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Georges Gastaud e Antoine Manessis 

3 de janeiro de 2018

 

Como o chanceler Heinrich Brüning preparou Hitler, como Matteo Renzi preparou Salvini, como Temer preparou Bolsonaro, Macron prepara o pior para o nosso país…

 

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Para que serve o fascismo? Para salvaguardar os interesses do grande capital quando são ameaçados pelos movimentos populares de massas, a fim de quebrar a resistência popular. Como os verdadeiros comunistas são os melhores defensores dos interesses do trabalho contra os, antagónicos, do capital, o fascismo é anticomunista por natureza.

Esta breve referência para explicar a fascização (que é um processo de criação das condições para o fascismo) do poder macronista: perante o movimento popular e igualitário que abalou a aristocracia do dinheiro e os seus “procuradores”, estes  decidem usar não só a fumaça, mas também a matraca.

A fumaça consiste em desenvolver uma massiva campanha de propaganda em torno do “grande debate nacional”, com vista à organização de um referendo sobre múltiplas questões, em que as perguntas e as respostas, quaisquer que sejam, não põem em causa a política do poder e dão uma ilusão, uma máscara democrática, à regressão social e à alienação da soberania do povo. O que não significa que sejamos contra o RIC [referendo de iniciativa cidadã], cujo princípio consta do programa do PRCF [Partido do Renascimento Comunista em França] desde 2011, mas que não temos quaisquer ilusões sobre o que isso significaria fora de uma rutura progressista com a UE e com o poder cada vez mais brutal do grande capital em França.

A regressão social e a alienação da soberania do povo, que são a razão de ser da União Europeia e das pseudoeleições europeias, visam, também, dar uma legitimidade democrática a uma empresa europeísta que é a negação da democracia, concebida como o poder do povo (definição de povo, no Larousse: O maior número, a massa de pessoas, por oposição aos que se distinguem pelo seu nível social e cultural ou por oposição às classes possidentes, à burguesia: Um homem vindo do povo).

Macron, a repressão: violências policiais & justiça de classe

Mas há também a matraca. Sempre mais violenta, cada vez mais presente. Matraca policial e social. Violência policial e social.

A nova “gestão” das manifestações (“gestão”=repressão) consiste em “armadilhar” os manifestantes, cercando-os, impedindo-os de facto de exercer o seu direito constitucional. Técnica de manutenção da “ordem” capitalista, que implica tensão e provocações: os manifestantes encurralados durante horas pela polícia, agredidos, maltratados, acabam por reagir e, então, a BFM, a France 2, Patrick Cohen e Jean-Michel Apathie (cada um com salário mensal de cerca de 30.000 euros), os cães de guarda ao serviço dos possidentes, Macron, Castaner e a sua banda, denunciam a violência dos manifestantes, à semelhança, lamentavelmente, dos líderes confederais de todos os campos, que têm, em conjunto, denunciado a violência dos coletes amarelos num comunicado escandaloso (que não dizia uma palavra sobre a violência do poder)!

Mas não devemos esquecer a violência social: durante as festas de Natal, o poder macronista agrava a caça aos desempregados, considerados preguiçosos e parasitas. Sanções mais duras para os desempregados; entre elas, os candidatos a emprego não poderão mais recusar uma oferta de emprego, pois isso determina uma redução no seu subsídio. Em qualquer caso, arriscarão pesadas sanções. Ora, uma tal medida, forçando as pessoas a aceitar qualquer desqualificação social, aumentará a pressão sobre o mercado de trabalho e fará baixar os salários de todos, que é o objetivo desejado, para além  da poeira para os olhos de “medidas sociais” de Macron concedidas no final de dezembro, sob a pressão da insurreição popular em marcha.

Macron, a fascização

O governo thatcheriano de Macron está, assim, envolvido num processo de fascização, para impor uma violenta política de regressão social ao serviço do grande capital.

Pune os desempregados ou prende o colete amarelo Eric Drouet sem qualquer razão séria, mas enche de biliões os grandes capitalistas, que lançam milhões de mulheres e homens na rua, na precariedade e na miséria.

Com uma base de massas de 18% do eleitorado e, portanto, sem o consentimento do povo, Macron radicaliza-se e escolheu a violência contra os movimentos sociais, trabalhadores ferroviários e coletes amarelos, com a esperança de arrastar atrás de si um grande bloco de direita, liderado por Juppé.

Como o chanceler Heinrich Brüning preparou Hitler, como Matteo Renzi preparou Salvini, como Temer preparou Bolsonaro, Macron prepara o pior para o nosso país e o PRCF fez bem em apelar à abstenção, em 6 de maio de 2017 [1], contrariamente aos Senhores Laurent, Martinez, Hamon (mais alguns desorientados) que o apoiaram, embora com legitimidade, sob o pretexto de barrar Le Pen (que todas as sondagens anunciavam supervencida!).

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Podemos ainda pará-lo se compreendermos bem que, contrariamente aos ursos sábios da social-democracia (PS, Hamon, PCF, Autain, Glucksman ...), Macron não é uma barreira ao fascismo, mas o que permite que o fascismo prepare a sua cama. Se compreendermos que a UE não é a garantia da democracia, mas a putrefação em que o veneno fascista brota.

Macron/Le Pen não são adversários: são as duas garras do torno que destroem as nossas conquistas sociais, a nossa pátria, as nossas vidas e o futuro dos nossos filhos, enquanto preparam a guerra euro-atlântica contra os países emergentes, que ameaçam a dominação dos mestres da NATO.

 

Notas:

[1] Em 7 de maio de 2o17 realizou-se a segunda volta das eleições presidenciais em França, em que Macron foi eleito presidente, com 66,10 % dos votos, tendo Marine Le Pen recebido 33,90%. – NT  

Fonte: https://www.initiative-communiste.fr/articles/prcf/traque-des-chomeurs-arrestation-deric-drouet-loffensive-antisociale-nourrit-la-fascisation-macroniste/, acedido em 2018/01/09

Tradução do francês de PAT

 

 

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