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Partido Comunista do Brasil (PCB) – Nota política

A atual escalada de ataques do imperialismo estadunidense e de seus aliados à Venezuela inclui medidas de bloqueio de recursos financeiros em bancos norte-americanos, confisco de ouro depositado no Banco da Inglaterra, boicote à importação de alimentos e medicamentos, forte ofensiva ideológica na mídia internacional contra o governo de Maduro, além de movimentações militares de posicionamento de tropas norte-americanas em bases militares no Caribe. No plano interno, é evidente a presença de “militantes” financiados via Miami para sabotar o regime.

 

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O imperialismo foi parcialmente derrotado no último dia 24 de fevereiro, quando os golpistas não conseguiram implementar a estratégia da “ajuda humanitária” e invadir o país para derrubar Maduro e destruir o processo bolivariano. O circo montado pelo governo Trump, através da farsa da “ajuda humanitária”, expediente utilizado pelos EUA em outros países, como o Iraque, a Líbia e a Síria, para justificar a invasão militar e a espoliação das riquezas naturais, no caso da Venezuela evidencia ainda mais a hipocrisia deste “auxílio”, pois as dificuldades vividas hoje pelo povo venezuelano são decorrentes em grande parte do bloqueio econômico promovido pelos Estados Unidos e seus aliados.

A atual escalada de ataques do imperialismo estadunidense e de seus aliados à Venezuela inclui medidas de bloqueio de recursos financeiros em bancos norte-americanos, confisco de ouro depositado no Banco da Inglaterra, boicote à importação de alimentos e medicamentos, forte ofensiva ideológica na mídia internacional contra o governo de Maduro, além de movimentações militares de posicionamento de tropas norte-americanas em bases militares no Caribe. No plano interno, é evidente a presença de “militantes” financiados via Miami para sabotar o regime.

A escalada se dá no momento em que a extrema-direita chega ao poder no Brasil, em que o neoliberal Macri segue governando na Argentina, em que a direita mais beligerante volta ao governo da Colômbia e em que o conservadorismo e as forças fascistas crescem em vários países europeus, governando em alguns deles.

A ação presente se soma a muitas outras que vêm sendo empreendidas contra o processo bolivariano, que, desde o primeiro governo de Chávez, promove reformas populares, coloca a Venezuela no campo anti-imperialista e a retira do papel de fornecedor de petróleo barato aos Estados Unidos, rompendo a prática adotada pelos governos anteriores há décadas. Assim, o combate ideológico ao governo bolivariano é resultante da clara intenção dos Estados Unidos de retomar o controle sobre as gigantescas reservas petrolíferas e também as de ouro da Venezuela.

A escalada atual é também uma ação direta de Trump, que, ao promover o reposicionamento dos Estados Unidos na economia e na cena política internacional – com o reforço do protecionismo e das posições contrárias a qualquer agenda progressista, como na esfera ambiental – busca manter seus aliados conservadores e reacionários internos com o incremento de ações externas que combinam as estratégias de guerra híbrida com a intimidação e agressão militar, como vem sendo o padrão da postura internacional dos EUA nas últimas décadas, predominante nos casos do Afeganistão, Iraque, da Líbia, Síria e outros.

Os contrapontos a essa ofensiva são, no plano externo, os governos de Cuba, Bolívia, México e Uruguai, que se opõem à agressão militar e buscam uma solução política para a crise, assim como a ação firme da Rússia e da China nos terrenos diplomático, econômico e militar. Os governos do Brasil e do Peru, somente após a clara derrota do movimento golpista, recuaram do posicionamento anterior e declararam-se, na reunião de terça-feira (26/02) do Grupo de Lima, contrários à ação militar na Venezuela. Outros países seguem o mesmo caminho.

No plano interno, ainda que haja insatisfações reais com o desemprego, os baixos salários e o desabastecimento, há também um sentimento de que a oposição pode destruir as conquistas sociais dos últimos 20 anos, obtidas pelo regime bolivarianista, referendadas com a vitória na eleição da Assembleia Constituinte, com a votação consagradora obtida por Maduro e a coligação que o apoia nas últimas eleições presidenciais e para os governos estaduais.

É bastante significativo, também, na população, o sentimento anti-imperialista e anti-EUA. Apesar do massivo apoio dado ao processo bolivariano e ao governo nas seguidas consultas eleitorais e referendos feitos junto à população, a mídia hegemônica capitalista continua chamando o governo Maduro de ditadura, enquanto nada é dito a respeito da Arábia Saudita, dos Emirados e outros países aliados do imperialismo, que são monarquias absolutistas.

