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Coligação RESPOSTA – Declaração

A Venezuela possui as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo. O fantoche Juan Guaidó prometeu reabrir os campos de petróleo da Venezuela à Exxon Mobil, à Chevron e a outros gigantescos monopólios de petróleo que os controlavam. Já antes vimos este filme – muitas vezes.

 

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O esforço da administração Trump para efetuar uma imediata mudança de regime na Venezuela, através de uma violenta divisão nas forças armadas, fracassou. Mas o seu objetivo e a sua agressão não pararam. Estão a entrar numa segunda fase, baseada na intensificação das sanções contra a Venezuela, procurando estrangular a sua economia. A estratégia é a de enfraquecer e isolar o país e alargar o descontentamento, através do sofrimento do povo, e permitir que as possibilidades de mudança e intervenção do regime amadureçam com o tempo. As sanções não são uma alternativa à guerra – são um método de guerra, que prepara o palco para a ação militar.

 

Isto torna a Marcha Nacional de 16 de Março, em Washington, que rejeitará em alta voz e com grande participação as sanções contra a Venezuela, cada vez mais urgente e necessária.

Washington já confiscou os ativos norte-americanos da nacionalizada indústria petrolífera da Venezuela, a PDVSA, que é responsável por 90% das receitas de exportação do país. Escandalosamente, a administração Trump anunciou que só entregará os bens apreendidos ao seu escolhido e não eleito novo “presidente”, Juan Guaidó, um político antes desconhecido de um partido intimamente associado à violência de rua da extrema-direita.

As muitas sanções dos EUA à Venezuela bloqueiam as normais relações comerciais, não só entre os dois países, mas também entre a Venezuela e outros Estados. Devido ao seu domínio do sistema bancário internacional, o Departamento do Tesouro dos EUA impõe unilateralmente enormes multas a bancos estrangeiros e empresas que façam negócios com países sancionados pelos EUA, existindo agora 30, em variados graus. Poucos dos média corporativos reconhecerão o papel devastador que isso tem, no sufocar de um país no acesso ao crédito, que é necessário para se envolver em quase todo o comércio global. Ser efetivamente excluído do sistema bancário mundial torna o comércio quase impossível.

Por que a Venezuela tem de pagar por muitas importações necessárias em “moedas fortes” estrangeiras, a apreensão desses ativos nos Estados Unidos, na Grã-Bretanha, no Canadá e em outros países é especialmente grave. O Banco de Londres está, por exemplo, a recusar permissão para que a Venezuela tenha acesso e retire 1,2 mil milhões de dólares em ouro que aí detém – ouro que representa o sangue, o suor e o trabalho do povo venezuelano. Imaginem só quanto isto poderia comprar para satisfazer necessidades vitais.

Desde o surgimento da Revolução Bolivariana, há duas décadas, as exportações de petróleo da Venezuela têm sido usadas para financiar uma vasta gama de programas de habitação, saúde, nutrição, alfabetização e outros, que tiraram milhões de venezuelanos da pobreza. Agora, esses programas estão ameaçados pelas sanções dos EUA e outras formas de guerra económica, que têm sido desenvolvidas sob as administrações de Obama e de Trump. Pretenderam acelerar os problemas financeiros do país decorrentes dos abruptos declínios da receita do petróleo.

Os imperialistas que dirigem a política externa dos EUA fingem estar preocupados com o “bem-estar” do povo venezuelano – como se eles, realmente, se importassem com qualquer povo. Enquanto procuram, ilegalmente, forçar uma pequena quantidade de “ajuda humanitária”, através da fronteira Colômbia-Venezuela, os mesmos líderes dos EUA causaram, milhares de vezes, a perda de alimentos, remédios e outros suprimentos para o país.

 

Petróleo, Sanções, Golpes e Guerra

A Venezuela possui as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo. O fantoche Juan Guaidó prometeu reabrir os campos de petróleo da Venezuela à Exxon Mobil, à Chevron e a outros gigantescos monopólios de petróleo que os controlavam. Já antes vimos este filme – muitas vezes.

Em 1953, a CIA e a inteligência britânica derrubaram o primeiro governo democraticamente eleito no Irão. Dois anos antes, o governo iraniano, liderado por Mohammed Mossadegh, havia nacionalizado os seus campos de petróleo, que o império britânico tinha explorado durante quase meio século. Em resposta, os britânicos e os EUA organizaram sanções, na forma de um boicote internacional ao petróleo iraniano, levando à desestabilização e, finalmente, ao golpe que colocou o Xá, um monarca fantoche, de volta ao trono por mais um quarto de século. Os EUA treinaram a odiada polícia secreta SAVAK, que torturou e assassinou mais de 100.000 iranianos. Os gigantes petrolíferos dos EUA e da Grã-Bretanha ficaram ainda mais ricos com a retomada dos campos de petróleo no Irão.

