Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]


Initiative Communiste – Revista mensal do PRCF (Polo do Renascimento Comunista em França)

Estas eleições confirmam, mais do que nunca, a necessidade de uma real alternativa ao falso “duelo” e verdadeiro duo Macron-Le Pen, em 2022, um duo programado pelos média às ordens dos que temem um questionamento de uma macronia cada vez mais desacreditada … e que não esconde mais o seu rosto reacionário e fascizante. Também demonstram a impotência das formações de esquerda alinhadas com o PS e o EELV, condenadas a um papel de afirmação com as formações europeístas e anticomunistas, abandonando totalmente a luta por uma genuína mudança social e democrática.

 

Sem Título.jpg

A primeira volta das eleições regionais e departamentais, ocorridas no domingo, 20 de junho de 2021, marca o grande fiasco da chamada “democracia liberal. Na verdade, dois em cada três eleitores “ignoraram as urnas”, levando assim à maior taxa de abstenção da história em eleições nacionais. Já os cães de guarda (“sondagistas”, editoriocratas, “jornalistas” às ordens, “académicos” falsificadores…) se sucedem para, pela enésima vez, explicar os motivos da forte abstenção. Os média dominantes, totalmente desacreditados, não param de colocar na sua agenda os temas da direita reacionária e fascista (insegurança, imigração, Islão) e de repetir à saciedade que a segunda volta das eleições presidenciais oporá Macron a Le Pen.

Esta antepenúltima paródia de “democracia”, para além do coronavírus, da “dificuldade de leitura” dos resultados, de um desinteresse pela política, resulta essencialmente da tomada de consciência, constantemente afirmada, da impotência e da corrupção dos partidos estabelecidos e da ausência de soberania nacional e popular, após todos os traidores parlamentares terem decidido, em fevereiro de 2008, aprovar o Tratado de Lisboa, rejeitado três anos antes sob o nome de “Tratado Constitucional para a Europa”. Além disso, o poderoso levantamento dos coletes amarelos, a crescente radicalização das bases sindicais hostis ao “diálogo social” e às outras baboseiras veiculadas pelas direções confederais euro-mutantes (CGT incluída) e a repulsa pela “política profissional” são outros tantos elementos que demonstram a rejeição franca e massiva da pseudo “democracia liberal” e das aspirações a uma República verdadeiramente democrática e popular.

Isso não impede que os cabeças de cartaz de tudo o que os trabalhadores e os cidadãos abominam (LREM-MODEM-UDI, RN, LR, PS, EELV [1], etc.) continuem com a mixórdia que ninguém mais quer: não entendem nada!

Além disso, confirma-se o grande descrédito de “La République En Miettes [2], humilhada em Hauts-de-France e esmagada em todo o país – salvo a exceção do Centre-Val de Loire –, testemunhando uma recusa muito forte dos cidadãos e dos trabalhadores em serem governados pela grande tartufaria macronista. Da mesma forma, confirma-se o facto de que a abstenção não faz o jogo do RN, mas, bem pelo contrário, sanciona-o. E com razão: como se pode acreditar num partido europeísta, capitalista, atlantista e que não está minimamente preocupado com as condições de vida dos trabalhadores por trás de discursos que só sabem visar os trabalhadores imigrados e nunca os exploradores capitalistas – a começar pelo MEDEF ?! Os únicos vencedores são alguns cabeças de cartaz LR ou ex-LR e, particularmente, Xavier Bertrand, que se posiciona cada vez mais como uma alternativa credível para a burguesia capitalista, europeísta e atlantista, caso esta não queira mais Macron e não queira Le Pen.

Estas eleições também confirmam a fraqueza da “esquerda” estabelecida, apesar de alguns resultados que mais se assemelham a um prémio para os que abandonam locais, como no Centre-Val de Loire. Isso não impede os “socialistas” e “ecologistas” de falarem de bons resultados e se prepararem, desde já, para transformar o LREM ou o LR em “barragem antifascista”, no caso de risco (muito reduzido) de uma região cair nas mãos do RN. Esta espécie de mixórdia não poderá iludir-nos, especialmente quando vemos que a “união da esquerda” em Hauts-de-France é incapaz de rivalizar com Xavier Bertrand e o RN.

