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Eugénio Rosa

 

Como revelam os dados do INE, no fim do 2.º Trimestre de 2018, mais de meio milhão de trabalhadores portugueses – precisamente 521.000 –, continuavam no desemprego e, destes, apenas 32 em cada 100 recebiam o subsídio de desemprego, o que significava que 68 em cada 100 sobreviviam com ajudas diversas, nomeadamente, da família ou dos amigos.

 

 

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Reflexões necessárias sobre o desemprego em Portugal: 521.000 trabalhadores no desemprego no 2º Trim. 2018 e apenas 32% recebiam subsídio de desemprego. E mais 174.400 trabalhadores que o INE considerou como empregados vivem de “biscates”.

 

O INE acabou de divulgar os números do desemprego em Portugal, no 2.º Trimestre de 2018. E logo a maioria dos média, sem analisar com cuidado os dados divulgados, colocaram em grande “caixa” títulos desta natureza: “Desemprego atinge mínimo dos últimos 14 anos”, criando assim a ilusão, a nível da opinião pública, que o desemprego em Portugal estava a caminho da extinção ou é residual. Ora, a realidade é diferente, como revela uma análise mais atenta dos dados divulgados pelo INE constantes do quadro 1 que não foi feita.

 

Quadro 1 – O elevado desemprego real em Portugal, a reduzida percentagem de desempregados a receber subsídio de desemprego, no 2.º Trimestre de 2018, e o subemprego “forçado”

 

Designação

2.º T - 2018

 

Milhares

1. Desemprego oficial

351,8

2. Inativos disponíveis mas que não procuram emprego (desempregados que não procuraram emprego no período em que foi feito o inquérito e, por esse facto, o INE não os considerou como desempregados, apesar de estarem no desemprego)

169,2

3. Desemprego real (1+2)

521,0

Taxa desemprego oficial (% da População ativa)

6,7%

4. Taxa desemprego real (% da Pop. Ativa +Inativos)

9,1%

5. Desempregados a receber subsídio de desemprego

168

6. Taxa de cobertura do subsídio de desemprego (% de desempregados a receber subsídio) (5:3)

32,2%

7. Subemprego de trabalhadores a tempo parcial forçado (trabalhadores que não conseguiram emprego a tempo completo e tiveram de aceitar biscates)

174,7

Fonte: INE, Inquérito ao Emprego - 2.º trimestre de 2018

 

 

Como revelam os dados do INE, no fim do 2.º Trimestre de 2018, mais de meio milhão de trabalhadores portugueses – precisamente 521.000 –, continuavam no desemprego e, destes, apenas 32 em cada 100 recebiam o subsídio de desemprego, o que significava que 68 em cada 100 sobreviviam com ajudas diversas, nomeadamente, da família ou dos amigos. Para além disso, havia ainda 174.700 que eram considerados pelo INE como empregados, dado estarem na situação de subemprego a tempo parcial “forçado” por não conseguirem arranjar trabalho a tempo completo, ou seja, sobreviviam fundamentalmente de biscates. Se os somarmos aos desempregados reais obtemos 695.700. Esta é a realidade do desemprego e subemprego em Portugal, que a esmagadora maioria dos média não divulga, procurando mesmo ocultá-la.

 

Outra caraterística do emprego em Portugal é a elevada e crescente precariedade. Segundo o INE, no 2.º Trimestre de 2017, o número de trabalhadores com contratos a prazo era de 727,9 mil e no 2.º Trimestre de 2018 já tinha aumentado para 755,5 mil, ou seja, + 27,6 mil (18,6% de todos os trabalhadores por conta de outrem).

 

Baixos salários associados a elevado desemprego e precariedade

 

O quadro 2, com dados do INE, revela a outra face do emprego em Portugal: baixos salários.

 

Quadro 2 – Repartição dos trabalhadores por escalão de rendimento no 2.º Trim.2018

 

Escalão de rendimento salarial mensal líquido

Portugal

Milhares

% do Total

% Acumulada

TOTAL-Trabalhadores por conta de outrem

4 065,0

100,0%

 

Menos de 310 euros

109,1

2,7%

2,7%

De 310 a menos de 600 euros

855,2

21,0%

23,7%

De 600 a menos de 900 euros

1 369,4

33,7%

57,4%

De 900 a menos de 1 200 euros

534,7

13,2%

70,6%

De 1 200 a menos de 1 800 euros

512,7

12,6%

83,2%

De 1 800 a menos de 2 500 euros

141,9

3,5%

86,7%

De 2 500 a menos de 3 000 euros

25,7

0,6%

87,3%

3 000 e mais euros

39,8

1,0%

88,3%

NS/NR

476,4

11,7%

100,0%

Fonte: INE, Inquérito ao Emprego - 2.º trimestre de 2018

 

Como revela o INE, no 2.º Trim. 2018, 57,4% (1.369,4 mil) dos trabalhadores por conta de outrem recebiam um salário mensal líquido inferior a 900€ e, destes, 109.100 recebiam por mês mesmo menos de 310 € para viver. Em 2017, 21,2% dos homens e 30,9% das mulheres recebiam apenas o salário mínimo. Atualmente deve ser muito mais, pois o SMN subiu de 557€ para 580€. É desta realidade que não se fala, mas é importante que estes portugueses não sejam esquecidos na euforia governamental de autoelogios e elogios.

 

Fonte: https://www.eugeniorosa.com/Sites/eugeniorosa.com/Documentos/2018/39-2018-reflexoes-dados-desemprego.pdf?ver=2018-08-09-014859-687&ver=2018-08-09-014859-687, publicado em 2018/08/09 e acedido no mesmo dia.

 

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