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JBC (para www.initiative-communiste.fr)

Abandonadas pelos EUA e os seus servos da União Europeia, as forças curdas viraram-se rapidamente para Damasco, com quem já se haviam aliado para retomar a cidade de Alepo aos terroristas islamitas e com quem a aliança tardia não tinha permitido salvar a cidade de Afrin das garras de Erdogan.

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Lançada em 9 de outubro de 2019, a invasão do nordeste da Síria pelo exército turco e as milícias jihadistas de Erdogan foi interrompida pela resistência dos curdos do YPG a defender as cidades de Kobane, Ras Al Ayn ou Qamishli, mas, especialmente, pela deslocação rápida do exército sírio, apoiado pela polícia militar russa, para proteger a fronteira. A Rússia garante, de facto, o acordo alcançado entre Damasco e os dirigentes curdos de Rojava. Depois de ter abandonado, de forma desprezível, o seu aliado curdo, os americanos veem uma boa parte da sua força expedicionária militar encurralada, forçada a ser evacuada apressadamente pelo ar, depois de ter queimado e feito explodir o seu equipamento e as dez ou mais bases militares que ocupavam ilegalmente no norte da Síria. Se a intervenção do exército sírio permite proteger o nordeste da Síria, o exército de Erdogan continua a espalhar a guerra numa ampla faixa ao longo da fronteira sírio-turca, a ocupar a região de Afrin e apoiar milícias islamitas que assolam a região de Idlib.

O exército republicano e a polícia militar russa protegem Manbij, Kobane, Ayn Isa, a autoestrada M4, Tall Tamr, Qamishli e Hasakah da invasão turca.

O exército republicano nunca abandonou o nordeste da Síria. De facto, está presente sem interrupção nas suas bases das cidades de Hasakah e Qamishli, co-habitando com as milícias curdas. Estas, tendo tomado conta, com a ajuda dos EUA, dos campos de petróleo e gás da margem norte do Eufrates, interditavam todo o acesso a grandes áreas do nordeste da Síria ao exército sírio.

Abandonadas pelos EUA e os seus servos da União Europeia, as forças curdas viraram-se rapidamente para Damasco, com quem já se haviam aliado para retomar a cidade de Alepo aos terroristas islamitas e com quem a aliança tardia não tinha permitido salvar a cidade de Afrin das garras de Erdogan.

Assim que o acordo foi assinado, as tropas sírias avançaram para a fronteira norte, mas também para as cidades de Tabka e Raqqa, que tinham de ser protegidas contra o Estado Islâmico, porquanto as forças de segurança curdas tiveram de as abandonar para defender o Curdistão da agressão turca.

Saliente-se que a deslocação do exército sírio, de Manbij a Kobane, foi acompanhada pela polícia militar russa, destacada de forma simbólica, mas garantindo o acordo entre Damasco e os curdos e, principalmente, contribuindo para defender a paz, evitando uma conflagração geral que poderia ocorrer no caso de um confronto direto entre o exército sírio e o exército turco. Lembremos que, bloqueadas durante todo o dia 15 de outubro pela recusa em as deixar passar o Eufrates, as forças russas e sírias conseguiram atingir a cidade de Kobani no dia 16, onde dezenas de milhares de curdos se preparavam para o êxodo, pois a retirada americana abrira a cidade símbolo de resistência contra o Daesh à ocupação pelas milícias islamitas do regime de Erdogan.

Na noite de 16 de outubro, as bandeiras do PKK e da República Árabe da Síria flutuam juntas na cidade de Kobane.

A explicação da operação do exército sírio, apoiado pela Rússia, num mapa.

Os dois mapas seguintes mostram a inversão da situação originada pela intervenção do exército sírio apoiado pela polícia militar russa.

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O Ministério dos Negócios Estrangeiros russo fez saber, depois de condenar a invasão turca, que a Rússia garantiria o acordo entre Damasco e os curdos, por um lado; e, por outro lado, que Moscovo não deixaria a Turquia penetrar mais de 5 km na Síria. Isso corresponde, de facto, a interditar qualquer avanço adicional ao realizado em 16 de outubro pelo exército turco. Sabendo que é pouco provável que Damasco – e, por maioria de razão, Moscovo –, se lancem num confronto direto para, de imediato, empurrar o exército turco para além da fronteira.

O exército americano encurralado e humilhado

Se Pompeo teve de ir com urgência a Ancara para negociar, foi menos para fornecer qualquer tipo de apoio americano aos curdos contra a ofensiva turca, do que para tentar salvar o exército americano de uma humilhação.

O anúncio brutal da retirada das tropas americanas, quando vários milhares de soldados americanos, franceses e britânicos estavam – ilegalmente – na Síria, precipitou a invasão turca. O exército americano viu-se assim cercado no setor de Kobane e da fábrica Lafarge, uma das suas principais bases militares. De um lado, os islamitas turcos, do outro, o avanço para Manbij, a convite dos curdos, do exército sírio e do seu aliado russo.

A 16 de outubro, a fábrica Lafarge estava sob o fogo das vanguardas islamitas turcas, forçando o exército americano a mobilizar a sua força aérea para proteger e evacuar as suas tropas. Antes de, no dia 17, bombardear a sua própria base para a destruir. As formas da retirada americana de Kobane não é por nós conhecida –, foram essas tropas evacuadas pela Turquia? foi este o objeto das negociações urgentes entre Pompeo e Erdogan. Porém, é certo que foi o exército americano que bloqueou a proteção da cidade, durante todo o dia 15, ao exército sírio e russo; atirando, sem dúvida, milhares de famílias curdas para as estradas ...

Sabe-se também que havia tropas francesas destacadas no nordeste da Síria, designadamente, em redor da fábrica Lafarge. Destacamento ilegal e oficioso –, esta guerra nunca foi debatida e votada na Assembleia Nacional. O regime de Macron recusa-se, nesta fase, a indicar o destino dos soldados franceses, também encurralados, nesse setor.

A desprezível retirada do eixo euro-atlântico do nordeste sírio é uma ilustração da derrota infligida ao imperialismo na Síria. Uma derrota que Trump decidiu assumir ao deixar a Síria, enquanto conduzia ofensivas económicas e militares contra a China e o Irão e para esmagar os países independentes da América Latina.

Isso não deve obscurecer o grave perigo e o barril de pólvora que permanece no leste: a Turquia é membro da NATO e nem a UE nem os EUA lhe retiraram o seu estatuto de aliado. A Síria é aliada da Rússia e do Irão. A guerra por procuração entre o Irão, Israel, os EUA e os seus aliados do Golfo prossegue no Iémen e ameaça diretamente o Irão... Neste contexto, uma engrenagem de guerra regional poder descambar em mundial é sempre um perigo ameaçador.

Fonte: https://www.initiative-communiste.fr/articles/international/larmee-syrienne-et-la-russie-securise-le-kurdistan-syrien-contre-linvasion-turque/, publicado em 2019/10/16, acedido a 2019/10/20

Tradução do francês de MFO

 

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