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Hannah Daly/The Telegraph

Em anos mais recentes, circulou um impreciso rumor, sugerindo que os proprietários de plantações do sul poderiam comprar escravos com um desconto, após o Dia de Ação de Graças, no século XIX.

 

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Quer saber como a Black Friday [sexta-feira negra] ganhou esse nome? Provavelmente não é o único.

Todos os anos, o famoso fim de semana de vendas, que vem a seguir ao Dia de Ação de Graças e, este ano, começa hoje – 29 de novembro –, vê uma quantidade significativa de compradores dirigir-se às lojas das principais ruas e às marcas on-line, na tentativa de conseguir as melhores ofertas.

Os retalhistas, como a Amazon, Currys PC World, John Lewis e Argos, lançaram um leque de ofertas, com descontos esperados até à Cyber Monday [segunda-feira eletrónica].

No entanto, muitas pessoas desconhecem a história do fenómeno e não fazem ideia da origem do nome, antes de ter sido associado à loucura das compras nas vésperas do Natal.

Do caos do pós-jogo de futebol, em Filadélfia, até às pessoas que cunharam o nome do evento de vendas, eis a história por trás da Black Friday.

As primeiras origens e história

O termo Black Friday foi, de facto, associado primeiro à crise financeira, não às vendas a retalho.

Dois financeiros da Wall Street, Jim Fisk e Jay Gould, compraram juntos uma quantidade significativa de ouro dos EUA na esperança de que o preço global subisse e, por sua vez, pudessem vendê-lo com enormes lucros.

Na sexta-feira, 24 de setembro de 1869, na que foi chamada Black Friday, o mercado de ouro dos EUA colapsou e as ações de ouro de Fisk e Gould levaram os barões da Wall Street à falência.

Só alguns anos mais tarde, o período pós-Ação de Graças se associou àquele nome.

Histórias da Black Friday

Quando as lojas nos EUA registavam a sua contabilidade à mão, anotavam os lucros a preto e as perdas a vermelho.

Pensa-se que muitas lojas estavam “no vermelho” durante a maior parte do ano, mas, depois, “entravam no preto” no dia seguinte ao Dia de Ação de Graças, quando os compradores compravam uma quantidade significativa de mercadorias com desconto.

Em anos mais recentes, circulou um impreciso rumor, sugerindo que os proprietários de plantações do sul poderiam comprar escravos com um desconto, após o Dia de Ação de Graças, no século XIX.

Quem cunhou o nome Black Friday?

Os agentes da polícia de Filadélfia foram os primeiros a ligar a Black Friday ao período pós-Ação de Graças, na década de 1950. Grandes multidões de turistas e compradores chegaram à cidade, no dia seguinte ao Dia de Ação de Graças, para o jogo de futebol entre o Exército e a Marinha, criando o caos, engarrafamentos de trânsito e oportunidades de furto.

Os agentes policiais da cidade não conseguiram gozar o dia de folga e, em vez disso, tiveram de trabalhar longos turnos para controlar a carnificina, usando assim o termo “Black Friday” para se lhe referir.

Como o nome se espalhou por Filadélfia, alguns dos comerciantes e entusiastas da cidade não gostaram das conotações negativas e tentaram, sem sucesso, alterá-lo para “Big Friday” [grande sexta-feira].

Mais tarde, a Black Friday tornou-se conhecida na imprensa, depois de um anúncio ter sido publicado na revista The American Philatelist, em 1966. No final dos anos 1980, o termo era comummente conhecido em todo o país e os retalhistas logo o ligaram às suas vendas pós-Dia da Ação de Graças.

Hoje, a Black Friday é o maior evento de compras e vendas do ano nos EUA, quando muitas lojas cortam os seus preços numa variedade de produtos, a fim de aumentarem os lucros e iniciarem oficialmente a época festiva.

O fenómeno das compras e vendas nos EUA

As compras em novembro eram populares nos EUA antes de os polícias de Filadélfia terem cunhado o termo Black Friday.

O hipermercado Macy's foi o primeiro a anunciar vendas no pós-Dia de Ação de Graças, em 1924, durante o desfile desse dia, em Nova York.

O dia das compras ficou popular ao longo dos anos 1930, embora os retalhistas tenham passado por sacrifícios durante a Grande Depressão.

O presidente Franklin D Roosevelt tomou a decisão de mudar a data do Dia de Ação de Graças para uma semana antes do normal, em 1939, na esperança de que as compras e vendas desenvolvessem a economia dos EUA. Alguns apelidaram esta mudança de “Franksgiving” [Ação de Frank].

Depois de os agentes policiais ligarem a Black Friday ao caos de Filadélfia, a loucura das compras tornou-se mais generalizada nas décadas de 1970 e 1980, com as lojas a atraírem enormes multidões.