A operação de lançar Guaidó como presidente interino autodeclarado foi uma ação articulada pelos Estados Unidos, Colômbia, Brasil e o chamado Grupo de Lima para criar um governo paralelo e um clima de caos interno para a derrubada de Maduro, no qual a farsa da “ajuda humanitária”, com as provocações nas fronteiras da Colômbia e Brasil era uma das principais táticas do plano golpista. No entanto, essa tentativa fracassou em função da mobilização popular e da firme posição das Forças Armadas Bolivarianas.

A saída de Guaidó em helicóptero militar para a Colômbia representa também não só a intromissão do governo de Iván Duque nos assuntos internos da Venezuela e sua submissão rasteira ao imperialismo, mas uma clara traição nacional do fantoche Guaidó, uma vez que ele, cinicamente, defendeu uma intervenção armada dos Estados Unidos na Venezuela.

Fora do país, Guaidó poderá tentar formar um “governo no exílio” ou seguir organizando operações de sabotagem e contrainformação na mídia. Se ficar fora da Venezuela, acabará perdendo a condição de presidente da Assembleia Nacional e de “presidente encarregado” da nação, falso status criado pelos golpistas para forçar a derrubada de Maduro. Se voltar, poderá ser processado e preso por tentativa de golpe e outros crimes.

Apesar de o golpe ter fracassado, os EUA vão seguir no intento de sabotar e isolar politicamente a Venezuela e estrangular sua economia. Não está descartada ainda a possibilidade de uma intervenção armada.

Todavia, é preciso reconhecer que as insatisfações de grande parte da população têm base material. A Venezuela segue importando cerca da metade de tudo o que consome, inclusive os alimentos, e os empresários importadores não têm interesse em mudar esse quadro. Houve poucos avanços na produção industrial e agrícola interna, apesar das várias iniciativas nesse sentido. Há corrupção em vários setores governamentais, os trabalhadores não dirigem as grandes empresas, faltam empregos, e muitos vão para o exterior em busca de trabalho e melhores salários. Mas grande parte dessa conjuntura é resultante do boicote realizado pelos Estados Unidos.

O quadro estrutural e político interno torna-se mais adverso para o povo venezuelano em função das ações de desestabilização empreendidas pelo imperialismo dos EUA, que de forma unilateral e sem qualquer decisão tomada em organismos internacionais, decidiu aplicar sanções econômicas à Venezuela, com o objetivo de provocar uma “crise humanitária” que justifique a invasão militar e a destruição das conquistas sociais obtidas pela Revolução Bolivariana.

Entretanto, mesmo havendo desabastecimento, ninguém passa fome na Venezuela, pois o governo adota políticas emergenciais, como o provimento de cestas básicas, além de garantir a continuidade de importantes conquistas, como a construção de 2 milhões de novas habitações, que atendem a 8 milhões de pessoas (1/4 da população), e a criação de várias universidades públicas. De fato, a vida só melhorou para a imensa maioria da população com Chávez e Maduro.

A Rússia e a China vão seguir apoiando política e economicamente a Venezuela. Mas a hora é de radicalizar o processo revolucionário bolivariano, fazendo avançar as mudanças internas, com a manutenção e o aprofundamento das conquistas sociais, a expropriação dos sabotadores internos da economia, a promoção da reforma agrária, realizando a produção interna para superar a dependência quase absoluta em relação ao petróleo e avançando na construção do poder popular, no rumo do socialismo.

O recado já foi dado pela população venezuelana. Entretanto, a batalha será dura e longa, e o momento exige a solidariedade internacionalista, com a participação, sem subterfúgios, de todos aqueles que têm compromisso com a luta anticapitalista e anti-imperialista. Não há, na conjuntura mundial de hoje, enfrentamento mais importante que este, para derrotar o projeto estadunidense de dominar o continente americano e de exercer, a qualquer custo, o poder hegemônico no espaço considerado pelo governo dos EUA como seu “quintal”. O desenlace deste quadro terá repercussões que ultrapassarão as fronteiras da Venezuela e da América Latina. Está em jogo a defesa da soberania popular e a autodeterminação dos povos.

Todo apoio à Revolução Bolivariana!

Solidariedade militante ao povo da Venezuela!

Abaixo o imperialismo!

Pelo poder popular, rumo ao socialismo!

 

Fonte: https://pcb.org.br/portal2/22458/toda-solidariedade-ao-povo-da-venezuela-abaixo-o-golpe-imperialista/, publicado em 2018/02/28, acedido em 2019/03/02

 

 

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