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Initiative Communiste – jornal mensal do PRCF

E no caso de Bernie Sanders, que se autodenomina Socialista Democrata, o mais radical dos candidatos ao Partido Democrata, é significativo que o seu principal assessor de política externa critique o Partido Democrata por dar uma ovação de pé a Juan Guaidó no discurso de Trump do Estado da União, sob o argumento de que o golpe de Estado americano na América Latina oferece à Rússia uma abertura para entrar no “nosso hemisfério” (sombras da Doutrina Monroe).

 

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Nos Estados Unidos da América, a corrida presidencial já começou. As primárias democratas começaram em tensão e confusão no Iowa. Bernie Sanders, um candidato que assume o adjetivo socialista aparece à frente , enquanto os bilionários pressionam um jovem candidato para substituir Biden, vice-presidente de Obama, que tem agora dificuldade em iludir. Entrevista com J. Kaye, professor americano. Especialista do movimento social e progressista nos Estados Unidos.

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Entrevista realizada em inglês, em 9 de fevereiro de 2020

 

Iniciativa Comunista: Para a Palestina, Cuba, os patriotas e os progressistas da América Latina, Próximo Oriente ou África, haveria muita diferença se um candidato “democrata” ou “republicano” fosse eleito?

Kaye: Ambos os partidos representam a classe dominante dos EUA e seguem uma agenda imperialista e neoliberal. Ambos procuram manter a hegemonia mundial dos EUA, embora as suas táticas sejam diferentes, pois os democratas procuram manter os seus aliados tradicionais como parceiros júniores, o que é chamado "multilateralismo", enquanto Trump, certo do poder económico e militar esmagador dos EUA em relação ao mundo inteiro, embarcou numa política de ditadura e intimidação, mesmo em relação aos seus anteriores parceiros.

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O compromisso histórico dos palestinianos                                        Plano idealizado

                                                                                                                        por Trump

[1 – Palestina histórica; 2 – Plano de partilha das Nações Unidas; 3 – Linhas fronteiriças aceites pela OLP, em 1988, como um compromisso histórico para a paz]

No que diz respeito à Palestina, a política do governo Trump representa um salto em frente na liquidação de qualquer possibilidade de um Estado palestino viável. Mas isso é apenas uma diferença no ritmo e não na direção do Partido Democrata e, até, das ex-administrações republicanas, que se contentaram em incentivar a sua erosão mais lenta, mas constante.

Quanto a Cuba, há uma tentativa renovada de a estrangular economicamente, em oposição à política de Obama de promover uma “abertura”, facilitando mais viagens dos EUA à ilha – mas o governo Obama pretendia usar essa liberalização para subverter politicamente o sistema cubano. O mesmo objetivo, mas mais subtil.

Na América Latina, com Trump, houve um reforço na política de mudança de regime dos governos de esquerda. Mas isso não é exclusivo de Trump. Devemos lembrar que Hillary Clinton, enquanto secretária de Estado de Obama, orquestrou um golpe nas Honduras. E no caso de Bernie Sanders, que se autodenomina Socialista Democrata, o mais radical dos candidatos ao Partido Democrata, é significativo que o seu principal assessor de política externa critique o Partido Democrata por dar uma ovação de pé a Juan Guaidó no discurso de Trump do Estado da União, sob o argumento de que o golpe de Estado americano na América Latina oferece à Rússia uma abertura para entrar no “nosso hemisfério” (sombras da Doutrina Monroe).

As operações dos EUA na Síria são uma continuação da política de Obama. A intensificação das ameaças ao Irão faz parte da política dos Neoconservadores, parte da política pró-Israel, que gerou muito pouca oposição da parte dos Democratas.

Iniciativa Comunista: Qual é a situação dos trabalhadores e do movimento democrático, em termos sociais, culturais e políticos, nos EUA?

Kaye: A esquerda está em total desordem. O marxismo é, geralmente, considerado desacreditado. A experiência dos antigos países socialistas é vista como totalmente negativa. O número relativamente pequeno dos autodenominados revolucionários está dividido entre trotskistas, maoístas, anarquistas e os que estão à volta do Partido Comunista. A maioria da esquerda é de não-marxistas, essencialmente liberais de esquerda, apoiantes de Bernie Sanders que imaginam, tal como ele, que são socialistas.

