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Partido Comunista do México (PCM) – Teses do Comité Central

[Este artigo é publicado em 2 partes; hoje, publica-se a primeira]

A existência do Partido Comunista é a única garantia de que a classe operária e o conjunto dos explorados e oprimidos podem romper com as cadeias do capitalismo, tomar o poder e construir o Novo Mundo.

 

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Hoje, dia 7 de novembro, no 102.º aniversário da Grande Revolução Socialista de outubro, o Comité Central do Partido Comunista do México torna públicas as presentes teses “Um século de luta dos comunistas no México”, a propósito do centenário do início da fundação do movimento comunista no México, que foram discutidas e aprovadas, com emendas, no nosso IV plenário. O PCM considera que estas Teses são o início de um rigoroso processo de estudo e análise militantes que, a partir do marxismo-leninismo, é necessário fazer da história e desenvolvimento da história do primeiro Partido Comunista Mexicano, liquidado em 1981, assim como da luta que a classe operária tem vindo a travar para reorganizar o seu Partido Comunista.

Nestas teses, o PCM define a sua posição pela reivindicação do Estado Maior da classe operária: o Partido Comunista, as importantes contribuições dos comunistas no terreno da luta de classes, no movimento sindical e camponês, nos setores populares, nas diversas expressões da arte e da cultura, das lutas democráticas e progressistas no nosso país, da prática do internacionalismo proletário, da luta pelo novo mundo do socialismo-comunismo; tudo isto com o espírito de reconhecer que o primeiro PCM teve sucessos e erros, que deverão ser estudados a fim de retirar lições úteis para o presente período de luta; com isso, o PCM trabalhará para que no ano de 2021 (no centenário do PCM-Secção da Internacional Comunista), haja um maior aprofundamento destas teses.

  1. Cem anos passaram desde que, em 1919, se iniciaram os esforços para organizar a Secção Mexicana da Internacional Comunista, o Partido Comunista do México.

  2. O desenvolvimento do capitalismo no nosso país, acentuado durante o período do liberalismo, acelerou a constituição da classe operária no México, apesar dos diferentes obstáculos que existiam para o desenvolvimento das forças produtivas. No século XIX, a indústria era incipiente e, a esse ritmo, surgia o proletariado – e, portanto, os artesãos predominavam entre a classe operária. A ditadura de ferro de Porfirio Díaz, que se prolongou por quase 30 anos, até ser derrubada, em 1910, impediu a formação de sindicatos de classe, reprimiu brutalmente as greves e paralisações, afogando-as em sangue, como na Cananea e no Rio Blanco. As prisões estavam cheias de membros da classe operária e muitos foram assassinados “a frio”. Na impossibilidade de vida sindical, surgiram formas mais limitadas de organizações operárias, como o mutualismo e outras, o que originou que entre o proletariado mexicano predominassem as ideias anarquistas.

  3. As ideias marxistas tiveram então pouca difusão; houve apenas uma edição do Manifesto do Partido Comunista; As importantes obras de Marx e Engels não foram conhecidas no nosso país até ao início da segunda década do século XX. Houve uma tentativa tardia de criar um órganismo ligado à II Internacional: o Partido Socialista do México, liderado pelo social-democrata alemão Pablo Zierold.

  4. Para enfrentar a ditadura de Díaz surgiu o Partido Liberal Mexicano, onde predominavam as ideias anarquistas, mas, pela sua composição social, era um partido da classe operária; e, embora tivesse uma estrutura organizativa de dimensão nacional – apesar de atuar na clandestinidade, com uma imprensa regular e influente (Regeneração), – sofreu as limitações próprias dessa corrente político-ideológica e foi utilizado pela burguesia e pequena burguesia na condução da Revolução democrática-burguesa de 1910. Entre as lutas que dirigiu estão a greve de Cananea, em Sonora, e do Rio Blanco, em Veracruz; além disso, dirigiu várias explosões insurrecionais no norte do país; também criou uma rede de colaboradores entre a população mexicana emigrada nos EUA.

