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Ivan Pinheiro *

 

A recente libertação de Jesus Santrich nos alegra, mas não desmobiliza nossa solidariedade!

 

 

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O Supremo Tribunal de Justiça da Colômbia ordenou nesta quarta-feira a liberdade de Jesus Santrich, um dos ex comandantes guerrilheiros das FARC e membro da sua delegação nos diálogos que ocorreram em Havana, com vistas à solução política do conflito armado naquele país. No momento em que escrevo, ele já se encontra em sua residência.

No último 17 de maio, por decisão da Jurisdição Especial de Paz (criada pelos Acordos de Havana, especificamente para o julgamento de envolvidos no conflito), Santrich também havia sido libertado de uma absurda prisão que já durava mais de um ano. Mas, naquele dia, sua liberdade não passou de alguns minutos: imediatamente, o governo Duque/Uribe determinou sua recaptura (que se deu no caminho entre a prisão e sua casa), a pretexto de supostos crimes que teriam sido cometidos por ele após a celebração dos acordos.

A acusação, inverosímil para aqueles que conhecem a trajetória de Jesus Santrich, seus princípios humanistas e ideais revolucionários, e para todos que sabiam da vigilância diuturna com que os serviços de segurança colombianos acompanhavam cada um de seus passos, era de que, uma vez tendo retornado das montanhas e vivendo com a família em Bogotá, passara a se dedicar a contrabando de drogas para os Estados Unidos, pretexto engendrado para justificar sua extradição, solicitada pelo governo deste país.

A justiça específica para os que se envolveram na luta armada decidira por sua liberdade porque não encontrou qualquer prova que justificasse a arbitrária prisão e, consequentemente, o processo de extradição, apoiado pelo governo colombiano, como ocorreu com o também ex-guerrilheiro das Farc, Simón Trinidade, extraditado em 2004 e até hoje preso nos Estados Unidos, sem julgamento concluído.

Na sua recente decisão, o Tribunal Superior de Justiça, sem ainda entrar no mérito da acusação, considerou a promotoria colombiana incompetente para prender e julgar Santrich e avocou o processo respectivo, considerando que o acusado goza de foro qualificado, por ter sido investido legalmente como deputado ao parlamento colombiano, em 2018, não tendo tomado posse ainda, em função da perseguição de que tem sido vítima.

A recente libertação de Jesus Santrich é motivo de grande alegria para todos aqueles que militamos contra o imperialismo e pelo socialismo. Mas não nos permite relaxar na solidariedade a ele especificamente e a todos os militantes que enfrentam a árdua luta contra o estado terrorista colombiano, que transformou o país numa grande base militar dos Estados Unidos e se utiliza do paramilitarismo para assassinar centenas de militantes sociais e ex-guerrilheiros desmobilizados.

O estado colombiano não perdoa Santrich, pela ousadia de denunciar, mesmo do cárcere, a farsa em que os governos Santos e agora Duque/Uribe vêm transformando os Acordos de Havana, tornando-os letra morta. E tem medo de seu exemplo, de sua dignidade e de sua liderança!

Longa vida a Jesus Santrich!

 

* Ivan Pinheiro é membro do Comitê Central do PCB; foi um dos fundadores do Movimento Continental Bolivariano.

Fonte:https://pcb.org.br/portal2/23245/libertacao-de-santrich-reforca-nossa-solidariedade/ , publicado em 2019/05/30, acedido em 2019/05/31

 

 

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