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Jaime David Santiago Farías Delva

Sem medo, coloca-se a seguinte pergunta: É possível uma revolução no Chile ou é apenas um conceito usado para o cartel de pseudorrevolucionários?

Realizar mudanças reais requer mais do que apenas boas intenções. Pois os meses passam e o oficialismo, com a sua repressão, consolida o modelo de mercado livre, que manterá as coisas tal como as conhecemos.

 

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Os meses de subversão que o povo do Chile está a experimentar obrigaram-no a fazer perguntas que requerem respostas rápidas, pois, não sendo respondidas o mais rapidamente possível, abrem a possibilidade de um cenário que não agrada à classe dominante no poder, cenário esse que se esforçará por minar.

Os pensamentos, propósitos, crenças e reflexões que nos foram deixados no passado dia 18 de outubro mostram-nos como a subversão de um dos povos mais sofridos da América Latina, o mais ao sul do mundo –, denominado em versos como Santiago da Nova Estremadura (Chile) –, revigorou a máxima que, aparentemente, sustenta o desejo de alcançar o legítimo direito à libertação do povo. Subverter a ordem pública. Subverter um sistema, um modelo, um Estado corrupto e opressor.

A aldeia dos subversivos –, onde coabita ou convive o povo frustrado por séculos de escravidão e trabalhos forçados, em resultado de uma construção social em que a mesma pessoa se autossubmeteu e está hoje sujeita a perseguição e embustes –, disse à elite no poder que basta de abusos.

A classe dominante e o seu modelo económico capitalista, monopolista-financeiro, patriarcal e extrativista estão numa fase que procura fortalecer e recriar os seus métodos e formas de lucro, com o único objetivo de preservar o mercado livre no Chile, opondo-se a isso que os chilenos chamam “o despertar de um povo” e que hoje podemos perfeitamente qualificar como “a subversão dos abusados”.

No entanto, os dias passaram e a sociedade chilena foi posta em xeque pela habilidade da classe política, que representa a oligarquia e a plutocracia chilenas, ávidas de poder e privilégios, realizando um processo constitucional cheio de subterfúgios, dissimulações e argúcias, com o único objetivo de mitigar a subversão do povo, o único caminho que, aparentemente, lhes permitiria alcançar soluções concretas para as reivindicações sociais.

Perante tal cenário e sem uma autêntica resposta daqueles que poderiam organizar a subversão espontânea, o povo chileno, ao que parece, será novamente enganado, como no plebiscito de 1988, com a ideia de que a alegria está a chegar e nunca chegou.

Este é um momento histórico: ou se subverte a ordem na sua totalidade, ou se consolida o modelo, promovendo um estado de bem-estar e um estado empresarial, que, possivelmente, deixará para trás a ideia de Estado subsidiário, mas que manterá a sociedade de mercado. Aqui, muitos dos mal chamados partidos de oposição colocaram as suas fichas nesta forma de sair da crise que o país está a atravessar, confundindo e falsificando os factos, argumentando que é a única maneira de salvar a situação sem derramamento de sangue, mas, em última análise, manterá, na essência, o modelo económico capitalista, patriarcal e extrativista.

Porque luta o Chile? Por uma nova sociedade livre, justa e solidária, ou por reformitas que, com uma nova ou antiga constituição, manterão o modelo?

Sem medo, coloca-se a seguinte pergunta: É possível uma revolução no Chile ou é apenas um conceito usado para o cartel de pseudorrevolucionários?

Realizar mudanças reais requer mais do que apenas boas intenções. Pois os meses passam e o oficialismo, com a sua repressão, consolida o modelo de mercado livre, que manterá as coisas tal como as conhecemos.

Fonte: https://www.telesurtv.net/opinion/Chile-Pinera-y-sus-Leyes-represivas-versus-la-subversion-de-un-pueblo-20200224-0010.html?utm_source=planisys&utm_medium=NewsletterEspa%C3%B1ol&utm_campaign=NewsletterEspa%C3%B1ol&utm_content=39, publicado e acedido em 2020/02/24

Tradução do castelhano de MFO

 

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