  5. A revolução democrático-burguesa teve o objetivo de entrar por inteiro no caminho do desenvolvimento capitalista, com a transformação de um país agrário-industrial num país industrial-agrário; entrar no processo de concentração e centralização do capitalismo, que abrirá o caminho para a monopolização, deixando a livre concorrência para trás. Para alcançar esses objetivos, a burguesia reformista liderada por Madero e o setor constitucionalista, que seria depois dirigido por Carranza-Obregón-Calles, promoveram nos objetivos antiditatoriais uma aliança com forças populares – o campesinato, semiproletários e franjas do proletariado –, forças radicais que imprimiam ao processo revolucionário os seus objetivos e reivindicações; estas forças, o zapatismo e o villismo [de Francisco Villa – NT], com outras, agruparam-se após o golpe de Huerta – promovido pelo imperialismo norte-americano – na Convenção Revolucionária Nacional Soberana. A indecisão das forças radicais nos planos político e militar levou ao triunfo definitivo do setor constitucionalista, que, para favorecer a sua hegemonia e, com ela, o pleno desenvolvimento do capitalismo, promoveu uma série de reformas avançadas: o reconhecimento dos direitos laborais, a repartição agrária, a educação pública, a segurança social; esta política de desenvolvimento social visava fortalecer a ditadura de classe, com a contenção social preventiva, garantindo estabilidade ao capitalismo no nosso país por um período muito longo. Durante o período da guerra civil, que, no final, culminou com a derrota militar do zapatismo, em 1919, a classe operária, sem ir além de uma consciência economicista, sem consciência para si, sem partido nem programa próprio, não teve uma ação destacada, mas sim um papel subordinado às distintas fações em luta e chegou mesmo, nalguns momentos, a agir contra aqueles que, como o zapatismo e o villismo, podiam ser os seus aliados naturais.

  6. O desenvolvimento capitalista internacional entrou então na fase do capitalismo monopolista: o imperialismo, a sua fase superior; isso amadureceu as condições objetivas para iniciar a transição histórica do capitalismo para o socialismo, que começa com a Grande Revolução Socialista de outubro, de 7 de novembro de 1917, liderada por Lénine e pelo Partido Comunista Bolchevique, que levou a classe operária ao poder, continuando a proeza da Comuna de Paris que, em 1871, tentou pela primeira vez o assalto ao céu.

  7. O triunfo revolucionário de outubro na Rússia e o início do poder soviético fortaleceu os partidos, organizações e grupos revolucionários que, no seio da II Internacional, travaram uma luta sem quartel contra o oportunismo, o revisionismo e o reformismo. A falência definitiva da II Internacional ocorreu pela sua atitude face à Primeira Guerra Mundial, a primeira guerra imperialista, em que se abandonou completamente o internacionalismo proletário e se apoiou a luta interburguesa das nações em luta, condenando a classe operária a enfrentar-se entre si, a derramar o seu sangue por um ou outro polo imperialista em disputa. Tais partidos, organizações e grupos revolucionários, que fizeram esforços extraordinários para restaurar as suas características marxistas e enriquecê-las nas novas condições, entre os quais se destacavam os bolcheviques russos e os espartaquistas alemães, anteriormente agrupados em Zimmerwald e Kiental, deram origem, em março de 1919, à fundação da III Internacional, a Internacional Comunista, que até 1943, enquanto existiu, cumpriu a importante tarefa de universalizar o marxismo, enriquecido como marxismo-leninismo, levando a consciência socialista e o programa comunista aos cinco continentes, a todos os países, em todas as línguas, nas mais adversas condições, conscientizando o proletariado mundial da sua missão histórico-universal; além disso, a Internacional Comunista contribuiu para a formação dos partidos comunistas em todo o planeta, qualificando a luta dos trabalhadores em cada país e à escala internacional. Essas contribuições da Internacional Comunista –, além de incrementar a luta anticolonial e contribuir para a luta e a derrota do fascismo na Segunda Guerra Mundial –, são também, nos nossos dias, um fator positivo a favor da classe operária no seu conflito sócio-classista com o capital.

  8. A Grande Revolução Socialista de outubro e a criação da III Internacional foram fatores fundamentais, no início do movimento comunista no nosso país, que levariam à formação do Partido Comunista do México, secção da Internacional Comunista, em abril-dezembro de 1921.

  9. O poder operário, o poder soviético e a ditadura do proletariado inspiraram os trabalhadores de todos os países, entre eles os do México, a considerarem a necessidade de um Novo Mundo. Esta influência levou à formação do Grupo dos Irmãos Socialistas Vermelhos e à agitação em favor das ideias do socialismo. Diferentes coletividades, agrupamentos, organizações políticas e sindicatos convocaram a realização do Congresso Socialista Nacional, que se reuniu de 25 de agosto a 4 de setembro de 1919. Embora a ignorância e a confusão sobre as ideias essenciais do marxismo sejam claras nos documentos do Congresso, é notável o instinto de classe, que acaba optando pelas tendências favoráveis à Internacional Comunista contra a II Internacional e meia, e a convicção a favor do partido político da classe operária. O trabalho do Grupo dos Irmãos Socialistas Vermelhos e o Congresso Socialista Nacional podem considerar-se a etapa fundacional do movimento comunista no nosso país.

