Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]


MAURICIO ESCUELA

O que o Consórcio que Soros controla nunca denunciará é a natureza do sistema que causa a corrupção e a lavagem de dinheiro. Na verdade, esse mecanismo é incentivado pelos próprios bancos, por meio de agências-fantasma em paraísos fiscais. Nenhuma publicação de dados dará conta, no interior da narrativa global, das implicações que tem a concentração de poder em poucas mãos. 1 500 jornais, 1 100 revistas, 9 000 emissoras de rádio, 1 500 emissoras de televisão e 2 400 editoras estão nas mãos de 6 consórcios globais. A dupla Soros / Rothschild sozinha controla mais de 100 meios de comunicação globais, por meio dos quais são criados padrões e linhas de opinião.

 

bd1.jpg

A publicação mais recente de documentos comprometedores - mais de 12 milhões de papéis - implica um rumo geopolítico que vai além da análise de corrupção e lavagem de dinheiro. Qual o peso da publicação dos Pandora Papers, realizada pelo Consórcio Internacional de Jornalistas,  no meio da pandemia do coronavírus? Pelas suas dimensões, é a investigação mais ambiciosa, aprofundada e detalhada da história, na qual participaram vários meios de comunicação globais e mais de 330 políticos foram identificados com negócios secretos e lavagem de dinheiro em mais de 90 países. A demonstração de poder da grande mídia prejudica a política tradicional, os canais de fluxo do capital e as relações próprias do sistema que funcionou durante décadas.

Com mais de 600 jornalistas de 117 países, ao Pandora Papers propõem um redimensionamento do plano da moralidade dos líderes, dirigentes de nível médio, empresários, figuras da moda e cultura de massas. Ninguém está seguro. E essa é a principal mensagem dessas publicações que vêm acontecendo de vez em quando: o sistema, que conhece as  artimanhas de todos, escolhe o momento em que determinado grupo de pessoas não lhe interessam e então revela o que pode prejudicá-las. Essa engenharia tem as suas raízes na estrutura do capital financeiro global, baseada no fluxo descontrolado e na especulação. É, no fundo, um acerto de contas interno, no qual a banca decide afastar aqueles que lhe parecem incómodos de uma forma ou de outra, seja pelas suas decisões políticas ou pelos interesses privados.


A Mão Negra de Soros / Rothschild

Como se sabe, o bilionário financeiro e mega-especulador de origem húngara, George Soros, é famoso por várias vezes ter levado à falência importantes organismos internacionais. Em 1992,   levou o Banco da Inglaterra ao limite  através do jogo e da especulação em ações. O mesmo foi feito com as economias dos países emergentes. Quando os Panama Papers foram produzidos, os WikiLeaks, com aquele poder revelador que possuem, tornou pública a ligação entre o Banco Rothschild, Soros e o Consórcio Internacional de Jornalistas. Em particular, este último foi beneficiado como parte da promoção de uma “sociedade aberta” pela Open Society Foundation. Apesar de terem lidado com um número importante de dados comprometedores, os Panama Papers não tocaram nas grandes estruturas do capital e nos seus principais nomes como os próprios Rockefeller ou os Ford, e muito menos na gestão das fundações de fachada como é o caso da USAID1 e da NED2, ambas a serviço da CIA.

Soros, conforme foi revelado pelo ex-agente Wayne Madsen, é um membro colaborador proeminente da própria Agência Central de Inteligência e um peão essencial no conselho do verdadeiro poder global: os bancos anglo-saxões e sionistas. Agora, o mesmo Consórcio sob o controlo de Soros / Rothschild lança uma enxurrada de dados no meio da pandemia, com dardos envenenados contra os inimigos dos Estados Unidos, especialmente a Rússia e o seu presidente Vladimir Putin.  No tabuleiro de jogo, visa-se o enfraquecimento financeiro das potências concorrentes, para salvar a ordem já agonizante imposta pela Conferência de Breton Woods3 e os Acordos de Ialta4.