Iniciativa Comunista: Existe uma questão política real, do ponto de vista da classe trabalhadora, nas eleições primárias do partido democrata?

Kaye: A classe trabalhadora ainda está adormecida. Os radicais, incluindo os pretensos marxistas, são basicamente da classe média (pequeno-burgueses) que muito pouco se dirigem aos trabalhadores, e muito menos os organizam - especialmente os trabalhadores de cor - e muito pouco fazem na radicalização da sua consciência. Muita gente que se diz de esquerda mantém há muitas décadas um traço eurocêntrico (focado nas necessidades e na experiência dos brancos) . Os afro-americanos militantes, em reação a esse eurocentrismo, adotam um nacionalismo estreito, refletindo também uma orientação da classe média. Muitos deles são o produto dos ganhos económicos e sociais obtidos nas décadas de 1960 e 1970, embora a sua posição na classe média se esteja a tornar cada vez mais frágil. Os latinos, muitos dos quais não estão documentados e, portanto, são politicamente cautelosos, ainda veem as suas circunstâncias como favoráveis, em comparação com a terrível pobreza e insegurança que enfrentam nos países de origem. A grande maioria ainda está a perseguir o “sonho americano”.

Uma das principais manifestações da orientação da classe média dos vários movimentos aqui é a influência desordenada da Academia, que, na ausência de partidos de esquerda fortes, fornece a orientação teórica para ativistas políticos e sociais, especialmente devido à alta percentagem de jovens que frequentam as universidades. Em vez de uma análise de classe, a Academia produziu a teoria da “interseccionalidade”, baseada nas “políticas identitárias”, segundo as quais raça, classe, género, orientação sexual e, em menor grau, idade, deficiência física e mental etc. são tudo identidades que dizem “cruzar-se”. Por que é que se cruzam nunca é explicado. E há um “grande achado”, com base no qual todas as “identidades” se podem unir, sem que nenhuma dessas identidades reivindique prioridade.

Invariavelmente, a classe é sempre excluída da discussão e ninguém ressalta que é o capitalismo que inextricavelmente CONECTA (e não intersseta) os vários tipos de opressão e exploração. Em geral, o marxismo é desprezado por apresentar uma teoria de “reducionismo de classe”.

Além da influência esmagadora da Academia, há o fenómeno das ONG (organizações não governamentais), que desempenha um papel muito mais importante aqui do que em outras partes do mundo. Temos milhares e milhares desses grupos, com milhares e milhares de “diretores executivos” – que exibem orgulhosamente o seu título nos seus cartões de visita. E as ONG às quais presidem recebem financiamentos de fundações que consistem em aglomerações de dinheiro provenientes de empresas e indivíduos ricos (muitos cujas famílias têm histórias bastante sórdidas). Essas fundações, por sua vez, incentivam as ONG a envolverem-se na “advocacia” de uma causa única, para as quais as ONG, naturalmente, estão em dívida e a quem prestam contas (não às massas). É claro que as ONG são mantidas por um curto espaço de tempo, para que, quase todos os anos, tenham de implorar às fundações dinheiro suficiente para mantê-las no ano seguinte. Chamo às fundações o braço esquerdo da classe dominante, financiando movimentos com o objetivo de fazer barulho, passando por ações de luta, que não representem nenhuma ameaça séria ao status quo.

Não estou familiarizado com o ambiente da cultura popular, exceto para dizer que os filmes de grande sucesso de Hollywood, que arrecadam centenas de milhões de dólares nas bilheteiras, se baseiam em personagens de desenhos animados e/ou super-heróis que atendem ao nível emocional dos adolescentes. Há um nível incrível de violência no cinema e na TV, às vezes chegando ao sadismo, estimulado pelos efeitos cada vez mais espetaculares, que acompanham os nossos avanços tecnológicos. E os média sociais – a internet, os telefones inteligentes etc. substituíram a leitura de livros, evitada como uma praga até mesmo por estudantes universitários, que apenas leem o que é necessário para passar nos exames. Assim, o estudo da história sofreu com isso – e o curso de historiador principal (especialista) da universidade decaiu, em termos de escolha pelos alunos, até à posição de ser considerado a menos desejável de todas as especializações. Naturalmente, e em resultado disso, a teoria social sofreu.