Quanto à La France insoumise (LFI) [3], afunda-se, literalmente. É evidente que, apesar dos muitos avisos do Polo do Renascimento Comunista em França (PRCF), em várias cartas abertas, a LFI manteve a sua suicidária linha euro-compatível, simbolizada pela presença do europeísta e antichavista Manon Aubry junto de um desanimado Jean- Luc Mélenchon, no momento do seu discurso. Passaremos sobre a intervenção de Fabien Roussel que se felicita pelo avanço das “listas sociais e ecológicas”, preparando-se desde já a validar a posteriori as alianças com os partidos federalistas, europeístas, capitalistas e atlantistas que são o PS e o EELV, que adotaram a vergonhosa resolução do Parlamento Europeu de 19 de setembro de 2019, que iguala o comunismo ao nazismo.

Estas eleições confirmam, mais do que nunca, a necessidade de uma real alternativa ao falso “duelo” e verdadeiro duo Macron-Le Pen, em 2022, um duo programado pelos média às ordens dos que temem um questionamento de uma macronia cada vez mais desacreditada – como testemunha o miserável resultado de Laurent Pietraswezski em Hauts-de-France, o “senhor reformas” do governo – e que não esconde mais o seu rosto reacionário e fascizante. Também demonstram a impotência das formações de esquerda alinhadas com o PS e o EELV, condenadas a um papel de afirmação com as formações europeístas e anticomunistas, abandonando totalmente a luta por uma genuína mudança social e democrática.

Uma mudança que só pode passar pela luta contra a crescente fascização e o capitalismo euro-atlântico, exigindo mais do que nunca o fim do euro, da UE, da NATO e do capitalismo, principais bloqueios à soberania nacional e popular e ao estabelecimento de uma República una e indivisível, social e laica, soberana e democrática, fraterna e pacífica, na qual os cidadãos – e, em particular, os trabalhadores – finalmente exerceriam de facto o poder, liberto de toda a feudalidade política e económica.

Uma mudança que requer o renascimento de um Partido Comunista francamente marxista-leninista e o estabelecimento de um novo CNR [4] antifascista, patriótico, popular e ecologista, unindo os comunistas, os insubmissos, os progressistas e patriotas sinceramente antifascistas, os sindicalistas de combate, os trabalhadores, os coletes amarelos e todos os oprimidos desejosos de quebrar todas as correntes que escravizam a soberania nacional e popular.

Uma mudança proposta pelo Polo do Renascimento Comunista em França (PRCF), que apresenta Fadi Kassem como líder de uma Alternativa Vermelha e Tricolor para 2022, cuja censura nos média não poderá resistir sempre ao crescente acolhimento positivo dos cidadãos e dos trabalhadores, a fim de chegarem os “novos dias felizes” de que tanto necessitamos!

Notas

[1] LREM – sigla de La Republique En Marche, partido fundado em 2016 pelo atual presidente da França, Emmanuel Macron.  MODEM – acrónimo de Mouvement Démocrate, partido criado em 2007. UDI – acrónimo de Union des démocrates et indépendants, partido criado em 2012.  RN – sigla de Rassemblement National, partido criado em 1972 com o nome de Front National, que manteve até junho de 2018. LR – sigla de Les Républicains, partido criado em 2015. PS – sigla de Parti Socialiste, partido criado em 1969. EELV – sigla de Europe Écologie les Verts, partido criado em 2010. – NT

[2] La République En Miettes [A República Em Migalhas] – trocadilho com La Republique En Marche (LRPM), partido do atual presidente da França. – NT

[3] La France insoumise [A França insubmissa] é um partido/movimento político francês formado em 2016 por Jean-Luc Mélenchon com o objetivo de ser eleito presidente em 2017.

[4] CNRConseil National de la Résistance [Conselho Nacional da Resistência], era o corpo que dirigia e coordenava os diferentes movimentos da Resistência francesa na II Guerra Mundial, a partir de meados de 1943.

Fonte: https://www.initiative-communiste.fr/articles/prcf/premier-tour-des-elections-regionales-et-departementales-la-democratie-liberale-discreditee-la-gauche-demantelee-lalternative-rouge-et-tricolore-a-preparer/, acedido em 2021/06/21

Tradução do francês de MFO

 

Print Friendly and PDF

Autoria e outros dados (tags, etc)



Nota dos Editores

A publicação de qualquer documento neste sítio não implica a nossa total concordância com o seu conteúdo. Poderão mesmo ser publicados documentos com cujo conteúdo não concordamos, mas que julgamos conterem informação importante para a compreensão de determinados problemas.


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.