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Narciso Isa Conde

 

A Venezuela é, definitivamente, um local muito agudo do confronto mundial entre um imperialismo a bater em retirada, que decai com diferente intensidade, e uma vaga de povos que resistem ao papel de vassalos.

 

 

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A Venezuela bolivariana não é apenas a Venezuela.

Nesse solo, nesse subsolo, nessa terra... há muitas coisas transcendentes a serem decididas para a Nossa América e, consequentemente, para os seus vorazes agressores. E não só: estão por decidir situações que se relacionam com a evolução do processo mundial, a curto e médio prazos.

Situações que têm a ver com a autodeterminação dos povos, o destino do seu património natural, a guerra e a paz, a velocidade do declínio dos EUA como um império, o curso socialista, ou não, do rumo independente, a recorrência das crises e os riscos de retrocessos ou avanços com elas envolvidos e, até mesmo, o destino da atual contraofensiva do imperialismo e das ultradireitas (incluindo o neofascismo) à escala continental e mundial.

A Venezuela é, definitivamente, um local muito agudo do confronto mundial entre um imperialismo a bater em retirada, que decai com diferente intensidade e uma vaga de povos que resistem ao papel de vassalos; coexistindo com a atual força de atração dos imperialismos emergentes (China Popular e Rússia), que têm razões e possibilidades de se oporem aos piores e mais violentos desígnios dos EUA.

Vitórias conjunturais que deixam pendentes golpes estratégicos

Até agora, a Venezuela bolivariana, a sua componente militar não subordinada aos EUA e o seu combativo povo chavista – contando também com um forte apoio internacional, que inclui a Rússia, a China Popular, o Irão e Cuba ... – superou os grandes momentos críticos da subversão imperialista e direitista, conseguindo importantes vitórias táticas ou conjunturais que, no entanto, não têm sido acompanhadas por transformações estruturais que possibilitem a erradicação das bases económicas e sociais em que se apoia o poder imperial nas suas periódicas recorrências a ações desestabilizadoras da soberania reconquistada.

No estritamente defensivo, na capacidade de resistir às totais e periódicas ofensivas contrarrevolucionárias, os êxitos têm sido importantes e indiscutíveis.

A questão é que, sempre, no que se segue não se vai mais além, não se passa à ofensiva e, então, dá-se uma espécie de congelamento da correlação de forças, não propriamente eleitoral, e um não avanço da continuidade de uma “convivência civilizada”, com fatores de poder permanentes ligados à propriedade e ao grande capital privado, que apoiam a sedição direitista e permitem reforçar de novo, em múltiplas esferas, a sua capacidade de pressão, sabotagem e desestabilização.

Em grande medida, no meio de novas iniciativas de diálogos (sem a menor possibilidade de acordos favoráveis à distensão e à estável continuidade do processo de mudança), a liderança delinquente a nível político, social, militar e económico permanece impune, ou só minimamente castigada. Não se lhe assestam golpes realmente estratégicos.

Em geral, os meios disponíveis para a guerra mediática, económica, de sabotagem, de desabastecimento e para a guerra cibernética ... a cargo dos agressores (média, bancos, empresas importadoras, grandes centros comerciais, agro-indústrias e indústrias de alimentação, corporações transnacionais ...) continuam intactos.

Sem falar nos efeitos do bloqueio, da intervenção em contas, das sanções de todo tipo e da obstrução a financiamentos e recursos a nível internacional, fora da possibilidade de controle.

Até quando…

A expropriação dos expropriadores, em especial a dos seus componentes orientados para lançar o caos e favorecer a invasão militar imperialista, foi permanentemente adiada.

A socialização progressiva não é abordada.

O processo radicaliza-se em confrontos, mas não se aprofunda numa direção anticapitalista, nem serquer no que respeita à socialização permitida pelo arcabouço jurídico-constitucional.

O anti-imperialismo fica coxo com as insuficiências na realização das transformações anticapitalistas e pela benevolência perante uma grande parte dos protagonistas de toda a espécie de desestabilização violenta.

A isto, somam-se os efeitos permanentemente desgastantes e politicamente debilitantes de uma corrupção de Estado, com diversos vasos comunicantes com o enriquecimento privado e a grande corrupção burguesa, perante os quais prevaleceu uma atitude oficial permissiva.

Até quando terão de aceitar-se, sem alterações substanciais, essas realidades que facilitam a recorrência periódica das crises políticas e os possíveis riscos de retrocessos?

Quando chegará a hora de ajustar contas com os agressores e corrigir erros que parecem endémicos, a fim de criar uma correlação de forças mais favorável, estável e promissora, em termos de revolução?

Quando se vai optar por aplicar consistentemente o golpe de Timón e o Programa da Pátria sugeridos pelo Comandante Chávez, numa forma muito original de testamento político?

 

Fonte: https://kaosenlared.net/venezuela-cuando-le-llegara-la-hora-a-los-agresores/, publicado em 2019/05/28, acedido em 2019/05/30

Tradução do castelhano de MFO

 

 

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