Iniciativa Comunista: Acha que realmente existem candidatos democratas que podem representar uma alternativa mais favorável ao movimento dos trabalhadores e ao campo do progresso social e da paz no mundo?

J Kaye: Para responder adequadamente a perguntas sobre os vários candidatos do Partido Democrata, é necessário entender o que é o Partido Democrata, que é o parceiro (e também o rival) dos republicanos – porque existe um SISTEMA bipartidário, em que cada um dos partidos cumpre o papel que lhe é atribuído. (Eu discuti brevemente esta questão no meu livro, que lhe enviei há algum tempo, nas páginas 118-126.) A função do Partido Democrata é a de ser o “menor dos dois males”, para aqueles cujo entendimento político atingiu o nível onde há um entendimento de que ambas os partidos são maus. Portanto, fica à esquerda do Partido Republicano, é mais o partido das reformas liberais, geralmente menos agressivo em relação às aventuras militares (até ao governo Trump). E o seu papel é impedir a formação de um verdadeiro partido dos trabalhadores e oprimidos. Portanto, quando as pessoas formam um terceiro partido ou pensam em votar num terceiro partido, dizem que isso leva simplesmente à eleição dos republicanos. Mas é a teoria dos males menores que é o maior mal. Hoje, porém, existe até a questão de saber se eles cumprem o padrão de ser o mal menor, devido à maior beligerância em relação à Rússia e à China do que a manifestada pelo governo Trump e, portanto, a ameaça maior de que eles possam desencadear uma guerra com esses poderes, se ganharem o poder. São os democratas que lideram a realização da farsa segundo a qual a Rússia interferiu e continua a interferir com a nossa “democracia”, a Rússia, que no julgamento do impeachment foi declarada por um líder do Partido Democrata como a “maior ameaça à nossa segurança e liberdade”. De facto, o processo de impeachment de Trump poderia ter sido benéfico se os democratas o tivessem usado para expor e condenar as ações cruéis, ilegais e perigosas do governo Trump num grande conjunto de questões. Em vez disso, optaram por restringir os motivos de impeachment reduzindo-o ao facto de Trump ter traído a segurança nacional dos EUA por uma vantagem puramente pessoal e partidária. E como é que ele fez isso? Retendo a ajuda aos ucranianos, que estavam a travar uma guerra solitária contra os “agressores” russos – (tudo isso aconteceu, é claro, através de um golpe orquestrado pelos EUA, com a assistência de fascistas ucranianos locais, sob o governo Obama) . Quanto à China, existe unanimidade quanto ao seu status de “inimigo” – a única diferença é que os democratas desejam confrontar a China numa frente unida com os nossos aliados europeus, enquanto Trump acredita que os EUA não precisam de aliados.

Não constitui qualquer consolo para mim, que os EUA mergulhem num confronto nuclear com a Rússia ou a China, ou ambos, e que seja o Partido Democrata mais liberal e reformista a presidir à nossa incineração.

O problema é que a esquerda está distraída com a escolha deste ou daquele candidato do Partido Democrata, ainda presa na teoria do menor dos dois males, quando não sucumbe completamente à ilusão de que é possível vergar o Partido Democrata à sua vontade, ou mesmo assumir o controlo sobre ele. A campanha eleitoral deve ser usada como uma ocasião para expor o Partido Democrata, para apontar a extrema necessidade de pôr em movimento a criação de um novo partido do povo, um partido da classe trabalhadora e, especialmente, da metade inferior da classe trabalhadora que é constituída predominantemente por trabalhadores afro-americanos e latinos. Isso significa realizar reuniões, formais e informais, para discutir essa necessidade e começar a delinear o programa de um tal partido, bem como o seu funcionamento interno.

Entre os candidatos, diz-se que dois estão à esquerda: Bernie Sanders e Elizabeth Warren. Warren, no entanto, é uma firme defensora das necessidades de financiamento do Pentágono. Quanto a Sanders, o seu “socialismo” consiste numa série de reformas liberais que, ao mesmo tempo que cortam os lucros das grandes corporações, de forma alguma desafiam o seu poder. Na verdade, ele não procura minar o sistema, de nenhum modo. Ouvi uma longa apresentação de Sanders, recentemente, na qual ele se limitava a questões domésticas, embora houvesse uma frase na qual ele sugeria que seria mais proveitoso para o governo gastar dinheiro em cuidados de saúde do que nas enormes quantias atualmente alocadas às Forças Armadas.

