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Georges Gastaud (PRCF)

 

Mas isso não nos impede de considerar, porque estes são os factos, que, neste caso como em muitos outros (Palestina, América Latina, Iémen, “sanções” contra a Rússia, chantagem permanente contra a China...), o principal inimigo da paz, da soberania das nações e da livre cooperação entre os povos é claramente o imperialismo americano e todos os seus vassalos.

 

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Depois de assinar um acordo com a UE e os EUA, que estipulava o fim das sanções económicas contra o Irão em troca de uma regulamentação pública das suas atividades de energia nuclear, Teerão sofreu a recusa violenta por parte de Trump da assinatura dos Estados Unidos (ele fez a mesma coisa a propósito do acordo climático de Paris e, também, das relações com Cuba, onde um princípio de normalização desencadeado por Obama e Raul Castro foi denunciado, com sérias consequências para o povo cubano).

Claro que a UE, logo, a França, não se retiraram oficialmente do acordo nuclear com o Irão. Mas os monopólios capitalistas europeus, que temem as leis extraterritoriais ilegalmente postas em prática por Washington, renegaram os seus compromissos comerciais com o Irão, de tal modo que, hoje, sem dizer uma palavra, Teerão teria de sofrer uma dupla pena: limitação dos seus esforços de enriquecimento nuclear e pesadas sanções dos norte-americanos estrangulando a sua economia, com a cumplicidade vergonhosa dos europeus ...

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Então, percebe-se que o Irão venha anunciar que, não estando Washington nem Bruxelas a honrar a sua parte dos compromissos legais, a República islâmica possa deixar, progressivamente, de cumprir os seus: por que teria de ser apenas ela a manter os compromissos que os americanos renegam oficialmente e que os europeus contornam oficiosamente?

É por isso que os protestos de Le Drian (ministro macronista dos Negócios Estrangeiros) –, reivindicando unilateralmente a Teerão que “cumpra os seus compromissos”, enquanto a sua economia é asfixiada (impossibilidade crescente de vender o seu petróleo, como também é o caso da Venezuela bolivariana!) e o culpado desta situação está claramente em Washington –, são hinos de hipocrisia e covardia: não é apenas o soberania do Irão que a retirada norte-americana viola, é também a do nosso país, sem falar das enormes ameaças à paz quotidianamente ameaçada no Estreito de Ormuz!

Claro que nós, PRCF, somos mais do que críticos do regime iraniano, que matou tantos dos nossos: é bem evidente para os comunistas iranianos e outras forças operárias e progressistas que somos solidários com o país, devemos dizê-lo.

Mas isso não nos impede de considerar, porque estes são os factos, que, neste caso como em muitos outros (Palestina, América Latina, Iémen, “sanções” contra a Rússia, chantagem permanente contra a China...), o principal inimigo da paz, da soberania das nações e da livre cooperação entre os povos é claramente o imperialismo americano e todos os seus vassalos.

 

Fonte: https://www.initiative-communiste.fr/articles/international/bras-de-fer-usa-iran-macron-et-lue-battent-des-records-dhypocrisie/, acedido em 2019/07/16

Tradução do francês de PAT

 

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