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Polo do Renascimento Comunista em França (PRCF)

Para nós, marxistas-leninistas, é nosso dever fazer prova de lucidez e de verdade perante os acontecimentos e fazer uma leitura de classe. Acabar com ilusões e mistificações só pode reforçar o movimento em direção ao renascimento comunista, a construção do partido leninista do nosso tempo, que é a condição necessária para uma perspetiva de vitória para as forças operárias, progressistas e patrióticas do nosso país.

 

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Um primeiro comentário do PRCRF – 10 de outubro de 2018

 

Os membros do PCF-PEE votaram a favor do “manifesto do Partido comunista do século XXI”, elaborado e apresentado por um conjunto heterogéneo: a comissão económica do PCF, laboratório ideológico da mutação e do reformismo sindical, o deputado André Chassaigne e os comunistas da Rede Fazer Viver e Reforçar o PCF, que se reclamam do marxismo.

Nós dissemos, no fundamental, o que pensamos deste Manifesto, cujas indefinição e afirmações – que mandam para trás das costas a análise de classe –, vão na continuidade da direção mutante de P. Laurent, com expressões como “fracasso da URSS” e “Queremos mudar a Europa para um outra globalização”.

Lendo com atenção os dois textos pode perguntar-se se uma fusão não seria possível, como já dizem desejar os animadores das duas principais correntes. Obviamente, sobre bases reformistas e euroconstrutivas; o único ponto que, sem dúvida, poderá levantar um problema entre eles é o relatório à França Insubmissa.

Recusa defender uma saída do euro e da UE, que é a peça central do dispositivo do grande capital; recusa condenar o antissovietismo, lançando fora o bebé com a água do banho (o texto Chassaigne fala do “fracasso da URSS” e nada diz sobre a monstruosa traição de Gorbatchev, para invocar apenas este aspeto do principal facto que determina a nossa época: a contrarrevolução!); recusa a referência, no entanto existencial, a um verdadeiro partido comunista, leninista (o único texto apresentado, que falava do marxismo e do leninismo, o de Paris-XV, obteve 7,5% dos votos, o que diz muito sobre as evoluções ideológicas dentro do PCF ...); recusa a solidariedade internacionalista em relação aos partidos comunistas ameaçados de proibição, como o PC da Polónia ou dos países progressistas à mercê do imperialismo ...; todos estes elementos e muitos outros não permitem, em qualquer caso, que nos iludamos sobre a transformação de uma revolução palaciana – levando eventualmente ao poder um líder nortista que vai na esteira do mutante Bocquet, onde um grupo substitui outro muito desgastado para executar a mesma política –, num renascimento do Partido Comunista. Se ninguém, entre os comunistas, deveria chorar perante a bofetada a P. Laurent e seus acólitos, seria um profundo erro acreditar que da indefinição, do casamento da carpa e do coelho, pode sair um novo Congresso de Tours [2]. Tours foi exatamente o oposto, uma clarificação em torno das 21 condições da IC [Internacional Comunista]. Não se trata, sequer, de um tosco compromisso entre os reformistas e os revolucionários, pois nem Chassaigne nem Laurent desejam romper com o Partido da Esquerda Europeia, na direção do qual figura Tsipras, o homem que acaba de tentar proibir a greve na Grécia! Lembremo-nos que nunca houve uma Internacional dois e meio sustentável na história!

O PCF foi demolido pedra a pedra – sem trocadilhos – pela mutação antecedida do deletério eurocomunismo dos anos 70. O sobressalto dos militantes verdadeiramente comunistas do PCF – e eles existem – seria esterilizado se “se mudasse tudo para que nada mude”. É sobre a questão de fundo, as posições, as ações e o caráter de classe das análises e perspetivas políticas assumidas pela organização que se pode julgar a natureza da mudança e não numa aposta, perdida de antemão, de que desta agitação emergiria o Partido Comunista de que tanto precisamos.

Além disso, como Lénine nos mostrou, o oportunismo de direita e de esquerda reforçam-se mutuamente: a recusa reformista do partido leninista leva à recusa sectária da política de Frente, ao isolamento e à derrota. Pois a política de Frente implica um Partido Comunista capaz de desempenhar o papel de direção da classe operária, em particular dentro e fora da luta de classe. E para fazer isto não chega constatar, o que é uma evidência, que a França insubmissa não pode, em nenhum caso, substituir a reconstrução de um verdadeiro partido comunista; é preciso levar a cabo uma campanha junto da classe operária pelo Frexit progressista, para que emirja uma ampla frente, para tirar o nosso país da morte do euro/UE/NATO.

Compromissos e sectarismo andam de mãos dadas.

Para nós, marxistas-leninistas, é nosso dever fazer prova de lucidez e de verdade perante os acontecimentos e fazer uma leitura de classe. Acabar com ilusões e mistificações só pode reforçar o movimento em direção ao renascimento comunista, a construção do partido leninista do nosso tempo, que é a condição necessária para uma perspetiva de vitória para as forças operárias, progressistas e patrióticas do nosso país.

É por isso que o PRCF organizará muito em breve uma Volta à França do Frexit progressista, onde serão bem-vindos todos os comunistas que não só querem caracterizar a “identidade” de uma organização seriamente degradada e desacreditada, mas também construir uma alternativa antifascista, patriótica, progressista e anti-imperialista.

E para isso – muito claramente e sem mudar a mutação em semimutação –, construir um todo conjunto para expulsar Macron e fazer sair a França, pela porta à esquerda, da UE supranacional do capital.

 

Notas

[1] PCF-PEE: Partido Comunista Francês-Partido da Esquerda Europeia. – NE

[2] O Congresso de Tours, realizado entre 25 e 30 de dezembro de 1920, decidiu o ingresso da SFIO [Secção Francesa da Internacional Operária] na Terceira Internacional (Internacional Comunista), o que levou a uma cisão, da qual nasceria a SFIC (Seção Francesa da Internacional Comunista), o futuro Partido Comunista Francês. – NE

 

Fonte: https://www.initiative-communiste.fr/articles/prcf/prcf-le-texte-de-la-direction-du-pcf-pge-mis-en-minorite-mais-aucun-des-deux-textes-en-competition-napporte-de-clarte-politique/, publicado em 2018/10/10, acedido em 2018/10/12

 

Tradução do francês de PAT

 

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