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JBC, para www.initiative-communiste.fr

Antes das eleições presidenciais na Ucrânia, em muitas cidades do país apareceu a inscrição “Eu quero votar nos comunistas”. Os ucranianos protestam assim contra o facto de o regime de Kiev os ter privado do direito a uma escolha democrática, impedindo os comunistas ucranianos de se candidatarem e violando dessa forma a Constituição.

 

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Eu quero votar nos comunistas – Tag nas paredes durante a eleição presidencial ucraniana

De acordo com os números divulgados pela imprensa ocidental, antes de os votos terem sido comunicados, o atual presidente do regime de Kiev aparece largamente vencido, na noite da eleição presidencial na Ucrânia. Na frente, com larga vantagem, aparece uma personalidade de TV 1+1 –, uma das principais cadeias do país, propriedade do oligarca Kolomoisky. O homem, vedeta de uma série de televisão humorística, foi objeto de uma propaganda massiva na televisão. Na véspera da votação, a 1+1 transmitiu 7 horas dos seus espetáculos. Kolomisky é o antigo governador da região de Dniepropetrovsk e magnata do petróleo. Do seu feudo do Dniepre, financiou o batalhão paramilitar Azov de extrema-direita. Está em conflito com o chefe da junta atual, P Poroschenko, que assumiu o controle do seu banco, em 2016.

O segundo lugar é reivindicado pelas duas figuras seguintes: Timoshenko, uma oligarca do gás durante a revolução laranja, em 2004, e Poroschenko, o oligarca do agroalimentar colocado à frente do regime de Kiev pela UE e os EUA, em 2014.

Na noite da eleição, as acusações de fraude eleitoral multiplicaram-se – já havia 1600 queixas, enquanto a comissão eleitoral reconhecia uma taxa de participação inferior a 50%, tendo inflacionado os cadernos eleitorais em 12%, ao  registar cidadãos da Crimeia e do Donbass. Os muitos cidadãos ucranianos que tiveram de emigrar para ganhar a vida na Rússia foram privados do direito de voto. Condições particularmente favoráveis ​​à fraude eleitoral, tanto mais que o regime de Kiev proibiu a presença de observadores russos.

Os ucranianos votam com os pés e fogem do país

Enquanto a Ucrânia é atingida pelo que o Partido Comunista da Ucrânia (KPU),  através do seu secretário P Simonenko, denuncia como um genocídio social, os ucranianos fogem massivamente do país. Após o golpe de estado, sustentado pelos EUA e pela UE, para instalar uma junta de oligarcas apoiada por milícias de extrema-direita, o país afunda-se na miséria. Os salários entraram em colapso. Quando são pagos. O KPU calculou que, na Ucrânia, os salários em atraso dos trabalhadores, em 1 de março de 2019, totalizavam 2,446 mil milhões de UAH [1]. Na mesma data, a dívida aos funcionários das empresas economicamente ativas totalizava mil e 267,7 milhões de UAH. Um pouco antes, as autoridades ucranianas teriam uma dívida de cerca de 200 milhões de grívnias aos mineiros.

É nestas dramáticas condições económicas, às quais se deve adicionar a repressão política das forças progressistas e antifascistas – e, em primeiro lugar, dos comunistas –, que o regime prossegue a sua guerra contra o Donbass. Uma guerra financiada pela União Europeia, que paga por isso milhares de milhões de euros, enquanto os EUA enviam tropas e armamento para Kiev.

Um em cada quatro trabalhadores ucranianos teve de deixar o país por causa da miséria – 5 milhões de emigrantes económicos, segundo a junta, mas, certamente, muitos mais. Uma grande parte foi para a Rússia, onde vivem 3 milhões de ucranianos.

2 milhões de ucranianos – oficialmente e de acordo com o ministro ucraniano dos Assuntos Sociais – estão imigrados na Polónia. 9 milhões estão exilados no estrangeiro, de forma regular.

Segundo jornalistas da RFI [Rádio França Internacional], é “a maior vaga migratória que a Europa conheceu recentemente”.

Uma vaga de que não ouvirão falar. Os média capitalistas do poder (os dos multimilionários, assim como os que estão diretamente na mão de Macron) preferem derramar a sua propaganda sobre a emigração da Venezuela.

E isso não se vai alterar, já que a Alemanha está a planear aproveitar a crise causada pela UE na Ucrânia para também deitar a mão a esses desesperados imigrantes ucranianos. Em 2020, a Alemanha concederá vistos de trabalho a cidadãos de países terceiros para empregos qualificados. A guerra travada pela União Europeia é também uma guerra contra os salários de todos os trabalhadores europeus. O Salário Mínimo na Ucrânia é de 132 € mensais. Quase 10 vezes menos que em França.

Farsa eleitoral: o Partido Comunista (KPU) banido da eleição.

Antes das eleições presidenciais na Ucrânia, em muitas cidades do país apareceu a inscrição “Eu quero votar nos comunistas”. Os ucranianos protestam assim contra o facto de o regime de Kiev os ter privado do direito a uma escolha democrática, impedindo os comunistas ucranianos de se candidatarem e violando dessa forma a Constituição.

Lembre-se que o candidato do Partido Comunista Ucrânia, Petro Symonenko ,não foi autorizado a participar nas eleições presidenciais na Ucrânia. Viu mesmo recusado o registo da sua candidatura.

 

Notas

[1] UAH (grívnia) é a moeda nacional da Ucrânia – equivale a cerca de 0,033 €. – NT

 

Fontehttps://www.initiative-communiste.fr/articles/europe-capital/ukraine-farce-electorale-les-communistes-interdits-delection-presidentielle/, acedido em 2019/04/01.

 

Tradução do francês de PAT

 

 

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