diz "antissistema" também é compreensível.

 

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Na noite de 9 de junho de 2024, foi proferido um veredicto, com os resultados das eleições europeias: falência eleitoral do governo Macron/Attal, com menos de 15% dos votos expressos para a lista macronista (menos de 8% dos inscritos, dada a abstenção ainda elevada); uma nova subida do Rassemblement National [Partido de le Pen], para mais de 31% (também a ser colocada em perspetiva, com 16% dos eleitores inscritos). Pode encontrar-se uma análise mais completa no nosso sítio.

 

Justificada raiva popular, ilusões a desmontar

 

O PCRF, naturalmente, considera grave esta situação política; Mas não se junta às vozes aterrorizadas que estigmatizam o chamado eleitorado de extrema-direita, esquecendo-se de analisar todas as responsabilidades, políticas, mediáticas e até sindicais, que direta ou indiretamente, intensificaram uma forma de desespero entre milhões de vítimas do nosso regime capitalista. A corrente de questionamento da política dominante, atualmente em implementação pelo governo, está a fortalecer-se, mas a libertação das forças populares operárias dos partidos burgueses e pequeno-burgueses não foi alcançada.

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Com efeito, recordemos a elevada responsabilidade dos governos macronistas, desde 2017, na acumulação de medidas regressivas, liberticidas e brutais, que têm impactado severamente um número crescente de trabalhadores, reformados e jovens. Para defender os interesses exclusivos dos monopólios e da banca, todos os golpes possíveis foram desferidos contra a classe trabalhadora: salários, condições de trabalho, perda de postos de trabalho, precariedade, direito à reforma e ao subsídio de desemprego, lei anti-imigração..., tantas alavancas de exploração contra as quais as lutas foram numerosas, mas não muito vitoriosas, por falta de coordenação suficiente entre elas; os ataques aos serviços públicos, particularmente na saúde e na educação, multiplicaram-se. Para reprimir os protestos, a repressão, com a sua parcela de violência policial, a criminalização das lutas, as medidas de proibição e intimidação contra a liberdade de expressão, de estudantes, por exemplo, tomaram uma escala sem precedentes. O caráter belicista e colonial do Estado francês afirma-se mais do que nunca, com uma lei de programação militar que duplicou, Macron afirmando claramente a trabalhar para uma "economia de guerra", e o destino reservado ao povo Kanak1, com a lei a descongelar o eleitorado e as respostas exclusivamente repressivas (8 mortos!) às mobilizações contra esta lei 2. Este quadro sombrio faz parte de um quadro económico preciso, o do imperialismo, o "estágio mais alto do capitalismo", que carrega em si a guerra e a reação em toda a linha para garantir o máximo lucro dos monopólios (grandes empresas); guerra na Ucrânia, em grande parte alimentada pela entrega de armas e pelo apoio do imperialismo francês, genocídio em Gaza, do qual o governo Attal é cúmplice pelo seu apoio e com a sua inação em relação ao criminoso Estado israelita…

 

Como não entender a rejeição maciça e duradoura, nos meios populares, de uma "Macrónia" que produz tanto sofrimento e desprezo? Abriu-se um tal fosso entre os que estão "em baixo" e os "que estão em cima" que a opção pela abstenção ou por um partido que se diz "antissistema" também é compreensível. Mas esse entendimento não nos leva a entrar no jogo deletério de um chamado "duelo Macron/Le Pen" em que queriam  encerrar-nos. Para o PCRF, o campo a escolher é o do trabalho contra o campo do capital, e enquanto o regime imperialista (capitalismo monopolista) persistir no nosso país, qualquer ilusão democrática esbarrará na realidade dos sofrimentos a que o povo é submetido.

