Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]


Partido Comunista dos Povos de Espanha (PCPE) - Declaração da Comissão Política

 

A questão essencial a resolver não é se o capitalismo é administrado por um ou outro polo, mas se o sistema capitalista deve ou não ser superado. A disputa parlamentar entre as forças defensoras do sistema burguês não resolverá nenhum dos nossos problemas.

 

 

transferir.png

 

O Partido Comunista dos Povos da Espanha acompanha de perto os acontecimentos que se sucedem no nosso país, no qual ocorre um processo de reorganização do sistema político burguês e é nesse contexto que devem ser analisados os ​​importantes acontecimentos dos últimos dias e a moção de censura anunciada pelo PSOE.

 

A prisão de Eduardo Zaplana e de outras pessoas ligadas política e empresarialmente ao Partido Popular Valenciano, acusadas de branqueamento de capitais provenientes da cobrança ilegal de comissões pela adjudicação de obras públicas, põe de novo em evidência a rede então organizada em torno da construção e obras públicas, em que setores patronais e políticos assalariados utilizaram a nossa terra e o nosso património ambiental para se locupletarem à custa da destruição do país, dos dinheiros públicos e do sofrimento do povo.

 

Por sua vez, a aprovação do Orçamento Geral do Estado para o ano de 2018, com o apoio de Cidadãos, PNV, Coligação das Canárias, União do Povo Navarro, Novas Canárias e Forum Astúrias, permite que a burguesia tenha a estabilidade necessária para continuar a aumentar os seus lucros, saqueando o país e intensificando a exploração e o sofrimento das maiorias populares.

 

As forças políticas burguesas que apoiaram os Orçamento do Governo do Partido Popular representam diferentes setores da burguesia que, defendendo os interesses de uma mesma classe social, demonstram a sua capacidade para compartilhar o orçamento público, independentemente da existência de diferenças pontuais. O caso do PNV, ao apoiar os orçamentos com o artigo 155.º da Constituição em vigor na Catalunha, é o melhor exemplo de que a política burguesa se movimenta sempre a favor dos interesses económicos da classe social que serve.

 

A publicação da Sentença nº 20/2018 da Audiência Nacional, conhecida como o caso Gürtel, confirmando o que o povo conhecia de sobra, atua como combustível para uma mudança nas formas de dominação, que leva tempo para se desenvolver, colocando o governo de Mariano Rajoy numa posição de fraqueza e acentuando a grave crise do Partido Popular. Mas deu-se a conhecer após a aprovação dos Orçamentos Gerais, facilitando assim a aprovação destes e garantindo que as mudanças no quadro político são levadas a cabo mantendo intactos os interesses económicos da burguesia.

 

As últimas pesquisas publicadas confirmam que, como o nosso partido vem sustentando há muito tempo, o velho bipartidarismo foi substituído por um eixo à direita (representado pelo PP e Cidadãos) e um eixo à esquerda (representado pelo PSOE e o Podemos), havendo uma intensa disputa dentro de cada um deles para determinar qual é a força hegemónica e, também, entre os dois, sem excluir outras possibilidades de entendimento, como o de poder realizar-se um acordo entre o PSOE e o Cidadãos. Essas mudanças, ao mesmo tempo que permitem enredar os trabalhadores em falsos debates, dotam o sistema político de uma enorme flexibilidade para enfrentar as novas convulsões económicas e sociais que estão para vir. Os dois eixos políticos em que se articula o debate parlamentar discordam nas nuances e nas formas de gestão, mas estão ferreamente unidos na defesa do capitalismo, na defesa da exploração sofrida pela classe operária e as grandes maiorias populares.

 

A questão essencial a resolver não é se o capitalismo é administrado por um ou outro polo, mas se o sistema capitalista deve ou não ser superado. A disputa parlamentar entre as forças defensoras do sistema burguês não resolverá nenhum dos nossos problemas. Independentemente do resultado da moção de censura anunciada pelo PSOE, ou das forças que podem apoiá-la, a exploração irá prosseguir e intensificar-se-á, pois nos laboratórios da classe dominante preparam-se novas medidas antioperárias e antipopulares, para que uma ínfima minoria continue a acumular riquezas à custa do nosso trabalho e do nosso sofrimento.

 

A intensificação da luta operária dos últimos meses deve continuar, porque é o único caminho seguro para defender os nossos direitos e conquistar novas posições. Só a luta independente dos trabalhadores no âmbito organizativo, político e ideológico dará resultados. Ninguém se deve deixar arrastar pelas forças burguesas, ninguém deve lutar sob bandeiras alheias.

 

Apelamos à intensificação da luta sindical, na perspetiva da Greve Geral, independentemente do que possa acontecer no quadro parlamentar e de quem representa o poder dos capitalistas. Apelamos aos trabalhadores para que apoiem maciçamente as convocatórias sindicais e as dotem de contundência e perspetiva política.

 

Apelamos à politização de todas as lutas, ao fortalecimento das posições da classe operária, à sua organização combativa nos sindicatos e no Partido Comunista. Não é tempo de conciliação, mas sim de intensificar a luta de classes, perante os acontecimentos que aí vêm.

 

Por um país para a classe operária!

 

Comissão política do PCPE

25 de maio de 2018

 

Fonte: publicado em http://www.partido-comunista.es/comunicados-centrales/declaracion-del-buro-politico-del-pcpe-ante-la-situacion-politica-creada-pais/, acedido em 2018/06/01

Tradução do castelhano de MFO

 

Print Friendly and PDF

Autoria e outros dados (tags, etc)



Nota dos Editores

A publicação de qualquer documento neste sítio não implica a nossa total concordância com o seu conteúdo. Poderão mesmo ser publicados documentos com cujo conteúdo não concordamos, mas que julgamos conterem informação importante para a compreensão de determinados problemas.


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.