  10. Do Congresso Socialista Nacional resultaram: o Partido Socialista Nacional (semanas mais tarde renomeado como Partido Socialista do México), liderado por Joseph Allen e MN Roy e o “Partido Comunista do México”, liderado por Linn A. Gale. Em 24 de novembro de 1919, o Partido Socialista do México decidiu adotar o nome de “Partido Comunista Mexicano” e, com o aval de M. Borodín – enviado da III Internacional – que tinha um conhecimento superficial da situação do movimento operário e comunista do nosso país, indicou três representantes ao II Congresso da Internacional Comunista. O “Partido Comunista Mexicano” tinha como órgão de imprensa El Soviet e o “Partido Comunista do México” tinha o El Comunista de México.

  11. Perante os protestos da IWW, dos EUA [Industrial Workers of the World —Trabalhadores Industriais do Mundo – NT] e de diferentes organizações operárias do México sobre a representatividade do “Partido Comunista Mexicano”, e uma vez concluído o seu Segundo Congresso, o Comité Executivo da Internacional Comunista decidiu enviar quadros experientes – Francis Philips, Sen Katayama e Louis Fraina –, para determinar a realidade do movimento operário e comunista do nosso país, também com a tarefa de formar a Agência Pan-Americana da III Internacional, com sede no México. Estes quadros vieram sob a liderança do comunista japonês Sen Katayama, de larga experiência no movimento operário internacional e na própria II Internacional, na sua fase positiva, de cuja direção fez parte.

  12. Seguindo as diretrizes do II Congresso da Internacional Comunista, especialmente as 21 Condições de Entrada, o camarada Katayama deu-se à tarefa de alcançar a unidade num único partido do “Partido Comunista Mexicano” e do “Partido Comunista do México”. A repressão estatal, de abril de 1921, decapita esses partidos e acaba por mostrar que, na realidade, são grupos débeis, que, de facto, deixam de existir. Apesar de tudo, deixam um fruto que viria a ser o cimento sobre o qual se edificará o partido marxista-leninista no nosso país: a Federação de Juventudes Comunistas do México.

  13. Os relatórios do camarada Sen Katayama à Internacional Comunista são de grande importância para determinar, objetiva e verdadeiramente, a situação do movimento comunista no nosso país, nesses anos de 1919-1921: os dois “partidos” chamados comunistas, o dirigido por Allen e o dirigido por Gale, apesar das suas boas intenções, eram meros grupos com escassas possibilidades de desenvolvimento. Entre os seus membros, além de um baixo nível ideológico, as suas qualidades pessoais estavam longe das do quadro partidário, do revolucionário profissional. Gale, por exemplo, na primeira onda repressiva, exclusivamente constituída por deportação, renunciou às ideias que proclamava e afastou-se definitivamente do processo de formação do Partido Comunista; quanto a Allen, há 30 anos que se sabe que era informador da embaixada dos EUA relativamente a assuntos do Exército mexicano, mas, o realmente grave – e está comprovado com recentes documentos – é que deu informações sobre a vida interna do movimento comunista e entregou dados dos camaradas enviados pela III Internacional, facilitando a prisão e deportação do camarada Philips.

  14. Superada a onda repressiva de abril de 1921, ficando claro que teria de se recomeçar e partir praticamente do zero, sob a liderança do camarada Sen Katayama, iniciou-se um trabalho muito sério e profundo de difusão da teoria comunista e um trabalho organizativo que lançou os verdadeiros fundamentos da formação do Partido Comunista do México, Secção da Internacional Comunista , denominação ajustada às 21 Condições do Comintern. Com base na juventude comunista, a FJCM, agrupam-se os comunistas que terão de constituir o PCM, no seu primeiro Congresso, nos últimos dez dias de dezembro de 1921.