 

Dissolução da Assembleia e novas manobras eleitorais

 

Após a sua derrota eleitoral, o presidente Macron optou por dissolver a Assembleia Nacional e convocar eleições legislativas antecipadas para 30 de junho e 7 de julho. Podemos supor que ele esteja a fazer várias apostas, inclusive a de uma relativa resolução do problema por meio do jogo do "voto útil" graças à  segunda volta, contando com a reativação das desistências para candidatos mais "republicanos" do que os do RN. Muitas pessoas falam de uma "aposta arriscada". O PCRF adota um ponto de vista de classe e considera prioritário o risco que pesa sobre a classe trabalhadora e sobre a juventude de ver continuar esse sistema de exploração e destruição maciça das conquistas sociais  No entanto, nenhum dos partidos políticos que se apresentam como "salvadores da República" contra a extrema-direita vislumbra outra coisa que não seja o capitalismo ou o seu desenvolvimento. Mas dentro desse sistema não pode existir uma solução duradoura e ele tem de ser derrubado para que o sofrimento popular possa finalmente acabar. À esquerda, por exemplo, enquanto o NUPES (PS, PCF, LFI, os Verdes, o POI, o NPA, etc.) têm mostrado as divisões que a atravessam, novas manobras eleitorais, sob o disfarce de uma pseudo "Frente Popular" oportunista, estão a trabalhar para conseguir o maior número possível de círculos eleitorais, cujas manobras financeiras são conhecidas no que respeita a  certos partidos... O PCRF vê reproduzir-se o cenário agora habitual de ilusões parlamentares. A feroz ditadura de classe, que aos poucos derruba pilares da democracia burguesa para satisfazer as exigências dos monopólios e da oligarquia financeira, só pode ser combatida com lutas de uma intensidade inigualável.

 

O papel do Partido Comunista Revolucionário

 

O povo trabalhador deve estar vigilante, acreditar na sua própria força, com a construção do  partido de vanguarda da classe trabalhadora em França. O PCRF está a trabalhar para forjar uma Frente de alternativa popular reunindo todas as vítimas do capitalismo, a base social da frente, com os trabalhadores por conta própria, as organizações progressistas, democráticas, de mulheres e jovens, anti-imperialistas, sindicatos e coletivos. É nesse sentido que o nosso Partido está a trabalhar para abrir novas perspetivas políticas, trabalhando para fortalecer as lutas e coordená-las, e ligando essas lutas à necessidade do derrubamento do capitalismo; em França, a classe trabalhadora não tem um partido para se organizar para uma tomada revolucionária do poder numa sociedade livre da exploração; intervindo junto da classe trabalhadora e da juventude popular, o PCRF trabalha para se fortalecer para ser esse partido e restaurar a esperança de uma sociedade de progresso social, justiça e paz.

 

1  O povo Kanak vive no arquipélago da Nova Caledónia, no sul do Oceano Pacífico, é colonialmente dominado pela França. Recentemente, milhares de pessoas saíram às ruas em protesto, pedindo independência em relação à França

 

2 O movimento de luta pela independência, que existe há vários anos, está a atingir maiores proporções contra a alteração de uma lei eleitoral  surgida após uma reforma constitucional aprovada recentemente pelo Parlamento francês que estendeu o direito ao voto nas eleições regionais. Além da população originária, esse direito era reservado apenas a imigrantes que viviam no território desde antes de 1998 e aos filhos deles. Até agora,  os residentes que chegaram da França continental ou de qualquer outro lugar nos últimos 25 anos não têm o direito de participar das eleições locais.

O movimento pró-independência teme que a inclusão de tantos novos eleitores dilua o seu próprio peso político. Opositores da lei dizem que ela vai beneficiar políticos pró-França e marginalizar os kanaks, que no passado sofreram sob políticas rigorosas segregacionistas e discriminação.  Entenda a crise no território francês da Nova Caledônia – DW – 18/05/2024

 

Fonte: Parti Communiste Révolutionnaire de France (pcrf-ic.fr) , publicado e acedido em 12.06.2024

Tradução de TAM

 

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