É claro que, se Sanders vencer a nomeação (apesar de ser contestado pelos poderes constituídos do Partido Democrata), será pintado como comunista, como já foi. E veremos a maior orgia de caça aos vermelhos desde o auge da Guerra Fria. Mas o facto é que, mesmo que Sanders fosse o próprio Lénine, e apesar do enorme poder do cargo de presidente, um poder que, a propósito, se vem expandindo constantemente sob democratas e republicanos, Sanders é apenas parte de um enorme aparelho que tem a capacidade de controlá-lo (ou matá-lo, como fez a Kennedy, se necessário). Mas, para tranquilizar os seus colegas do partido, ele prometeu apoiar qualquer candidato escolhido. Portanto, ele está absolutamente comprometido em apoiar o aparelho, o aparelho da classe dominante que é o Partido Democrata.

Iniciativa Comunista: Como avalia o primeiro mandato de Trump em termos sociais, políticos, culturais e géopolíticos?

Kaye: Responder a essa pergunta com algum grau de abrangência implicaria escrever um livro inteiro. Eu já tinha descrito o que Trump representa na resposta anterior à sua pergunta sobre os eventos de Charlottesville. O registo de Trump confirmou essa análise. Embora o registo doméstico de Trump tenha agradado à elite corporativa e financeira – reduções de impostos para os ricos, desregulamentação em todas as frentes, as suas táticas em relação à política externa, incluindo a política económica externa, têm sido preocupantes para eles, porque representam um afastamento da política externa “multilateralista” que representa o consenso do establishment. As suas políticas comerciais foram muito mais agressivas – tarifas, ameaças de sanções, até mesmo para nossos parceiros – causaram bastante nervosismo dentro da classe dominante. Mas, vendo que a política de Trump parece ter dado frutos e não veio a traduzir-se nas terríveis consequências que eles temiam, a elite cada vez mais se juntou a ele e apoiou essa política – particularmente em relação à China.

A administração de Trump provou ser uma das mais reacionárias da história. O seu narcisismo pessoal, se é que não está próximo da patologia, encaixa-se na arrogância do comportamento imperial dos EUA. Esse comportamento que, como mencionado anteriormente, representa um afastamento da política tradicional dos EUA nas suas táticas e estilo, foi apoiado por uma secção relativamente pequena da classe dominante que acredita que, dada o domínio esmagador do poder económico e militar da UD, Washington não fez girar o seu peso à volta do mundo na proporção do seu poder. Portanto, uma política nova e mais agressiva de tarifas (contra os seus parceiros e os seus “adversários”, intimidação económica, sanções, intensificação dos esforços de mudança de regimes, bem como agressões militares menos caracterizadas por grandes destacamentos de tropas do que pelo o uso de poder aéreo, mísseis, drones e forças especiais. A nova doutrina unilateralista é exemplificada pela retirada dos tratados internacionais de controlo de armas (Irão, mísseis de médio alcance), sabotagem de instituições internacionais como a ONU e a Organização Mundial do Comércio (OMC), ameaças contra a NATO e a UE, abandono da Parceria Transpacífica e insistência em manter relações económicas e diplomáticas estritamente bilaterais. É essa nova estratégia imperialista a que os democratas se opõem, e não ao próprio imperialismo.

Internamente, Trump incentivou os supremacistas brancos, o preconceito anti-imigrante (que é um componente da supremacia branca, uma vez que os imigrantes objetam serem apenas os de cor), glorificou os militares e a polícia em todas as oportunidades (levantando suspeitas sobre uma possível tentativa de golpe na estrada), opôs-se fortemente às tentativas mais tímidas de controle de armas (o que está novamente relacionado com a supremacia branca, porque não se trata realmente de armas, mas de estar preparado para a guerra racial que muitos dos supremacistas brancos acham que está a chegar) e a abolição final do direito das mulheres ao aborto (revertendo uma decisão anterior do Supremo Tribunal para Roe vs. Wade). E Trump, um negacionista da mudança climática, continua a fazer tudo ao seu alcance para apoiar as empresas de combustíveis fósseis, incluindo a indústria do carvão.