A velha ordem que recebeu duros golpes com a pandemia, por um lado beneficia dela mas, por outro lado, verifica-se uma desaceleração acentuada do poder global do lado anglo-saxão em face da ascensão asiática. A hegemonia do dólar está em perigo e a sua credibilidade cai a pique. Um colapso do sistema financeiro não só é possível, mas inevitável ao ritmo em que as mudanças ocorrem, se aprofunda a crise e aumenta o fosso entre os rendimentos. Será preciso ver se os Pandora Papers conseguem desestabilizar os inimigos do Ocidente, a China e a Rússia. Por enquanto, o segredo está em prestar atenção ao poder da mídia para mudar a perceção da verdade política e construir narrativas fabricadas de acordo com as ambições da elite.


Acumulação de capital

O que o Consórcio que Soros controla nunca denunciará é a natureza do sistema que causa a corrupção e a lavagem de dinheiro. Na verdade, esse mecanismo é incentivado pelos próprios bancos, por meio de agências-fantasma em paraísos fiscais. Nenhuma publicação de dados dará conta, no interior da narrativa global, das implicações que tem a concentração de poder em poucas mãos. 1 500 jornais, 1 100 revistas, 9 000 emissoras de rádio, 1 500 emissoras de televisão e 2 400 editoras estão nas mãos de 6 consórcios globais. A dupla Soros / Rothschild sozinha controla mais de 100 meios de comunicação globais, por meio dos quais são criados padrões e linhas de opinião.

Com esse controle, é muito fácil linchar quem discorda, descartá-lo, promover publicações de dados tendenciosos e cujo foco nada prejudica o sistema financeiro. A mensagem que o banco transmite é que tem poder e faz chantagem contra o resto do mundo. O economista alemão Ernst Wolff estima que as publicações de dados têm a ver com uma contração intencional realizada pelos bancos para serem preservados, o que implica redirecionar o fluxo de capitais especulativos dos paraísos fiscais para os centros tradicionais do poder ocidental (Estados Unidos e Europa) evitando assim a continuação do processo de descentralização que pode destruir a hegemonia anglo-saxónica e dar esse lugar à concorrência.

A cadeia de interesses entre os bancos, a mídia e a política tende a tornar-se cada vez mais evidente, ao mesmo tempo que os Estados têm menos poder e os magnatas especuladores têm a possibilidade de decidir sobre os recursos com base na posse de ativos. Os Pandora Papers têm como alvo principal a Rússia, já que Biden e a elite não aceitam os termos da negociação de Putin nem a sua posição firme na Ucrânia. Por sua vez, a liderança russa na Europa ameaça o domínio dos Estados Unidos neste continente desde os acordos de Ialta.


O velho mundo que morre

A ordem financeira é baseada na economia definida na Conferência de Breton Woods1, que estabelece o dólar como moeda mundial, e na geopolítica nos Acordos de Ialta2, que organizam a ordem mundial no Ocidente. Ambos os pilares se sustentam se os Estados Unidos continuarem a ser o centro do fluxo de capitais e a principal potência militar com bases em todo o mundo. A questão é que, com a desaceleração do crescimento industrial no Ocidente, a situação mudou e uma nova ordem é necessária. O valor fictício do dólar já não reflete confiança e faz antever aos acionistas a possibilidade real de um colapso, o que é fatal para a atividade das bolsas. A retirada dos Estados Unidos de diferentes partes do globo lança luz sobre uma hegemonia militar muito cara em termos financeiros, recursos e vidas humanas, que se traduz num desastre para a classe política e a governabilidade do país norte-americano.

Os acordos de Ialta estão postos em xeque após o avanço militar chinês e russo e a sua aliança estratégica na Eurásia. Diferentes regiões estão sob o manto de Pequim ao mesmo tempo que é difícil para Washington manter até boas relações no seu hemisfério devido a diferentes questões, como acordos comerciais, migração e atritos diplomáticos. O poder global redesenha as suas estratégias de dominação a partir dessas transformações da primeira metade do século e parece que a informação, as redes sociais e a mídia serão o novo campo de exercício do controle social.

Para se ter uma ideia do poder da banca sobre quase todos os aspetos, juntamente com os Pandora Papers, outra notícia abala o mundo: a guerra entre a mídia ao serviço do banco Rothschild e Mel Gibson, que deu início à produção de um filme em que revela a força do referido banco sionista e britânico nos últimos séculos. Será Mel o próximo destituído?