Em 17 de agosto de 1954, o New York Times celebrou o golpe da CIA: “Países subdesenvolvidos com ricos recursos têm agora uma lição objetiva sobre o alto custo a pagar por um dos seus que enlouquece com o nacionalismo fanático ... É, talvez, esperar muito que a experiência do Irão impedirá o resto de Mossadeghs noutros países, mas essa experiência pode, pelo menos, fortalecer as mãos de líderes mais razoáveis ​​e perspicazes”.

Depois houve a Revolução Cubana, em 1959, que acabou com a virtual propriedade americana da ilha, das ferrovias e serviços públicos, das plantações de cana-de-açúcar, dos resorts e cassinos, do tráfico de drogas e da prostituição. Embora Cuba não tivesse petróleo, era a fonte de imensos lucros para os capitalistas dos EUA, tanto nas atividades à superfície como nas do submundo.

A partir de 1960, os EUA impuseram um bloqueio internacional e centenas de sanções a Cuba, com o objetivo de destruir a sua economia. Com o seu governo revolucionário, Cuba derrotou numerosos ataques organizados pela CIA. Mas o governo cubano calculou que o bloqueio tenha causado mais de US $ 130 mil milhões de prejuízos no desenvolvimento da sua economia, nas últimas seis décadas.

A forma mais extrema de sanções/bloqueio foi a imposta a outro país rico em petróleo, o Iraque, em 1990. O Iraque também fizera parte do império britânico até que uma revolução, em 1959, o libertou. Logo depois, os seus ricos campos de petróleo foram nacionalizados.

Quando o Iraque ocupou o Kuwait, após uma longa disputa entre os dois, os EUA forçaram, através do Conselho de Segurança da ONU, o mais abrangente bloqueio visto nos tempos modernos. O Iraque, como a Venezuela, estava a construir a sua economia, mas ainda dependia muito das exportações de petróleo para comprar alimentos, remédios e todo tipo de bens industriais no mercado mundial. Depois de destruir a maior parte de sua infraestrutura civil, por meio de intensivos bombardeamentos, os EUA e os seus aliados da NATO impuseram um completo bloqueio ao país, executado pelas forças navais, terrestres e aéreas.

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Uma criança iraquiana, nos anos 90, que sofre de disenteria por causa das sanções dos EUA, que impediram a importação de produtos químicos de purificação da água. Os hospitais iraquianos foram privados de medicamentos básicos que teriam tratado tais condições.

 

Morreram mais de dois milhões de iraquianos, de uma população de 26 milhões – mais pelas sanções/bloqueio do que pelas bombas e granadas. Estima-se que metade dos que morreram fossem crianças com menos de cinco anos de idade. Foram novamente aprovadas sanções com uma política de extrema violência, embora não tivessem sido relatadas como tal nos média de propriedade corporativa. O total bloqueio do Iraque durou sete anos, e uma sua versão modificada durante mais seis, culminando finalmente na invasão e ocupação do país, em 2003. Hoje, o petróleo anteriormente nacionalizado foi de novo privatizado; os monopólios do petróleo estão mais uma vez a alimentar-se disso.

Hoje, de alguma forma, mais de 30 países estão sob sanções dos EUA. Praticamente, são sempre os países mais pobres que são sancionados pelos mais ricos e mais poderosos. O governo dos EUA, no entanto, nunca enfrentaram sanções do Conselho de Segurança da ONU, apesar das suas assassinas e ilegais invasões e guerras na Coreia, no Vietname, na América Central, no Médio Oriente e noutros lugares.

O sistema legal internacional é, aqui, muito parecido com o doméstico: os ricos infligem punições aos pobres e chamam a isso de justiça.

 

As sanções não são uma alternativa à guerra; eles são guerra e, se houvesse alguma justiça efetiva, as sanções seriam amplamente entendidas como um crime de guerra.

É nosso dever moral e político enfrentar esta política criminosa. Na Marcha Nacional de 16 de março em Washington, o povo dos Estados Unidos unir-se-á para dizer em voz alta: NÃO às sanções dos EUA contra a Venezuela! Convidamos todas as pessoas de consciência a juntarem-se a nós.

 

Compartilhe esta declaração sobre as sanções em toda parte!

 

Fonte: https://www.answercoalition.org/sanctions_on_venezuela_are_no_alternative_to_war_they_are_war, publicado em 2019/03/05, acedido em 2019/03/08

 

Tradução do inglês de PAT

 

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