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Declaração de Léon Landini, Predidente do PRCF, e Georges Gastaud, Secretário nacional – 19 de ma rço de 2019

...há dezenas de anos, e ainda mais depois do Tratado de Maastricht, de 1992, apadrinhado por Chirac e Miterrand, que o nosso povo está a ser agredido sem tréguas, em nome da sacrossanta “construção” euro-atlântica do capital, com o seu cortejo sem fim de deslocalizações industriais, de quebras de direitos sociais sem fim, de privatizações de serviços públicos, do abaixamento do poder de compra do povo, da miséria, de desigualdades e desemprego em massa, de destruição de habitação social e da educação nacional, de atentados contra a soberania nacional e popular, como se viu em 2007 com a violação do Não popular à constituição europeia.

 

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O Polo do Renascimento Comunista em França (PRCF) condena a nova escalada liberticida e fascizante de um poder macroniano cada vez mais detestado pelo povo trabalhador, este poder dos Macron, Castaner e outros como Benalla [1], completamente atiçados por Berlim e por toda a direita versalhesa [2] contra o movimento popular e os Coletes amarelos,  desde os chefes LR [Brasão de Armas da República Francesa, símbolo nacional da França] aos esganiçados permanentes do  Le Point [jornal francês] e do  Valeurs actuelles [Revista semanal francesa]: proibição governamental de manifestação à mínima suspeita de violência “possível”, vigilância policial  sobre os manifestantes presumivelmente violentos  através do ADN (nem a mínima referência ao poder judiciário…), nomeação de um prefeito de polícia conhecido pela sua vontade de os destroçar com um máximo de brutalidade, sem falar da criminalização de todos os Coletes amarelos, das agressões a um deputado da França insubmissa, do recurso, a partir de agora, aos militares da “Sentinela” [3], da qualificação  de “provocadores de motins” aos Coletes amarelos e do emprego de armas fisicamente lesivas, que já mutilaram Coletes amarelos perfeitamente pacíficos como Jérôme Rodriguez.

Não se trata, é claro, de justificar crimes cegos de alguns indivíduos, que não se sabe bem por quem são comandados. Ainda menos de desculpar a equipa no poder, tão incompetente como arrogante e antidemocrática. Mas, sobretudo, é preciso ir ao fundo do problema: há dezenas de anos, e ainda mais depois do Tratado de Maastricht, de 1992, apadrinhado por Chirac e Miterrand, que o nosso povo está a ser agredido sem tréguas, em nome da sacrossanta “construção” euro-atlântica do capital, com o seu cortejo sem fim de deslocalizações industriais, de quebras de direitos sociais sem fim, de privatizações de serviços públicos, do abaixamento do poder de compra do povo, da miséria, de desigualdades e desemprego em massa, de destruição de habitação social e da educação nacional, de atentados contra a soberania nacional e popular, como se viu em 2007 com a violação do Não popular à constituição europeia. Isso é ainda mais verdadeiro quando, para culminar os decénios de destruição “europeia” do país e  fincando-se por antecipação  nos resultados do seu “grande debate” fictício, Macron prepara e acentua para 2019 outras contrarreformas, que tendem a desarticular o que resta da função pública e do seu estatuto, da educação nacional e das reformas de solidariedade intergeracional (“reforma por pontos”).

A imensa cólera popular expressa pelos Coletes amarelos,  continuada também  nas jornadas de luta com  grande repercussão dos dias 19 e 30 de março, é pois, legítima e, pelo contrário, são estes regimes oligárquicos e maaastrichtianos, que desintegram a França e as suas conquistas sociais, que não têm qualquer legitimidade democrática real: o povo trabalhador sabe-o até demais, uma vez que, na segunda volta das eleições de 2017, que deram 80% dos lugares ao partido pró-oligárquico do LAREM [La République em Marche, partido de Macron] , 56% dos eleitores abstiveram-se.

Mais que nunca, para defender as conquistas sociais, as liberdades democráticas e a França popular, é indispensável a convergência da luta dos sindicalistas de classe, militantes progressistas e coletes amarelos: por que não organizar uma grande jornada comum de manifestações e greves, com uma manifestação nacional em Paris para apelar aos trabalhadores e à juventude para desencadearem resolutamente uma greve interprofissional, até que se  consigam as reivindicações? É preciso fazer tudo para que esta exigência salvadora  entre nas lutas do dia 19 e do próximo  30 de março, que se ouça bem alto a palavra de ordem popular “Macron demissão!”, sem recear que ela desagrade aos socialdemocratas e aos estranhos “marxistas” que atacaram Macron, no passado dia 6, para, alegadamente, travar a extrema direita fascisante!

Além disso, é indispensável que todos os militantes verdadeiramente comunistas compreendam a urgência absoluta que o nosso povo tem de reconstruir um partido comunista de combate, portador de uma estratégia de deslegitimização radical da ditadura europeia e da saída  clara, sem tergiversações, da França do euro, da UE, da NATO e do capitalismo. É para isso que os militantes do PRCF trabalham.

 

Notas:

[1] Ex-responsável da segurança de Macron, que foi fotografado a atacar manifestantes no 1º de maio. A publicação  da foto  causou grande escândalo político em França. – NT

[2] Versalheses: apoiantes das forças governamentais que combateram a Comuna. – NT

[3] Corpo militar dependente do Ministério da Defesa, que tem por objetivo lidar com a ameaça terrorista e proteger os “pontos” sensíveis em terra. – NT

 

Fonte: https://www.initiative-communiste.fr/articles/le-regime-macron-prefere-stranguler-les-libertes-plutot-que-de-repondre-aux-revendications-de-justice-sociale-et-de-souverainete-populaire/, acedido em 2019-03-23

 

Tradução do francês de TAM

 

 

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