Hoje, milhões de americanos percorrem as lojas e pesquisam websites, para procurar as melhores ofertas; os retalhistas, geralmente, continuam as suas vendas durante o fim de semana, concluindo com ofertas apenas on-line na Cyber ​​Monday.

Ao analisar 80 dos 100 principais retalhistas on-line dos EUA, o Adobe Analytics constatou que os gastos on-line na Black Friday de 2018 atingiram US $ 6,2 biliões, sendo dois biliões oriundos de smartphones.

O crescimento da Black Friday no Reino Unido

A gigante do retalho on-line Amazon introduziu o conceito no Reino Unido em 2010, promovendo uma variedade de descontos e promoções para os consumidores.

Em 2013, o supermercado Asda, propriedade da retalhista americana Walmart, fez posteriormente a sua própria venda na Black Friday – venda que resultou no caos, pois os clientes lutavam fisicamente por televisões e aparelhos. Depois disso, a Black Friday cresceu significativamente em todo o Reino Unido, com cada vez mais retalhistas a optarem por realizar eventos de venda.

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Apesar de alguns retalhistas, como a Ikea e a Marks e Spencer, optarem por não se juntarem abertamente à loucura das compras, muitos outros conseguiram dessa forma aumentar os seus lucros.

Em particular, as vendas do fim de semana geraram uma quantidade significativa de lucros on-line, graças, em grande parte, ao surgimento do smartphone e serviços como o clique e acumule.

De acordo com o IMRG, gastou-se 1,49 bilião de libras nos sites de retalho on-line do Reino Unido, na Black Friday de 2018, enquanto a Retail Week [semana de retalho] contabilizou 194 milhões de visitas às páginas de compras e vendas do Reino Unido, em 23 de novembro do ano passado.

A Hitwise também descobriu que a Amazon representava 26% de toda a indústria de retalho, no período entre a Black Friday e a Cyber ​​Week (de segunda-feira, 19 de novembro, até domingo, 25 de novembro).

A Black Friday em todo o mundo

Juntamente com o Reino Unido e os EUA, a Black Friday surgiu em outros países do globo, incluindo o Brasil, a Índia, a França, a Noruega, a Roménia e a Alemanha.

Segundo o Citipost Mail, 6,4 milhões de canadianos fazem férias na Black Friday e muitos vão aos EUA fazer compras – embora isso tenha diminuído nos últimos anos, devido às taxas de câmbio.

No México, chamam à sua versão da Black Friday “El Buen Fin”, que significa “o bom fim”, enquanto nos Emirados Árabes Unidos as lojas reduzem os preços no que chamam de “White Friday” [sexta-feira branca].

É o Black November a nova Black Friday?

A Black Friday tornou-se um importante período para muitos retalhistas, pois esperam que a oferta de descontos aumente os seus lucros.

No entanto, o aumento das exigências do consumidor e a concorrência entre os retalhistas levaram a uma quantidade esmagadora de visitantes aos sites de retalho on-line e ao caos nas grandes lojas de rua.

Para ajudar a melhorar o processo de vendas e de entregas on-line, lidar com a concorrência e satisfazer as necessidades dos clientes, os retalhistas estão agora a optar por fazer as suas vendas num período prolongado, em vez das tradicionais 24 horas.

Nos últimos anos, várias promoções e ofertas começaram nos dias que antecederam a Black Friday, um movimento que foi apelidado de “Black Fiveday” [cinco dias negros].

Sabe-se que alguns retalhistas on-line iniciaram mesmo as suas vendas no início de novembro, continuando no fim de semana da Black Friday e concluindo na Cyber ​​Monday.

Os retalhistas vão provavelmente continuar essa tendência em 2019, principalmente porque as vendas on-line foram maiores nos dias que antecederam a Black Friday, no último ano.

Cyber ​​Monday

Não existe há tanto tempo quanto as Black Friday, mas o desenvolvimento da tecnologia e das compras online levou os retalhistas a criar a Cyber ​​Monday.

O dia marca a continuação das vendas após o Dia de Ação de Graças e a Black Friday, com promoções e descontos exclusivos apenas na Internet. Este ano, cai em 2 de dezembro.

Ellen Davis, vice-presidente sénior da Federação Nacional de Retalho, nos EUA, usou pela primeira vez o nome em 2005, quando notou um aumento nas vendas on-line na segunda-feira após o Dia de Ação de Graças.

De facto, o Adobe Analytics descobriu que foram efetuadas mais compras on-line na Cyber ​​Monday nos EUA, no ano passado, do que na própria Black Friday, com os consumidores americanos a gastar US $ 7,9 biliões.

Fonte: https://www.telegraph.co.uk/black-friday/2019/11/29/black-friday-name-meaning-history-sales-event/, publicado em 2019/11/29, acedido em 2019/12/04

Tradução do inglês de LMS

 

 

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