  15. Ao contrário da versão idílica de que, sem o conhecimento da teoria marxista, o Partido Comunista surgiu, da noite para o dia, em 24 de novembro de 1919, a verdade histórica mostra as seguintes conclusões: 1) o Partido Comunista do México foi o resultado direto da ação da Internacional Comunista e dos seus quadros destacados no México, designadamente do camarada Sen Katayama, que, com justeza histórica, deve ser considerado um dos seus efetivos fundadores: difusor das ideias marxistas-leninistas pela primeira vez no nosso país e da sua aplicação na análise da luta de classes e da realidade nacional, organizador do movimento sindical e, acima de tudo, organizador do partido comunista.

  16. O Partido Comunista, como partido da classe operária, é, pela sua essência e formas organizativas, um partido de novo tipo, uma organização de revolucionários profissionais; é obra da III Internacional haver universalizado a experiência do Partido Comunista Bolchevique. E é à III Internacional que a classe operária mexicana reconhecerá uma dívida eterna, pela sua contribuição na construção do seu partido revolucionário. É sobre esse fundamento que a classe operária do México cria, desde então e dia após dia, a sua própria experiência e tradições combativas, em antagonismo com o capital.

  17. Libertados da influência negativa do XX Congresso do PCUS –, que procurou impor a tese das especificidades e particularidades nacionais e que, na história dos partidos comunistas, colocou o argumento artificial de que o papel da III Internacional foi secundário e, até, negativo para o desenvolvimento do movimento comunista em cada país, distorcendo os debates –, hoje está claro para nós que o proletariado mundial, e o do México, têm muito que reconhecer à gloriosa Internacional Comunista.

  18. Estamos empenhados em estudar, entender e extrair lições da atividade do Partido Comunista do México, Seção da Internacional Comunista (renomeado, a partir de 1943, como Partido Comunista Mexicano), desde o seu início até à sua liquidação, em 1981; assumimos a continuidade dessa luta histórica, com os seus acertos e erros: para a classe operária e os marxistas-leninistas, os ensinamentos da nossa história são a base dos objetivos contemporâneos de conquista do nosso projeto emancipatório, o socialismo-comunismo.

  19. Ao longo do século XX e durante estes cem anos de atividade, os comunistas enriqueceram a ação política do proletariado mexicano, e a sua ausência empobreceu-a. A existência do Partido Comunista é a única garantia de que a classe operária e o conjunto dos explorados e oprimidos podem romper com as cadeias do capitalismo, tomar o poder e construir o Novo Mundo.

  20. O movimento operário e sindical foi ativo e vitorioso nas suas lutas e reivindicações com base nas orientações sindicais e na atividade dos quadros sindicais organizados com a política dos comunistas; objetivos de classe, unitários, democráticos e combativos deram aos trabalhadores mexicanos um rumo certo e vitórias. Os comunistas, através de diferentes experiências, como a Federação Comunista do Proletariado Mexicano, a CSUM (Confederação Sindical Unitária do México), o Comité Nacional de Defesa Proletária e, por algum tempo, a Confederação dos Trabalhadores do México, organizaram o proletariado industrial do petróleo, das minas, o setor metalomecânico, os ferroviários, os trabalhadores da educação, do têxtil, dos transportes etc. Contribuíram para a unidade sindical, a melhoria das condições de vida e de trabalho da classe operária e das suas famílias; com a presença dos comunistas no movimento operário e sindical, com fluxos e refluxos, há um rumo certo, responsável e de classe.  Também foi pela ação programática dos comunistas que o movimento operário impulsionou a estatização e nacionalização dos caminhos de ferro e dos petróleos. Os comunistas têm sido os mais consistentes na luta pela independência de classe, pela unidade e democracia sindical, na ação intransigente pelos direitos sindicais e laborais e na luta concreta nos locais de trabalho contra o capital, contra o charrismo [subordinação dos dirigentes sindicais aos interesses dos patrões e governos – NT] e o atropelo das lutas proletárias, por parte do Estado burguês. Homenageamos a importante contribuição operária e sindical de Julio Antonio Mella, David Alfaro Siqueiros, Miguel Ángel Velasco, Valentín Campa, Othon Salazar, entre milhares de quadros e ativistas. Honra e glória aos que foram assassinados, como é o caso dos comunistas no bairro de San Bruno, em Xalapa, dos reprimidos e encarcerados em cada luta, como os ferroviários de 58 e os do movimento de professores.

(continua)

Fonte: http://www.comunistas-mexicanos.org/partido-comunista-de-mexico/2221-tesis-del-comite-central-del-pcm, publicado e acedido em 2019/11/08

Tradução do castelhano de PAT

 

 

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