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Rússia hoje (RT)

A prisão na embaixada equatoriana era muito provável, porque Lenín Moreno já tinha negociado a cabeça de Assange com os EUA”. Rafael Correa, ex-presidente da República do Equador

 

 

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O ex-presidente equatoriano acusou o atual presidente de ser um corrupto e de cometer “um crime que a humanidade jamais esquecerá.

O ex-presidente do Equador, Rafael Correa, reagiu à prisão do ativista Julian Assange e insurgiu-se contra o atual Presidente da República, Lenín Moreno, por permitir que a polícia britânica acedesse à embaixada equatoriana para prender o fundador da Wikileaks.

Em entrevista à RT, o ex-presidente quis precisar que “não foi Rafael Correa que deu asilo a Julian Assange; foi o Estado equatoriano”.

Correa destacou a esse respeito que o seu país “tinha a obrigação, de acordo com o Direito Internacional e com o próprio orgulho nacional, de proteger o seu asilado”. O ex-presidente também denuncia que as autoridades equatorianas permitiram que “uma polícia estrangeira entrasse na embaixada do Equador” para “capturar” o ativista.

Correa recordou que “Assange é, desde o ano passado, cidadão equatoriano”, e, segundo explica, a prisão hoje levada a cabo “não só rompe com  as regras do asilo e o Direito Internacional, mas também com a Constituição equatoriana” algo que Correa qualificou como “sem precedentes” e “indigno”.

Um “dia de luto” para a humanidade

O que aconteceu esta quinta-feira na sede diplomática do Equador, em Londres, transforma este dia, segundo Correa, “num dia de luto para a humanidade”. O ex-presidente equatoriano reconhece, no entanto, que essa operação “era muito provável, porque Moreno já tinha negociado a cabeça de Assange com os EUA”.

Para Correa, o assunto foi “agravado” porque a Wikileaks – com a qual Assange não tem contato, esclareceu –, divulgou documentos sobre presumidos atos de corrupção de Moreno “muito graves.

Por isso, de acordo com Correa: “Moreno vai para a cadeia, mas, antes de ir, quer morrer matando. Entregou Assange à polícia britânica por vingança”.

O ex-presidente exibiu dados da suposta conta secreta da família de Lenín Moreno no Panamá e disse que a sua prisão é “uma questão de tempo”; e pediu ajuda à comunidade internacional, porque “a imprensa equatoriana está a encobri-lo”.

Num explícito tweet, o ex-presidente, pouco tempo antes, referira-se a Moreno como “o maior traidor da história equatoriana e latino-americana”. “Moreno é um corrupto, mas o que ele fez é um crime que a humanidade jamais esquecerá”, concluiu Correa.

Estas palavras constituem a reação imediata de Correa à decisão de retirar o asilo diplomático a Assange, tomada nesta quinta-feira pelo executivo equatoriano.

Lenín Moreno justificou a sua decisão argumentando que o fundador da Wikileaks violou “demasiadas vezes” o acordo de convivência para garantir a sua permanência na Embaixada do Equador em Londres (Reino Unido).

Assange estava refugiado no referido edifício diplomático desde junho de 2012, quando Quito lhe proporcionou asilo político, para evitar que fosse extraditado para a Suécia, onde tem um mandado de prisão sob a acusação de um suposto caso de violência sexual.

O fundador da WikiLeaks acredita que, da Suécia, seria extraditado para os EUA, onde poderia enfrentar a pena de morte devido às publicações no portal. No entanto, Lenín Moreno afirmou ter colocado uma condição específica para a prisão do fundador da WikiLeaks. “Pedi à Grã-Bretanha a garantia de que o senhor Assange não seria extraditado para um país onde pudesse sofrer torturas ou a pena de morte”, disse o presidente.

Entretanto, o ministro do Interior britânico, Sajid Javid, assegurou que o jornalista de origem australiana irá enfrentar a justiça no território do Reino Unido. Por sua vez, o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, declarou que Moscovo “espera que se respeitem os direitos de Assange”, após a sua prisão em Londres.

 

Fonte: https://actualidad.rt.com/actualidad/311328-correa-arresto-assange-lenin-moreno, publicado em 2019/04/11, acedido em 2019/04/13

 

Tradução do castelhano de PAT

 

 

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