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Federação Sindical Mundial (FSM)

26 de outubro de 2018

Como movimento de trabalhadores, chamamos a atenção para o facto de que nenhuma reivindicação sindical ou qualquer avanço social pode ser permanente e estável, enquanto permanecerem e se perpetuarem tropas estrangeiras na nossa pátria e o nosso país permanecer dividido.

 

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Permitam-me que, em nome dos sindicatos PEO, DEV-IS, KTOS, KTOEOS, KTAMS, BES, DAU-SEN e KOOP-SEN [1] que tiveram a iniciativa de convocar esta reunião para a Paz e a Reunificação, dê as boas vindas e agradeça a todos pela participação neste encontro.

A ideia de convocar esta reunião certamente não surgiu do nada. É a continuação de um vasto conjunto de ações comuns para a paz e a reunificação. Nas condições atuais, que se desenvolveram depois da Conferência de Crans Montana [2], estas ações conjuntas devem não apenas continuar, mas  intensificar-se e assumir um caráter de massas ainda mais vincado. Não há dúvidas de que as mobilizações populares organizadas até agora na zona neutra de Ledra Palace [3], com o objetivo de desencadear a intervenção popular e pressionar os dirigentes da comunidade internacional a tornar as conversações produtivas e consolidar avanços, transmitiu uma poderosa mensagem de esperança em várias direções, uma vez que foram citadas pelo próprio Secretário-Geral da ONU, que inscreveu esta mensagem nos relatórios que lhe foram apresentados.

Como movimento de trabalhadores, chamamos a atenção para o facto de que nenhuma reivindicação sindical ou qualquer avanço social pode ser permanente e estável, enquanto permanecerem e se perpetuarem tropas estrangeiras na nossa pátria e o nosso país permanecer dividido. Só através de uma solução justa e viável para o problema de Chipre e no quadro de uma pátria reunificada, pacífica e democrática, é efetivamente possível um futuro promissor para nós e os nossos filhos.

O atual status quo de país dividido é inaceitável e incompatível com os princípios da legislação internacional e europeia e representa um permanente ameaça à paz, segurança e equilíbrio demográfico na nossa ilha.

Estamos firmemente comprometidos com o objetivo que foi incluído nos Acordos de Alto Nível entre as duas comunidades, assim como com as resoluções da ONU para uma Federação bi-comunal e bi-zonal numa base de igualdade política, como foi estabelecido pelos documentos da ONU, no quadro de um Estado reunificado com uma única soberania, cidadania e personalidade internacional. Defendemos um país sem a presença de forças militares estrangeiras, longe de qualquer aliança militar, uma ponte de paz e segurança para toda a nosssa região.

As conversações entre as duas partes do território são o único caminho para um acordo honrado entre as duas comunidades, razão pela qual,  como posição de princípio, temos coerentemente apoiado um método de solução para o problema de Chipre, através de  negociações sérias e produtivas. Temos apoiado ativamente e na prática as atuais negociações entre os chefes das duas comunidades e trabalhado ativa e conjuntamente em ambas as comunidades, para criar as melhores pré-condições possíveis  para a  ajuda dos trabalhadores ao processo e aos líderes, a fim de ser alcançado o objetivo por que temos lutado há tantos anos.

Com certeza que o apoio às negociações e aos negociadores não significa de modo nenhum uma espera passiva e um acompanhamento de longe do processo de negociações. Consideramos que não é esse o nosso papel enquanto representantes dos trabalhadores. Como movimento sindical afirmamo-nos ativa e criativamente defendendo as nossas posições e propostas para que o resultado das negociações e o acordo final para resolução do problema de Chipre contenham os parâmetros que correspondem aos princípios e valores fundamentais que o movimento sindical defende sempre.

Na base desta abordagem, dissemos há aproximadamente 20 anos e reafimamos hoje também a nossa reivindicação comum de que a solução contenha a implementação de um único sistema de emprego e relações laborais, um salário uniforme e um único sistema de segurança social. Também reivindicamos o respeito completo pelo direito de associação, liberdade de organização e livre escolha de emprego em qualquer região de Chipre.

 Caros amigos,

Infelizmente, as conversações não foram concluídas em Crans Montana, pelo que o problema de Chipre é, agora, não só um processo estéril, mas também um impasse muito perigoso. Os cipriotas como um todo, os gregos e os turcos, são aqueles que, em primeiro lugar e de longe, são os mais atingidos, uma vez que, enquanto o problema de Chipre continuar por resolver, é o nosso país que permanece dividido.