(Cuba Sí)

 

1USAID,U.S. Agency for International Development, |  órgão do governo dos Estados Unidos encarregado de distribuir a maior parte da «ajuda externa de caráter civil». É um organismo que segue as diretrizes estratégicas do Departamento de Estado americano. Refira-se, a título de um único exemplo, que "No Peru, entre 1995 e 2000, a USAID foi acusada de apoiar financeiramente um programa de esterilização forçada, implementado durante o governo de Alberto Fujimori. Segundo o Ministério da Saúde do Peru, nesse período 331.600 mulheres e 25.590 homens foram esterilizados.

 2NED, a National Endowment for Democracy [Doações Nacionais para a democracia] (NED), desde há 30 anos tem sido subcontratada para a parte legal das operações ilegais da CIA. Sem despertar suspeitas, pôs em prática a maior rede de corrupção do mundo, subornando sindicatos, associações patronais, partidos políticos, tanto da direita e como da esquerda para defenderem os interesses dos EUA  https://resistir.info/eua/ned_cia.html

3 A Conferência de Breton Woods realizada em julho de 1944, preparando-se para reconstruir o capitalismo mundial enquanto a Segunda Guerra Mundial ainda se espalhava, reuniu um conjunto de delegados de todas as 44 nações aliadas  definiu um sistema de regras, instituições e procedimentos para regular a política económica internacional. Foi criado o Banco Internacional para a Reconstrução e Desenvolvimento (International Bank for Reconstruction and Development, ou BIRD) (mais tarde dividido entre o Banco Mundial e o "Banco para investimentos internacionais") e o Fundo Monetário Internacional (FMI). Essas organizações tornaram-se operacionais em 1946, depois de um número suficiente de países ter ratificado o acordo. O resultado desta conferência traduziu-se no domínio global do imperialismo norteamericano.

As principais disposições do sistema Bretton Woods foram, primeiramente, a obrigação de cada país adotar uma política monetária que mantivesse a taxa de câmbio de suas moedas dentro de uma determinada variação de valor indexado ao dólar —mais ou menos um por cento— cujo valor, por sua vez, estaria ligado ao ouro numa base fixa de 35 dólares por onça Troy, e em segundo lugar, a provisão, pelo FMI, de financiamento para suportar dificuldades temporárias de pagamento. Em 1971, diante de pressões crescentes da procura global de ouro, Richard Nixon, então presidente dos Estados Unidos, suspendeu unilateralmente o sistema de Bretton Woods, cancelando a conversibilidade direta do dólar em ouro.

4A Conferência de Ialta, realizada na estação balneária de Yalta, nas margens do Mar Negro, na Crimeia. Foi a segunda das três conferências em tempo de guerra entre os líderes das principais nações aliadas.

Os chefes de estado dos Estados Unidos (Franklin D. Roosevelt) e da União Soviética (Josef Stalin), e o chefe de governo e primeiro-ministro do Reino Unido (Winston Churchill) reuniram-se  em Ialta para decidir o fim da Segunda Guerra Mundial e a repartição das zonas de influência entre o Oeste e o Leste.

As diretrizes afirmadas nesta reunião determinaram boa parte da ordem durante a Guerra Fria,precisando as zonas de influência e ação dos blocos antagónicos, capitalista e socialista. Contudo, em 1991, após a queda da União Soviética, o ambiente internacional entrou em um período de transição, abandonando estes acordos.

 

Fonte: Publicado e acedido em 2021.10.07

Tradução do castelhano de TAM

https://insurgente.org/mauricio-escuela-el-club-antiglobalista-pandora-papers-chantaje-y-control-social/

 

Print Friendly and PDF

Autoria e outros dados (tags, etc)

Temáticas:



Nota dos Editores

A publicação de qualquer documento neste sítio não implica a nossa total concordância com o seu conteúdo. Poderão mesmo ser publicados documentos com cujo conteúdo não concordamos, mas que julgamos conterem informação importante para a compreensão de determinados problemas.


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.