Essas são as políticas que o Partido Democrata deveria ter destacado na sua campanha de impeachment, mas, ao contrário, optaram por rebaixá-las amplamente, concentrando-se em Trump como um fantoche de Putin, quando ele fez alguns gestos tímidos em direção a uma aproximação com a Rússia, ou, pelo menos, a uma diminuição das tensões. Os democratas demonizaram incessantemente a Rússia e, em vez de condenar as intervenções americanas em todo o mundo, desviam a atenção para os “provocadores” russos que supostamente estão a interferir na política dos EUA e que alguns Democratas caracterizaram como um “ato de guerra”.

Já descrevi uma parte da política externa de Trump, de que o senhor, sem dúvida, está bastante a par. Ele colocou-se firmemente no campo dos Neoconservadores, cuja política está firmemente ancorada no apoio ao expansionismo israelita. O resultado foi o aumento das tensões internacionais, o perigo de uma guerra mundial, uma guerra que teria consequências cataclísmicas. Mas o que também resultou das políticas de Trump é a criação de um poderoso bloco contra o imperialismo dos EUA, ancorado na aliança estratégica entre a Rússia e a China, e reunindo em torno deles um número crescente de países, tendência que ganhará força à medida que a escolha se tornar cada vez mais gritante entre juntar-se a essa aliança ou desistir inteiramente de sua soberania nacional.

O movimento pela paz aqui ainda é bastante fraco, e surge a questão de saber se, no caso da vitória dos democratas em novembro, o movimento entrará em colapso, como aconteceu no tempo de Obama.

Quanto ao movimento socialista, um genuíno movimento socialista apenas surgirá com o próximo colapso económico, um colapso inevitável e que em breve ocorrerá, como muitos indicadores económicos estão a prever, apesar, ou melhor, como foi demonstrado pela bolha sem precedentes no mercado de ações.

E, portanto, é tarefa daqueles que adotam o marxismo-leninismo, embora em número reduzido no momento, prepararem-se para se fortalecerem ideologicamente, de modo a estarem prontos para treinar o manancial de jovens que procurarão liderança quando chegar crise económica. E será necessário ignorar os cantos de sereia daqueles que, vendo a fraqueza e a fragmentação dos vários partidos “revolucionários”, incluindo alguns que se consideram marxistas-leninistas, apelam à sua unidade numa única organização, apesar das suas profundas diferenças ideológicas.

E, da mesma forma, uma tarefa importante dos verdadeiros marxistas-leninistas, verdadeiros representantes da classe operária, é criticar as várias teorias pequeno-burguesas da moda sobre o socialismo, que estão a ganhar cada vez mais força, sendo que uma das mais populares hoje em dia é a confusão de cooperativas operárias com um sistema socialista.

Dizem que Trump é fascista, que o seu governo é fascista. É verdade que os EUA sob Trump caminham em direção a um estado fascista completo. Isso não é motivo suficiente para votar nos democratas em novembro? O problema é que existem diferentes caminhos para o fascismo. O caminho de Trump é um – mas os democratas estão a levar-nos ao fascismo por outro caminho. A análise comunista clássica diz-nos que o fascismo e a guerra são gémeos. Ao defender um retorno à Guerra Fria e criticar a política externa de Trump DE DIREITA, se os democratas nos levarem a uma grande guerra, o fascismo virá a seguir, sem dúvida. Além disso, o Partido Democrata, tal como os social-democratas na Alemanha, é um fio  demasiado fino para nos agarrarmos para impedir o fascismo. Ao aceitar muitas das premissas do fascismo, na sua subserviência aos interesses dos monopólios, incluindo o chamado “complexo industrial militar”, para confiar nos democratas para barrar o caminho ao fascismo em vez de construir nosso próprio movimento antifascista forte, é um convite ao desastre.

Fonte: https://www.initiative-communiste.fr/articles/international/etats-unis-bilan-de-trump-primaires-democrates-entretien-avec-joe-kaye-specialiste-americain-des-mouvements-sociaux-et-ouvriers/, acedido em 2020/02/18

Tradução do francês (introdução) e inglês de TAM

 

 

 

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