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Nota informativa da Embaixada da Venezuela [remetida a entidades diversas]

A Venezuela … faz a denúncia de que numa área do município de Tona, Departamento do Norte de Santander, República da Colômbia, se encontra neste momento um grupo de 734 mercenários de guerra, formado por cidadãos colombianos e venezuelanos, em fase de treino paramilitar. … Pretende-se simular um ataque da Força Armada Nacional Bolivariana a unidades militares colombianas e, a partir desse facto falso, gerar uma crise militar e passar a uma confrontação binacional, que sirva de pretexto para os planos intervencionistas decididos em Washington e dirigidos pelo Sr. John Bolton.

 

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Lisboa, 13 de dezembro de 2018

Caros destinatários

A Embaixada da República Bolivariana da Venezuela saúda-vos cordialmente e remete informações de interesse, para vosso conhecimento.

A Missão Diplomática venezuelana aproveita a oportunidade para lhes transmitir e assegurar a sua maior estima e distinta consideração.

Embaixada da República Bolivariana da Venezuela

Lisboa

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NOTA INFORMATIVA

O Governo da República Bolivariana da Venezuela informa que, hoje, o cidadão Presidente da República, Nicolás Maduro Moros, numa conferência com os média internacionais, deu conhecimento público de um conjunto de denúncias e informações que revelam a existência de um novo plano para atentar contra a estabilidade democrática, a segurança do Estado e a paz do povo da Venezuela.

A Venezuela teve conhecimento, por confiáveis fontes ​​da inteligência, que o Assessor da Segurança Nacional do governo dos Estados Unidos da América do Norte, John Bolton, assumiu e dirige as operações para um conjunto de ações de força e de natureza terrorista, que incluem o assassinato do Presidente Constitucional da Venezuela, o derrubamento do governo legítimo e a imposição de uma Junta  Transitória de Governo, através de um esquema de intervenção direta na Venezuela.

Este plano conta com a participação e cumplicidade direta do governo da Colômbia e do seu presidente, Iván Duque. A Venezuela teve conhecimento disto por várias fontes e, assim, faz a denúncia de que numa área do município de Tona, Departamento do Norte de Santander, República da Colômbia, se encontra neste momento um grupo de 734 mercenários de guerra, formado por cidadãos colombianos e venezuelanos, em fase de treino paramilitar.

O objetivo deste grupo é fabricar um incidente de falsa bandeira (falso positivo), na fronteira entre a Venezuela e a Colômbia. Pretende-se simular um ataque da Força Armada Nacional Bolivariana a unidades militares colombianas e, a partir desse facto falso, gerar uma crise militar e passar a uma confrontação binacional, que sirva de pretexto para os planos intervencionistas decididos em Washington e dirigidos pelo Sr. John Bolton.

A Venezuela teve conhecimento de que na base militar estadunidense de Tolemaida, localizada no município de Cundinamarca, a apenas 112 quilómetros de Bogotá, e na base aérea de Eglin, a sudoeste de Valparaíso, no condado de Okaloosa, estado da Flórida, também se realizam atividades de planificação, preparação e treino para uma ação militar e paramilitar na Venezuela.

Várias fontes da inteligência confirmaram à Venezuela a mesmo informação: nestas instalações militares treinam-se, atualmente, grupos de forças especiais para uma agressão cirúrgica contra bases aéreas e militares venezuelanas. O seu objetivo é desembarcar, tomar e neutralizar a base aérea Libertador de Palo Negro, localizada a 120 km de Caracas, no estado de Aragua, a base naval de Puerto Cabello, no estado de Carabobo, e a base aérea de Barcelona, ​​no estado de Anzoátegui, no leste do país.

O presidente da Venezuela exigiu ao governo da Colômbia e ao Congresso dos EUA que investiguem estas denúncias.

Se o governo colombiano estivesse de boa fé poderia investigar e capturar em menos de uma hora os mercenários que se estão a treinar neste município colombiano”, disse o presidente Maduro.

Também disse: “Se houvesse justiça nos Estados Unidos, o Congresso deveria investigar isto a fundo. O mesmo deveria fazer a imprensa desse país; eles têm formas e fontes para confirmar tudo isto. Não estou a falar por falar, e não vou apenas falar depois de acontecerem graves incidentes”.