A visita e os contactos estabelecidos em Chipre por Mrs. Lute, como enviada especial do secretário-geral da ONU, as reuniões na sede da ONU e o recente relatório enviado pelo secretário-geral ao Conselho de Segurança são a tentativa de fim de linha da parte da comunidade internacional, para recuperar o processo de negociação a partir do momento em que ficou, com o objetivo de obter um resultado positivo e abrir uma via pacífica para a solução do problema de Chipre.

É nossa convicção que este esforço tem de ser bem sucedido, para o bem da nossa pátria comum.

É necessária clareza e determinação na obtenção de uma solução federativa bi-zonal e bi-comunal e uma abordagem responsável e criativa para aplicar corretamente o quadro de seis pontos que o secretário-geral da ONU avançou em Crans Montana.

Será particularmente importante o papel dos líderes das duas comunidades que também são negociadores. Temos expetativas quanto a eles e formulamos reivindicações. Devem estar à altura das circunstâncias e pôr o futuro da nossa pátria comum à frente de tudo o mais. Nenhuma vaidade, nenhuma consideração mesquinha, nem razões a posteriori, quaisquer que sejam, que valham mais do que este futuro.

Esperamos uma posição positiva e construtiva nas negociações, mas também medidas que preparem o povo  para uma solução e a reunificação; medidas que sublinhem os benefícios da solução e tirem o tapete aos nacionalistas e aos comerciantes do medo e da insegurança.

Como movimento de trabalhadores, nunca compactuaremos com a ideia de divisão. Com coerência e determinação, continuaremos a trabalhar juntos para promover a ideia da coabitação pacífica numa pátria reunificada, pacífica e segura.

O tempo é  incrivelmente curto para a reunificação de Chipre, razão pela qual é urgente a necessidade de um novo esforço para recomeçar e receber o apoio determinante dos trabalhadores e da sociedade em geral, com a mais ativa e interveniente participação das massas.

Chegou o tempo de deixar para trás e enterrar finalmente a violência do passado, de acabar com as explosões de nacionalismo e o fanatismo que trouxeram a dor e a separação ao país e ao seu povo. Nós, que temos lutado durante anos contra a divisão e pela reunificação do país, exigimos que o processo que nos levou a Crans Montana, em que toda a gente falava dos últimos passos antes da declaração final, não colapse de novo, mas seja concluído num sentido positivo, que nos leve à paz e à reunificação do país.

A possibilidade do colapso final, nesta altura do processo, também representará um passo em frente na separação e criará condições perigosas para o povo de Chipre, para os cipriotas gregos, os cipriotas turcos, os maronitas, os arménios e os latinos.

Fazendo todo o possível da nossa parte, como cipriotas e trabalhadores que não têm nada a ganhar com sermões nacionalistas e divisionistas, empregaremos todas as nossas forças para que, desta vez, possa haver uma saída positiva.

Estamos ceertos de que o nosso encontro de hoje concordará não só com um quadro político comum, mas também com um programa de iniciativas para que possamos responder o melhor possível às necessidades de uma séria e militante intervenção popular e, também, para manter viva a esperança.

 

Notas

[1] Federação do Trabalho Pan-cipriota, Federação dos Sindicatos Cipriotas Turços, Sindicato dos Professores Primários Turcos (norte), Sindicato dos Professores do Ensino Secundário de Chipre, Sindicato dos Empregados da Administração Pública, Sindicato dos Empregados da Universidade do Mediterrâneo Oriental, Federação dos Sindicatos dos Transportes e Comunicações. 

[2] As conversações para a resolução do problema de Chipre tiveram lugar entre 12 de maio de 2015 e 7 de julho de 2017, quando o presidente da República de Chipre, Nicos Anastasiades, e o presidente de Chipre Norte, Mustafa Akinci, se encontraram pela primeira vez e recomeçaram as conversações de paz. As conversações entraram num impasse quando as duas partes falharam a negociação de um acordo.

Crans Montana é uma municipalidade no cantão sauíço de Vallais.

[3] O Ledra Palace Hotel localiza-se no centro de Nicósia e, até 1974, foi um dos mais luxuosos hotéis da capital. Desde 2004 tem sido o  local de uma Linha Verde que separa as áreas controladas pela República de Chipre, daquelas controladas de facto pela República Turca de Chipre Norte.

 

Fonte: http://www.wftucentral.org/joint-speech-of-the-general-secretary-of-the-pancyprian-federation-of-labour-peo-pambis-kyritsis-and-the-president-of-the-turkish-cypriot-trade-unions-federation-dev-is-hasan-felek-to-the-peace-an/, colocado em 2018/10/26, acedido em 2018/10/27

 

Tradução de TAM

 

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