Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]


Partido Comunista da Turquia (PCT)

O efetivo executante é a classe capitalista, que não se importa com mais nada além dos seus lucros; esta ordem social é baseada na exploração. O resultado natural do facto de a nossa economia ser baseada no enriquecimento de uma pequena minoria, em vez de perseguir os interesses sociais e nacionais, não tem outro resultado que não seja entrar em sucessivas crises.

 

Sem Título (54).jpg

O nosso país transformou-se no pátio de monopólios internacionais, empresas e bancos, cujos nomes nem sequer conseguimos pronunciar corretamente.

Isto é resultado das políticas económicas liberais que vêm sendo seguidas há anos.

Fizeram do nosso sangue, suor e lágrimas um presente para os capitalistas estrangeiros, que convidaram para o país dizendo-lhes que “temos mão-de-obra barata”.

Eles saquearam os recursos naturais dizendo que “queimámos florestas, envenenámos rios e ninguém se atreverá a chamar-nos para prestar contas”.

Pilhando os recursos naturais e sociais sem restrições, estabeleceram uma economia de empréstimos que lhes traz lucros extraordinários e têm orgulho no seu crescimento.

Era evidente desde o primeiro dia que eles acabariam por bater numa parede de tijolos, em resultado deste desenvolvimento apodrecido. A economia turca deslizaria para uma crise, mesmo se os Estados Unidos, de forma infame, nela não tivessem interferido.

Os comunistas clarificaram, durante anos, a forma como a economia turca se tornou frágil. Mas o que é a fragilidade? Fragilidade é vulnerabilidade, é ser impotente para resistir contra desenvolvimentos negativos.

Este sistema de exploração – que não tem futuro, que tem sido sustentado pelo esgotamento de todos os recursos e por deixar a economia mais dependente a cada dia que passa –, é frágil.

Este sistema de exploração deixou a Turquia indefesa.

 

Reconhecer o executante

Apontam a administração dos EUA como o agente responsável pela depreciação da lira turca. Isto é verdade. Além de guerras de agressão, golpes e invasões, os Estados Unidos também recorrem a sanções económicas e, até mesmo, a sabotagens, para manterem a sua posição dominante no sistema imperialista.

No entanto, os Estados Unidos não são os únicos responsáveis ​​pela atual crise.

É verdade que o governo do AKP tem responsabilidade na atual crise. As políticas económicas adotadas pelo AKP, que está no poder há 16 anos, reforçaram a exploração, a pilhagem, os saques e as injustiças. Além disso, estas políticas levaram o país a uma profunda crise. Contudo, colocar toda a culpa da atual crise no AKP não corresponde à verdade.

O efetivo executante é a classe capitalista, que não se importa com mais nada além dos seus lucros; esta ordem social é baseada na exploração. O resultado natural do facto de a nossa economia ser baseada no enriquecimento de uma pequena minoria, em vez de perseguir os interesses sociais e nacionais, não tem outro resultado que não seja entrar em sucessivas crises.

 

Levantemo-nos  contra o imperialismo

A Turquia é um membro da NATO. Os Estados Unidos têm bases militares e tropas na Turquia. A Turquia tem estado envolvida em operações militares em vários países, principalmente na Síria, em conjunto com os Estados Unidos e outros países imperialistas. Até ontem, o partido no poder na Turquia gabava-se de sua parceria estratégica com os EUA. Por outro lado, foi o AKP que esteve num clima festivo quando fez progressos no processo de adesão à União Europeia. Os comunistas estão de pé e a lutar contra a NATO, a União Europeia e as bases militares estrangeiras no nosso país, tanto ontem como hoje.

