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Jerome Irwin

Porque a tão procurada conclusão de tal guerra, em alguns círculos de poder do mundo, se baseia no sonho de uma fantasiosa profecia bíblica do fim dos tempos e no desejo esmagador entre os seus crentes de serem  levados para o céu para sempre ao lado de Deus, não importando quais sejam, no final, os custos para a vida humana e a existência futura da humanidade.

 

 

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O chamado “Plano de Paz” do presidente Trump e do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu para a Palestina e os palestinianos não trará, nem por sonhos, a paz ao Médio Oriente. Este último plano americano lunático cristão fundamentalista & judaico ortodoxo kamikaze só pode trazer mais uma guerra mundial; porque a tão procurada conclusão de tal guerra, em alguns círculos de poder do mundo, se baseia no sonho de uma fantasiosa profecia bíblica do fim dos tempos e no desejo esmagador entre os seus crentes de serem  levados para o céu para sempre ao lado de Deus, não importando quais sejam, no final, os custos para a vida humana e a existência futura da humanidade.

Esse plano imundo proposto como uma resolução bem-sucedida para o conflito israelo-palestiniano de décadas representa simplesmente a loucura de mais uma horrenda guerra mundial futura conduzida, como outras guerras mundiais o foram, pelos sonhos enviesados semelhantes de outros loucos do passado, que também estavam preparados para levar a cabo as duas anteriores guerras mundiais e as mortes e a destruição de centenas de milhões de vidas humanas e não humanas, a civilização humana e a própria terra contra qualquer ideia ou filosofia que ameaçasse remotamente os seus sonhos.

Trump e Netanyahu são talhados do mesmo pano. Os governantes, ditadores e conquistadores implacáveis de hoje, não são diferentes do que eram os seus antecessores dos séculos passados, que se comportaram da maneira mais selvagem e primitiva, preparados para canibalizar os seus inimigos ou exterminar a sua própria espécie, a fim de conquistar quaisquer novas terras, recursos e obter mais e mais poder a qualquer preço para o mundo.

O “Plano de Paz” de Trump e Netanyahu é simplesmente um aviso ao mundo: “Cuidado! A próxima grande Terceira Guerra Mundial está a chegar mais cedo do que se pensa! ” Nasce dos medos horríveis e abomináveis sobre o futuro terrível da humanidade e do planeta como um todo. O que os judeus ortodoxos e os cristãos fundamentalistas americanos agora descrevem como “o acordo do século” para a raça humana é, mais propriamente, “a traição do século”.

A única coisa que poderia funcionar para impedir esses planos ad absurdum era todas as nações gritarem em uníssono, em voz alta e clara: “ Pelo amor de Deus! Parem com todas as ações de brutalidade, racismo e apartheid contra o povo palestino, AGORA!” Mas isso nunca funcionou muito bem com Hitler e a Alemanha nazi antes de milhões de judeus e outros morrerem primeiro no processo.

Se mentes mais racionais não prevalecerem em última instância e esse plano insano para a Palestina e os palestinianos continuar no seu rumo atual, o que acabará por lhes acontecer é terem um modo de vida que é um misto entre um bantustão de uma África do Sul dividida e um campo de concentração do tipo dos da Segunda Guerra Mundial. Tal plano só irá alimentar ainda mais, e trazer para muito mais perto da realidade, o Armagedão que, mesmo antes do presidente Trump e do primeiro-ministro Netanyahu apresentarem ao mundo o seu mais recente plano de “paz” kamikaze mal concebido, os cientistas e pensadores mais eminentes do mundo já tinham anunciado no seu Boletim dos Cientistas Atómicos, alertando para o quão próxima está do apocalipse a natureza precária e instável do mundo. Como resultado, ajustaram o Relógio do Dia do Juízo Final, usado como uma metáfora para designar o fim do mundo, para avançar perigosamente para apenas 90 segundos antes da meia-noite. Só podemos imaginar agora como esse chamado “Plano de Paz” fará avançar ainda mais os ponteiros do relógio, sendo o seu pêndulo como que uma espada de Dâmocles avançando cada vez mais ameaçadoramente para a meia-noite.

Mas é como tentar argumentar com uma parede. Talvez não haja mais motivos para continuar a discutir e debater os acertos ou erros do novo plano da América e de Israel a ser depois imposto à Palestina e aos palestinianos; ou debater as incontáveis violações das decisões do Conselho de Segurança da ONU e a revogação de leis e acordos internacionais, como Estados separados mas iguais entre Israel e Palestina, ou o “Direito de Regresso” dos palestinianos para retornar ao seu antigo direito por nascimento, que Israel flagrante e impunemente desrespeitou nos últimos setenta anos e que violou grosseiramente os direitos civis e humanos dos palestinianos e o direito inerente ao Estado da Palestina a existir como um estado livre e independente. Ambos continuarão a ser vitimados pelas arrogantes políticas de apartheid de Israel, porque a maioria dos democratas e republicanos no sistema político americano e os seus cidadãos as apoiam financeira, moral, política e militarmente sem questionar.

A decisão unilateral dos Estados Unidos e de Israel de disporem do destino da Palestina e dos povos palestinianos talvez possa ser mais bem caracterizada como a Solução Final para o Problema Palestiniano . A maioria dos americanos e judeus, sob os regimes de Trump e Netanyahu, parece ter o mesmo ódio aos palestinianos e desconhecer, ou ser indiferente ao seu destino, tanto quanto os alemães comuns o eram sobre o destino dos judeus durante a Segunda Guerra Mundial sob os regimes de Hitler, Mussolini e outros líderes europeus que os odiavam igualmente na mesma medida.

Fonte: https://www.counterpunch.org/2020/02/06/the-final-solution-for-palestine/, publicado em 2020/02/06, acedido em 2020/02/15

Tradução do inglês de TAM

 

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