A Venezuela alerta para a atitude sem precedentes do governo da Colômbia, que se recusa a falar com o governo da Venezuela, apesar dos repetidos apelos da nossa Chancelaria. O presidente Iván Duque ordenou que se fechassem todos os canais de comunicação, diplomáticos e políticos, que as nações e os governos são obrigados a manter sob qualquer circunstância, em benefício dos seus povos. A Venezuela só pode atribuir esta irresponsável conduta ao compromisso que o presidente Duque selou com os planos militares de agressão da administração Trump contra a Venezuela.

John Bolton transformou a Colômbia na base das suas operações contra a Venezuela. A Colômbia prepara-se para participar numa agressão à Venezuela e, por isso, recusa-se a manter uma mínima e razoável comunicação diplomática.

Da mesma forma, o Governo da Venezuela denuncia que o plano do Assessor da Segurança Nacional dos EUA inclui o envolvimento da República Federativa do Brasil numa operação militar e violenta contra a Venezuela.

A Venezuela chama a atenção da comunidade internacional e rejeita, de forma  contundente, as perigosas e aventureiras declarações do vice-presidente eleito do Brasil, general Hamilton Mourao, que anuncia próximos eventos violentos na Venezuela e, em geral, repudia a retórica militarista e agressiva de personagens ligadas diretamente ao governo de Jair Bolsonaro.

O Presidente da República Bolivariana da Venezuela faz votos para que as forças militares da Colômbia e do Brasil não se deixam arrastar para uma confrontação fratricida ou se prestam a participar nos planos de agressão dos EUA contra o povo venezuelano.

O Presidente da Venezuela denuncia igualmente que, por pressões de John Bolton, subiram de 40 para 120 milhões de dólares os fundos secretos do Governo dos EUA destinados a operações encobertas na Venezuela e ao suborno de oficiais militares, para que adiram às ações golpistas e inconstitucionais. Para esta atividade mercenária, o Governo dos EUA usa um ex-oficial da Força Armada Venezuelana, de nome Oswaldo Valentín García Palomo, requerido pelo crime de traição à pátria.

A Venezuela repudia esta nova tentativa de agressão à sua estabilidade democrática, à paz e ao direito à autodeterminação do povo de Venezuela.

A política de “mudança de regime”, iniciada há cerca de 20 anos e acelerada por Barack Obama e Donald Trump, fracassará novamente. Mas, dada a gravidade destas informações e o perigo para o povo, a sociedade venezuelana e a paz regional, que uma agressão contra a Venezuela pressupõe, o presidente Maduro considera oportuno trazer estes factos ao conhecimento da comunidade internacional, para alertar sobre os planos em marcha.

Apesar desta nova agressão por parte da administração Trump, a Venezuela reitera a sua disponibilidade para um diálogo franco, sincero e respeitoso com o Presidente dos EUA, para abordar o estado das relações entre ambas as nações e a procura de fórmulas de entendimento e convivência.

A Venezuela vencerá esta nova conspiração. “Falamos para alertar o país e o mundo e afirmar-lhes que a Venezuela está de pé. A democracia venezuelana não vai retroceder. Os venezuelanos não se vão ajoelhar nem se vão render, antes vão lutar e garantir a paz e a democracia na Venezuela”, afirmou o presidente Maduro.

Durante a conferência de imprensa, o presidente Maduro defendeu a política de resolução pacífica dos conflitos, a atitude dialogante da Venezuela em matéria internacional e a sua política defensiva em assuntos militares e de segurança
nacional. “A Venezuela nunca atacará nenhuma nação ou qualquer povo. Nunca o fizemos na nossa história, nem o faremos agora. Mas equivocam-se tragicamente os que acreditam que podem atacar a Venezuela de forma impune. O que pensam? Que esta terra não tem quem a defenda? Que não se enganem, porque lhes vamos dar uma lição que não vão esquecer durante mil anos! Vamos dar uma lição de dignidade e também de força aos loucos da ultradireita, sejam eles do Brasil, da Colômbia, ou de onde quer que sejam!”, declarou sem rodeios o presidente Nicolás Maduro.

Os tempos coloniais passaram. A Venezuela não se curvará perante os que pretendem impor o neocolonialismo. Estamos nos tempos da independência, da democracia e da liberdade. “Não nos ajoelhamos. Não nos rendemos, nem hoje nem nunca, que o saiba o Império norte-americano e a Casa Branca!”, disse o presidente Maduro na conferência de imprensa.

O próximo 10 de janeiro de 2019 inicia, de forma legítima e constitucional, o novo período presidencial. Foi a decisão soberana do povo da Venezuela e fá-la-emos respeitar. A Venezuela continuará a vencer todas as conspirações, no caminho da paz e da democracia.

 

Tradução do castelhano de MFO

 

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