Não se pode lutar contra o imperialismo negociando com ele. Não se pode ser “independente” ao declarar uns países amigos num dia e inimigos no outro dia. O governo do AKP tornou a Turquia um país-chave numa luta dentro do sistema imperialista, que, por sua vez, tornou o país sujeito a todo tipo de operações militares, económicas e políticas. Um país que abençoa os chamados “mercados livres”, que é membro da NATO e candidato a membro da União Europeia está indefeso contra tais operações. O nosso povo deve se levantar-se todo contra o imperialismo e mostrar os saqueadores que temem as “relações tensas com os EUA”, os verdadeiros donos deste país.

 

Orelhas surdas para aqueles que nos pedem para fazer sacrifícios

Aqueles que apenas têm o seu trabalho para vender, para ganhar a vida – os assalariados – são pobres; estão todos os dias expostos à ameaça de serem despedidos. Agora, pedem ao nosso povo para fazer sacrifícios clamando que “estamos todos no mesmo barco”.

Nos próximos dias, começarão a declarar “programas de estabilização”, um após outro. Os monopólios internacionais e os gordos capitalistas chorarão juntos e pedirão sacrifícios, enquanto gerem os seus negócios com prazer, como de costume! Aqueles que põem a Turquia em tal situação e aqueles que acumulam enormes riquezas já começaram a “transformar a crise numa oportunidade”. Não deixaremos que tirem o pão de nossas bocas e tornem as condições de trabalho ainda piores.

Hoje, os trabalhadores e os que labutam são a parte mais vulnerável e mais desorganizada da sociedade. Os saqueadores e o seu governo farão tudo para lançar o ónus da crise sobre os empregados. Temos de nos organizar contra isto.

A máxima “um povo unido nunca será derrotado” deverá ser levada a sério. E temos de perceber que as pessoas desorganizadas estão destinadas ao empobrecimento.

 

Promover a cultura da solidariedade

Devemos erguer-nos contra a pobreza e o desemprego organizando-nos em toda a parte. Temos de nos organizar contra os cortes salariais, contra o aumento do horário de trabalho e contra os despedimentos.

A pobreza, não tendo nada para vender a não ser a própria força de trabalho de cada um, ao ganhar um centavo honesto não tem de que se envergonhar. Pelo contrário, ficar rico explorando os outros, roubando a riqueza social e da natureza é despudor, é crime. Temos de reviver a “cultura da solidariedade”, um dos mais queridos valores do nosso povo que foi abafado, forçado ao esquecimento, pelo reino do dinheiro.

Não devemos ficar surdos à pobreza do nosso vizinho, ao facto do trabalhador ao nosso lado ser despedido.

Os capitalistas estão a juntar-se e também detêm o poder político; a nossa única segurança é nossa organização, a  nossa solidariedade.

 

Mudar a ordem social é um direito incontestado

Antes das eleições de 24 de junho, o Partido Comunista da Turquia disse que “há uma grande crise no horizonte, temos de estar prontos”.

Devemos organizar-nos, estar contra as injustiças, contra os esforços para colocar o fardo da crise sobre os ombros dos trabalhadores e do povo que labuta.

Mais importante ainda, devemos erguer-nos contra esta ordem social que nos condena a operações imperialistas, ao empobrecimento até quase 20% num único dia, ao desemprego e à fome. Não teremos paz neste sistema de exploração. O conforto, a paz, a prosperidade e a abundância nada mais são do que pura fantasia neste sistema. O sistema de exploração é a satisfação de uma pequena minoria.

Esta ordem social tem de ser derrubada de imediato.

O reinado dos capitalistas tem de chegar ao fim.

Partido Comunista da Turquia

13/8/2018

Fonte: http://www.tkp.org.tr/en/aciklamalar/what-should-our-people-do-against-depreciation-our-currency, acedido em 2018/11/14

 

 

Print Friendly and PDF

Autoria e outros dados (tags, etc)



Nota dos Editores

A publicação de qualquer documento neste sítio não implica a nossa total concordância com o seu conteúdo. Poderão mesmo ser publicados documentos com cujo conteúdo não concordamos, mas que julgamos conterem informação importante para a compreensão de determinados problemas.


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.