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Partido Comunista do México (PCM)

Soberania, para o governo López Obrador, significa defender os interesses dos monopólios mexicanos, sem se importar com os direitos dos trabalhadores, que são desrespeitados nesse tratado imperialista [T-MEC ou USMCA].

 

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Os acordos antimigrantes de Donald Trump e López Obrador

Os governos dos EUA e do México expressaram, através do Departamento de Estado dos EUA, um reforço da política anti-imigração, depois de uma ópera bufa em que, por um lado, se ameaçava com medidas aduaneiras e, por outro, com uma onda de patriotismo. No final, depois da farsa encenada, o objetivo real da negociação ficou claro.

No mesmo dia em que no Senado do México começou a discussão final, para aprovação do T-MEC ou USMCA [1] (nova versão do NAFTA [2], em vigor desde 1994), o presidente Trump anunciou que, em retaliação à fraqueza do governo mexicano na questão migratória, seriam impostas tarifas aduaneiras às exportações do México. Desde dezembro, está colocada a questão de fazer do México um “terceiro país seguro”.

O governo e o próprio Presidente López Obrador fizeram, a partir desse momento, apelos à “unidade nacional” em defesa da soberania; o que não passa de pura demagogia, pois, ao mesmo tempo, o T-MEC e outras medidas de colaboração continuam, como o envio de tropas mexicanas para participar, com o Comando Sul dos EUA, nos exercícios Tradewinds19.

Soberania, para o governo López Obrador, significa defender os interesses dos monopólios mexicanos, sem se importar com os direitos dos trabalhadores, que são desrespeitados nesse tratado imperialista.

Mas as conversações entre Pompeo, chefe do Departamento de Estado dos EUA, e Ebrad, secretário das Relações Exteriores do México, mostraram finalmente que o que está em curso é um pacto interestatal contra os migrantes.  Não se conhecendo os factos que podem vir a ocorrer nos próximos dias, não se descarta a aplicação da política do “terceiro país seguro”, pois, com os factos conhecidos da parte pública do acordo migratório já estão presentes várias das suas características.

O Departamento de Estado dos EUA anunciou que a Guarda Nacional do México conterá o fluxo migratório na sua fronteira sul, e o nosso país converter-se-á – para os que conseguirem passar – numa espécie de campo de detenção onde os migrantes deverão esperar antes de conhecer a sua situação migratória. Os EUA apoiarão as medidas do governo mexicano nesse sentido: judiciais, policiais e “sociais”. Imediatamente, a Guarda Nacional mobiliza 6.000 elementos para a fronteira sul, para a militarizar, e detêm alguns ativistas solidários com as caravanas de migrantes, para os quais exigimos a sua imediata libertação. A espetacular exibição da Guarda Nacional soma-se à presença permanente do Exército Nacional, da Polícia Federal e dos agentes do Instituto Nacional da Migração. Tudo a agravar a situação dos trabalhadores migrantes, já brutalizados pelo aumento das prisões e deportações, batidas policiais em hotéis e parques, uso do paramilitarismo e separação de famílias.

Este acordo anti-imigração é festejado por todos os monopólios, câmaras empresariais e partidos burgueses. A “unidade nacional” manifesta-se em defesa dos interesses da burguesia; e o tal anunciado encontro em defesa da soberania, realizado em Tijuana, é para ondular a bandeira do “livre comércio”, para fazer elogios ao T-MEC e ao Plano Integral de Desenvolvimento, eufemismo para referir a exportação de capitais dos monopólios mexicanos para a América Central. Assim se presta um importante serviço ao início da campanha para a reeleição de Trump.

Tais medidas de ambos os governos são contrárias aos interesses da classe operária de toda a América do Norte: sejam trabalhadores canadenses, dos  EUA, do México, ou migrantes, na sua maioria da América Central; pelo que, não só temos de lutar contra tal política anti-imigração e realizar a mais ampla solidariedade com os trabalhadores de outras nacionalidades, na sua passagem pelo México, mas também coordenar ações, com os partidos comunistas e operários da região, para lutar contra o USMCA e em defesa dos interesses da classe operária.

Proletários de todos os países, uni-vos!

A Comissão Política do Comité Central

 

Notas

[1] T-MEC ou USMCA: Acordo entre os EUA, México e Canadá (em inglês: United States–Mexico–Canada Agreement, USMCA/CUSMA; em espanhol: Tratado entre México, Estados Unidos y Canadá, T-MEC). – NT

[2] NAFTA: acrónimo de North American Free Trade Agreement [Tratado Norte-Americano de Comércio Livre]. O T-MEC/USMCA, que substituiu aquele Tratado, também tem sido referenciado como “NAFTA 2.0”.

Fonte: http://www.comunistas-mexicanos.org/partido-comunista-de-mexico/2215-rechazamos-los-acuerdos-antimigrantes-de-donald-trump-y-lopez-obrador, publicado em 2019/06/10, acedido em 2019/06/31

Tradução do castelhano de PAT

 

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